O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025, elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revelou que o Brasil registrou progressos em indicadores de educação, trabalho e meio ambiente. No entanto, a análise também mostrou que as desigualdades entre raças, gêneros e regiões ainda são um grande desafio a ser superado.
Os dados mostram que a desocupação geral no país diminuiu para 6,6% em 2024, mas a taxa de queda foi mais expressiva entre a população negra, que viu o índice cair de 9,1% para 7,6%. Apesar disso, o estudo concluiu que os avanços não foram suficientes para mudar a estrutura desigual de renda, onde 1% dos mais ricos ainda detém um rendimento médio 30,5 vezes superior ao dos 50% mais pobres.
Desigualdades de gênero e raça em diferentes áreas
A desigualdade se manifesta de forma significativa em diversos setores, com a população negra e as mulheres sendo as mais afetadas.
Educação
Ensino Superior: Mulheres não-negras representam 32,4% dos universitários, enquanto mulheres negras são 20,3%.
Acesso à creche: Crianças não-negras, tanto meninos quanto meninas, têm acesso à creche em maior proporção do que crianças negras, com uma diferença de 4,4% para as meninas e 3,6% para os meninos.
Mercado de trabalho
Rendimento: Mulheres recebem, em média, 73% do rendimento médio masculino, uma diferença que se manteve mesmo com o crescimento geral da renda.
Saúde
Mortalidade evitável: Em 2023, a taxa de mortes por causas evitáveis foi de 51,8% para homens negros e 37,8% para mulheres negras, contra 39,4% e 26,5% para homens e mulheres não-negros, respectivamente.
Violência letal: A taxa de mortalidade de jovens negros de 15 a 29 anos foi quase o dobro da de não-negros (7,2% versus 3,8%).
Mortalidade materna: As regiões Norte e Nordeste tiveram resultados piores do que a média nacional. Em 2023, o Norte registrou 71 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos, enquanto o Nordeste teve 59 a cada 100 mil.
Maternidade precoce: Em 2023, 13,8% dos nascidos vivos eram de mães jovens negras (com até 19 anos), contra 7,9% de mães não-negras na mesma faixa etária.
Desnutrição indígena: Em 2023, 7,7% das crianças indígenas apresentavam peso baixo ou muito baixo para a idade.
Violência e Meio Ambiente
Feminicídio: O número de vítimas de feminicídio subiu de 1.350 em 2020 para 1.492 em 2024.
Assassinatos de indígenas: Em 2023, foram registrados 208 assassinatos de indígenas no Brasil. A maior parte das vítimas são homens adultos e jovens.
Esses dados evidenciam que, apesar de alguns avanços, a desigualdade no Brasil continua a ser um problema estrutural que afeta de forma desproporcional grupos vulneráveis.