REALIDADE
Vivemos um tempo em que a verdade não importa — o que importa é viralizar. As redes sociais transformaram-se em um vasto território sem lei, onde mentiras grossas se espalham com a mesma velocidade das legítimas investigações jornalísticas.
ALEXANDRE DE MORAES
O mais novo exemplo dessa escalada tóxica é o falso documento que circula na internet atribuído ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, supostamente endereçado à jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo. (Boatos.org)
TEOR
A narrativa fabricada diz que Moraes teria escrito uma carta aberta acusando Gaspar de lawfare, disseminação de mentiras e anunciando ações judiciais por calúnia e difamação.
CHULO
Um texto agressivo e inflamado, com tom conspiratório e completamente fora da realidade institucional.
CHECAGEM
Mas, conforme destaca a plataforma de checagem Boatos.org, é falso que Alexandre de Moraes tenha escrito essa carta para Malu Gaspar anunciando processo.
PROSSEGUIU
Mesmo diante de uma checagem clara, a mentira segue circulando, transformando-se em munição para grupos que vivem da polarização permanente e da hostilidade contra instituições e jornalistas.
PROSSEGUIU 2
O fato de um boato ser desmentido por sites especializados não impediu sua propagação.
PROSSEGUIU 3
Ao contrário, parece ter funcionado como combustível para os que já rejeitam a verdade como parâmetro.
DIAS ATUAIS
É a lógica da posverdade: não é o fato que importa, é a narrativa que serve ao “meu lado”.
EVAPORA
O problema é que, enquanto batalhamos sobre quem está “certo” ou “errado”, a própria noção de verdade factual se desintegra.
REFLEXÃO
Quando uma mentira bem construída ganha mais compartilhamentos do que a correção oficial, temos um enorme problema civilizatório — e não apenas comunicacional.
RAIVA
As fake news corroem a confiança social nas instituições, destroem reputações à distância, e alimentam uma cultura de ódio que se retroalimenta nos algoritmos das plataformas digitais.
APENAS UM
O episódio com a jornalista Malu Gaspar é apenas um entre milhares que se repetem diariamente.
MALDADE
Pessoas sem escrúpulos editam textos, fabricam cartas, inventam supostas declarações e posicionamentos, e lançam tudo isso na rede com a certeza de que uma grande fatia da audiência não vai verificar a veracidade antes de compartilhar.
APOIO
É o vício do like acima da responsabilidade. Em muitos casos, políticos, influenciadores e até veículos menores participam dessa cadeia de contágio, deliberadamente ou por ignorância.
APOIO 2
Mas o resultado é o mesmo: o público fica desinformado e polarizado. Tem gente que até briga pela “verdade” anunciada.
POSTURA
Ainda que sites de checagem como Boatos.org façam um trabalho essencial — desmentindo boatos repetidos e esclarecendo o público — isso não é suficiente se não houver uma mudança comportamental e uma regulação séria das grandes plataformas para punir a desinformação deliberada e não apenas rotulá-la.
PRAGA
Enquanto isso não acontece, a sociedade permanece à mercê de narrativas fabricadas que se espalham como vírus.
OPINIÃO
A desinformação não é apenas um erro de fato: é um ataque à própria ideia de uma esfera pública informada.
OPINIÃO 2
E não podemos nos acostumar a viver num ambiente onde se plausible que um ministro da Suprema Corte escreva cartas fabricadas que circulam como se fossem notícias: isso não é debate político, nem crítica legítima.
OPINIÃO 3
É propaganda de mentira, e sua proliferação diz mais sobre os efeitos devastadores das redes sociais desreguladas do que sobre os protagonistas de cada boato.
OPINIÃO 4
A pergunta que permanece é incômoda, mas necessária: até quando permitiremos que mentiras se tornem fatos alternativos e que a verdade factual seja apenas um acessório descartável na narrativa digital?
OPINIÃO 5
A pergunta que precisa ser feita — sem rodeios e sem medo de constranger — é simples e direta: quem realmente é esclarecido, informado e minimamente atento ao funcionamento das instituições acredita em uma “carta aberta” atribuída a Alexandre de Moraes com teor, forma e linguagem completamente incompatíveis com tudo o que se conhece de sua atuação como magistrado?
OPINIÃO 6
Estamos falando de um ministro do STF, conhecido justamente por uma postura formal, técnica, institucionalizada e rigorosa.
OPINIÃO 7
Um magistrado que se manifesta por meio de decisões judiciais, votos, despachos, acórdãos e, quando necessário, notas oficiais.
OPINIÃO 8
Não por textos passionais, inflamados, com tom pessoal, quase panfletário, como os que circulam em redes sociais travestidos de “carta aberta”.
OPINIÃO 9
A suposta carta que viralizou não resiste a uma análise minimamente séria. A linguagem é destoante, o estilo é incompatível com o padrão jurídico, a exposição pessoal é excessiva e o tom beira o desabafo emocional — algo absolutamente estranho à conduta institucional de um ministro da Suprema Corte. Não é assim que o Judiciário se comunica. Nunca foi.
OPINIÃO 10
Então, por que alguém acredita? Porque a desinformação não precisa ser verdadeira — ela precisa apenas ser plausível para quem já quer acreditar.
OPINIÃO 11
E aqui mora o problema central: a fake news não busca convencer quem pensa criticamente, mas alimentar bolhas, reforçar preconceitos e validar narrativas prontas.
OPINIÃO 12
A crença nesse tipo de material não é sinal de opinião política — é sinal de desinformação ou má-fé.
OPINIÃO 13
E quando pessoas públicas, influenciadores ou grupos organizados ajudam a espalhar esse tipo de conteúdo, o dano não é apenas à reputação de alguém, mas à própria noção de institucionalidade e racionalidade democrática.
OPINIÃO 14
Ninguém é obrigado a concordar ou discordar de Alexandre de Moraes, cada cidadão faz o juízo que melhor lhe convém.
OPINIÃO 15
O fato é que pessoas esclarecidas não podem aceitar como legítimo um texto que não se sustenta nem na forma, nem no conteúdo, nem na prática institucional.
OPINIÃO 16
A resposta, ainda que dura, é necessária: quem conhece, desconfia. Quem reflete, checa. Quem entende o Estado de Direito, não compartilha. O resto não é debate — é ruído.
BOM NOME
O ex-prefeito de Ji-Paraná e ex-deputado Jesualdo Pires (PSD), apareceu como líder na preferência dos eleitores em uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Continental.
BOM NOME 2
Jesualdo, que é pré-candidato a deputado federal, teve 3,92% de preferência ( 74 citações ) em uma amostragem feita com 1.888 eleitores em 15 municípios de Rondônia.
BOM NOME 3
A lembrança do nome de Jesualdo Pires é resultado, principalmente, do bom trabalho que ele realizou à frente da gestão de Ji-Paraná. A margem de erro da pesquisa é de 3% para mais ou para menos.
FRASE
Compartilhar sem checar é participar da mentira.









































