Em menos de 24 horas, o estado do Amazonas alcançou um novo marco em sua história. Na quarta-feira, Manaus já era classificada como a segunda cidade no ranking mundial de pior qualidade do ar. Hoje, o Amazonas, frequentemente alvo de críticas, superou o que se espera de um estado que tem a Amazônia como referência para a sustentabilidade da vida humana.

A fumaça que invade Manaus superou Siskiyou, condado da Califórnia, EUA, assumindo o primeiro lugar em poluição do ar. O levantamento é do World’s Air Pollution, um sistema que mapeia a quantidade de CO2 em tempo real nas cidades ao redor do globo. Pela capital, o clima é apocalíptico e para muitos manauaras é um cenário de revolta, principalmente quando o Amazonas atravessa uma de suas piores secas.
Nesta tarde, Manaus apresenta o maior índice de poluição entre as cidades do Brasil e do mundo. Com a marca de 293 ug/m³, a capital possui agora o pior clima do planeta. Somente no entorno da cidade, são nove pontos em extrema crise, todos estabelecendo recordes mundiais. Mas nada é tão ruim que não possa piorar.
A fumaça no Amazonas vem ultrapassando as divisas e chegando até Rondônia. Há dois dias, o céu no estado, especialmente na capital Porto Velho, tem permanecido majoritariamente acinzentado. A intensa concentração de fumaça torna o clima local insalubre.
Dados internacionais têm registrado queimadas ao longo do território rondoniense, inclusive, lamentavelmente, em Terras Indígenas e regiões protegidas por leis ambientais.
Como a medição ocorre em tempo real, o World’s Air Pollution mostra o Vale do Cuniã, a capital Porto Velho, distritos da Ponta do Abunã, a Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, e os municípios de Campo Novo de Rondônia, Governador Jorge Teixeira e Cacoal, como locais com clima insalubre e prejudicial à saúde humana.