O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta quinta-feira (28) que o banco estuda suspender temporariamente o pagamento de dívidas de empresas atingidas pelas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos.
A medida, chamada de stand-still, deve priorizar empresas que trabalham com produtos perecíveis e segue modelo já adotado no socorro a empresas do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024.
“Em alguns complexos regionais, especialmente de produtos perecíveis, enquanto as compras públicas não estiverem implantadas, talvez tenhamos que tomar essa medida. Vou levar essa proposta ao governo para definir uma estratégia”, declarou Mercadante.
Encontro com prefeitos e o Plano Brasil Soberano
O anúncio foi feito durante reunião com 15 prefeitos na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, para detalhar medidas do Plano Brasil Soberano, criado pelo governo federal para apoiar exportadores afetados pelo tarifaço norte-americano.
Entre os presentes estavam Eduardo Paes (Rio de Janeiro), Anderson Farias (São José dos Campos/SP), Margarida Salomão (Juiz de Fora/MG), Dário Saadi (Campinas/SP), Alexandre Ferreira (Franca/SP), Simão Durando (Petrolina/PE) e Rodrigo Neves (Niterói/RJ), além de representantes de outros municípios.
Segundo Mercadante, equipes do banco vão percorrer cidades mais afetadas para dialogar com empresários e explicar as linhas de crédito emergenciais. “O tempo é fundamental na economia. Quanto mais a gente atrasa, maior é o prejuízo. Se a gente se antecipa, a economia segue crescendo”, disse.
Linhas de crédito disponíveis
Na semana passada, o BNDES já havia anunciado a liberação de R$ 40 bilhões em quatro linhas de crédito:
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Capital de Giro: financiamento de gastos operacionais;
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Giro Diversificação: busca de novos mercados;
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Bens de Capital: aquisição de máquinas e equipamentos;
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Investimento: inovação tecnológica e adaptação da produção.
Do total, R$ 30 bilhões virão do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões de recursos do próprio banco.
Impactos regionais do tarifaço
O prefeito Simão Durando, de Petrolina (PE), destacou que a sobretaxa ameaça a exportação de 2.500 contêineres de manga e 700 de uva do Vale do São Francisco entre agosto e outubro. “Um terço da população de Petrolina vive diretamente da fruticultura irrigada. Mais de 1 milhão de pessoas dependem dessa atividade na região”, disse.
Já o prefeito Alexandre Ferreira, de Franca (SP), afirmou que o setor calçadista pode deixar de exportar 1 milhão de pares de sapatos contratados para os Estados Unidos. Segundo ele, as empresas não têm como redirecionar os produtos para outros mercados.
Contexto do tarifaço
O governo dos Estados Unidos, sob o presidente Donald Trump, fixou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, em uma escalada da guerra comercial. Além das medidas econômicas, Washington também adotou sanções contra autoridades brasileiras, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo da trama golpista ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.