O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta segunda-feira, 2, que os Estados Unidos e Israel utilizaram as mesas de negociação nuclear como uma “farsa” para encobrir o objetivo real de promover uma mudança de regime no país persa. Em entrevista coletiva na embaixada em Brasília, o diplomata argumentou que o ataque ocorrido no último sábado interrompeu reuniões técnicas que estavam agendadas com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Para Nekounam, a postura do presidente Donald Trump reflete uma visão de quem se considera o “rei do mundo”, ignorando a soberania de nações que buscam independência.
O representante iraniano destacou que, apesar do assassinato do Líder Supremo Ali Khamenei, a estrutura de poder do Estado permanece sólida e sem descontinuidades. Um Conselho de Liderança Interino foi nomeado imediatamente para assumir as funções de comando até que a Assembleia dos Especialistas eleja um sucessor definitivo. Nekounam reforçou que a defesa do país segue “contínua, firme e poderosa”, desmentindo teses de que o Irã estaria acéfalo ou vulnerável após a perda de sua principal autoridade religiosa e política.
Durante a coletiva, o embaixador subiu o tom contra a administração norte-americana, citando escândalos éticos para questionar a autoridade moral de Washington. Nekounam mencionou os arquivos de Jeffrey Epstein para sugerir que líderes envolvidos em controvérsias morais não possuem legitimidade para administrar a soberania global. Ele também justificou os ataques iranianos contra bases militares dos EUA em países vizinhos como um “direito legítimo de autodefesa”, negando que tais ações configurem agressão aos territórios dos países árabes onde as instalações estão localizadas.
Nekounam fez questão de agradecer publicamente a posição do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que condenou o uso da força por parte de Washington e Tel Aviv. Analistas apontam que a ofensiva liderada por Trump, além de visar o desmantelamento balístico iraniano, busca frear a expansão econômica da China na região e consolidar a hegemonia militar de Israel. A agressão ocorre em um momento de extrema sensibilidade, apenas um dia após mediadores de Omã sinalizarem que um acordo nuclear estava próximo de ser assinado.









































