Autora: Renata Camurça
Escritor: Simon Oliveira dos Santos
Páginas: 111
Temática Editora
“Depois do sucesso de Trem das Almas, as inquietações literárias e históricas de Simon foram, mais uma vez, transformadas em causos e crônicas breves, culminando neste novo livro, que há de prender o leitor do primeiro ao último capítulo.
Difícil escolher o melhor causo ou crônica. Muitos deles poderiam, sem exagero, se tornar roteiro de filme ou série.
O cenário é a fronteira Brasil/Bolívia e, em especial, a cidade que abriga o berço do Rio Madeira, a hoje denominada Nova Mamoré. Os enredos são bem tramados e trazem elemento surpresa de muita intensidade estética. Quanto aos personagens, que cada leitor aprecie e escolha a quem mais admira ou com quem mais se afina…”
Uma leitura que eu adorei fazer, um estilo de livro que não sou muito acostumada e cada vez mais está ganhando espaço na minha estante.
O livro é “Causos e Crônicas do Berço do Madeira”, do escritor Simon Oliveira dos Santos, que é natural do meu Estado, Rondônia.
A obra é um compilado de causos e crônicas que narram o cotidiano dos moradores de uma pequena cidade do interior, Nova Mamoré. Dividido em 24 capítulos, cada um deles possui uma pequena ilustração, e que junto com a capa deram um charme todo especial ao livro.
São páginas recheadas de histórias, situações divertidas, até mesmo cômicas, emocionantes e lembranças das dificuldades e conquistas, um retrato fiel do nosso povo. Estão lá nomes como do ex-prefeito José Brasileiro, ex-prefeito José Domingos dos Santos, entre outros.
Separei aqui os capítulos que eu mais gostei e deixo como dica para vocês. Alguns deles, só pelo título já dar para imaginar o tema que aborda.
·O cavalo da minha infância
·A cachoeira do amor do igarapé Ribeirão
·O igarapé do sítio do meu avô
·Meu pai, minha mãe e os livros…
·O candidato que jogou café quente no filho da eleitora
·O candidato a vereador apaixonado e a leitora enterreira
·O candidato a vereador que prometeu construir uma hidroelétrica na aldeia indígena do Ribeirão
·No Iata é assim…
·O primeiro sepultamento do cemitério municipal Severino Inácio da Rocha
Enfim, é um livro bem fácil de ler, divertido, inteligente e com uma boa pitada de ironia. Uma leitura que eu recomendo.
Boa leitura!
“Eu, sempre faceiro, montado na parte dianteira da sela do animal, achava que meu pai era muito maior que qualquer castanheira centenária que existia em todo nosso caminho.”
“A alegria se espraiou e deslocou até as pedras da cachoeira do Ribeirão, rolando rio abaixo ao encontro das águas do achocolatadas do Rio Madeira.”
“Descobriu que as águas da “Cachoeira do Amor” rejuvenescem os laços matrimoniais e eternizam os afetos e sentimentos.”
“Nesta parte do igarapé ficávamos uma eternidade… Pulávamos da ponte e mergulhávamos por entre as piabas e lambaris, às vezes nos enroscando nos musgos e lodos esverdeados e gelatinosos que brotavam dos caules e das raízes das gramíneas de flores alaranjadas.”
“Período de eleições municipais é sempre aquela muvuca em pequenas cidades, considerando-se a proximidade entre candidatos e eleitores. Em Nova Mamoré, a algazarra não é diferente. Casos inusitados, hilários e cômicos recheiam as conversas em bares, vizinhanças e se disseminam em grupos de WhatsApp e outras redes socias, campo aberto onde o imaginário das pessoas não tem limites, para o bem e para o mal.”
“No IATA é assim. Lá o tempo ganha outra dimensão. Os frutos, diferentemente dos demais lugares, não caem, apodrecem, secam nos galhos e dissipam-se no ar. Lá as pessoas e as coisas não envelhecem e não morrem, transmutam-se, passam do estado sólido para o mais sólido ainda. É possível ver velhos, sábios alquimistas caminhando pelas vias do lugar, ostentando a grandeza das pessoas simples de coração.”
“É preciso voltar e enaltecer, sem ser piegas, as nossas origens. O IATA é a matriz fundadora da história dos guajará-mirenses e nova-mamorenses, “os amazônidas”, filhos da ferrovia”, que cresceram ouvindo com encanto o som forte e imponente do apito da locomotiva e que ecoa até hoje, vivo, em nossos corações.”