Não é de hoje que garimpeiros e dragas são flagrados garimpando ilegalmente em áreas protegidas por lei em toda a extensão do Rio Madeira. Este mês, um levantamento da organização ambiental Greenpeace, com atuação em todo o Brasil, principalmente na região da Amazônia, revelou que o garimpo ilegal de ouro continua descontrolado.
No estudo, a instituição sem fins lucrativos mostra que pelo menos 130 balsas vêm garimpando uma extensão do Rio Madeira entre os municípios de Novo Aripuanã e Humaitá, localizados no sul do estado do Amazonas, na divisa com Rondônia.

Em nota, o Greenpeace revelou que as imagens que fortalecem o inventário são recentes e foram feitas por meio de um sistema de monitoramento remoto criado pela instituição no Brasil. Ainda segundo o Greenpeace, essas imagens têm como base o radar SAR via satélite Sentinel-1, processadas no Google Earth Engine.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que está ciente do problema na região e que o órgão vem trabalhando com um plano de combate ao garimpo ilegal nessa região do Brasil. Além disso, enviou o resultado das últimas operações, que apresenta que, entre os anos de 2023 e 2024, já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 1.222 balsas e dragas foram destruídas somente no Amazonas.

Desse estudo, explica o órgão, 800 foram destruídas apenas no Rio Madeira. Este ano, os planejamentos para a realização de operações contra o garimpo ilegal em toda a Amazônia, particularmente em áreas protegidas, como terras indígenas e Unidades de Conservação Federais, seguem sendo montados.
Em quatro anos, segundo o levantamento do MapBiomas, o garimpo ilegal de ouro no Rio Madeira cresceu vertiginosamente dez vezes nas últimas três décadas, saltando de 3.753 hectares em 2010 para 9.660 hectares em 2020, resultando em um aumento de 5.907 hectares. Ainda segundo o levantamento, 50% do garimpo na Amazônia é ilegal por estar em Terras Indígenas ou Unidades de Conservação protegidas por lei.