José Hiran Gallo
Presidente do Conselho Federal de Medicina
Em 1985, o Brasil ainda tinha 135 milhões de habitantes, com uma expectativa de vida média de 61,3 anos para homens e de 67,6 anos para mulheres. Na época, a mortalidade infantil era de 67 óbitos por 1.000 nascidos vivos, ou seja, quase seis vezes maior do que a atual. Além disso, como 21% dos brasileiros de até 15 anos não sabiam ler e escrever, o analfabetismo configurava como um grande problema nacional.
Na cena política, com a eleição indireta de Tancredo Neves para a Presidência da República pela primeira vez, em duas décadas, um civil passaria a governar a Nação. Na época, o adoecimento do presidente eleito foi acompanhado pela TV até o desfecho com sua morte, no dia 21 de abril daquele ano, com a posse de seu vice, José Sarney, em seu lugar.
Por sua vez, em Rondônia, o estado recém-criado em 1982, vivia a efervescência de uma fronteira a ser desbravada. Era assim que o último governador do então Território Federal e primeiro do novo estado, o coronel do Exército Jorge Teixeira de Oliveira, conduzia sua gestão, tocando uma série de obras com o apoio do Governo Federal tornando viável o desenvolvimento econômico-social da região.
É neste cenário – de ruas empoeiradas e sem asfalto e ainda longe das facilidades da tecnologia – que chegaram milhares de jovens profissionais a Porto Velho, ávidos por construírem suas próprias histórias alinhadas aos rumos de Rondônia, “a nova estrela no azul da União”, como era informado pela propaganda oficial.
Em meio a essa multidão de desbravadores, daqueles que se preocupam em trazer e não apenas levar, estava um amigo que recentemente partiu de forma inesperada, deixando muita saudade e uma lacuna imensa para a vida intelectual e cultural rondoniense. Falo do Professor Jorge Antônio Peixoto da Silva, homem de inúmeras qualidades, que partiu desse plano no dia 7 de janeiro de 2024.
Nesta breve reflexão, quero homenageá-lo publicamente, em meu nome e de tantos outros admiradores, pelo que foi como cidadão e ser humano, esculpido em virtudes que a todos impressionavam. Nelson Rodrigues nos alertou sobre os riscos da unanimidade, pois posso assegurar que ao redor dessa figura todas as opiniões – do mais alto nível – convergem no mesmo sentido.
O professor Jorge Peixoto era um exemplo de cultura e amor ao conhecimento, o qual compartilhava de forma simples e generosa. Não é por acaso que era aplaudido ao final de cada aula por seus alunos, impressionados com a erudição e a didática típica dos dotados pelo dom do ensino.
Desde 1985, quando aportou na nossa Rondônia, um ano após seu casamento com Dona Sueli e um ano antes do nascimento do primeiro de seus três filhos – Flávia, Faviane e Israel -, o professor Jorge Peixoto passou a encantar a comunidade.
Nunca escondeu que deixou o Rio de Janeiro rumo ao interior da Amazônia em busca de oportunidades de trabalho que não encontrava em sua terra natal. Porém, fazia questão de declarar que a vinda foi seguida de um caso de paixão aguda e irreversível por Rondônia, que passou a ser sua casa no coração e na alma.
Radialista, jornalista, professor universitário na Faculdade São Lucas e professor de inglês, um dos quatro idiomas que aprendeu sozinho, de maneira autodidata, o Professor Jorge era um incansável trabalhador, dotado de uma genialidade que deixada a todos de queixo caído.
Não preciso dizer que vai fazer falta. Corrijo-me: já está fazendo. No último sábado (11), quando aconteceu mais uma edição do programa Papo de Redação, no qual éramos companheiros de bancada, bateu uma forte saudade e nostalgia.
Queríamos ouvir novos comentários afiados, saber de novidades e aproveitar a companhia de seu espírito inquieto, que tornou o mundo mais leve por onde passou. Por isso, não ficamos surpresos com tantas mensagens de solidariedade, inclusive de todos os veículos de comunicação do Estado, da OAB Rondônia, da Prefeitura de Porto Velho, do Governo do Estado de Rondônia e do Conselho Federal de Medicina (CFM), do qual sou presidente.
A nós, companheiros de jornada neste planeta, fica o dever de expressar nossa gratidão ao Professor Jorge Peixoto por ser quem foi: um grande homem, marido, pai, amigo, profissional e cidadão. Como disseram seus filhos: “uma pessoa de muita luz, um ser ímpar.
Até breve, mestre. Pode estar certo que Rondônia lhe agradece e aplaude por tudo que fez por nossa terra e seu povo desde que aqui chegou no longínquo 1985 – um ano que ficará para sempre em nossa memória!









































