O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classificou como “política genocida” o endurecimento das sanções energéticas impostas pelos Estados Unidos à ilha caribenha. Em entrevista, o diplomata afirmou que as medidas afetam diretamente a capacidade de geração de energia e, consequentemente, a subsistência da população.
Segundo ele, o bloqueio econômico — iniciado após a Revolução Cubana — ganhou nova dimensão com ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump, que prevê sanções a países que comercializem petróleo com Cuba. Para o embaixador, a decisão amplia o isolamento energético e compromete setores essenciais, como saúde, transporte e produção de alimentos.
Curbelo sustenta que a restrição ao fornecimento de combustível agrava uma crise já existente. Ele afirma que o país depende fortemente de derivados de petróleo para geração elétrica e que a limitação impõe apagões prolongados, exigindo medidas de austeridade e reorganização de serviços públicos.
Energia e austeridade
De acordo com o diplomata, o governo cubano tem priorizado hospitais, escolas e residências com necessidades especiais durante os cortes de energia. Ele destacou que a ilha investe na ampliação da energia solar como alternativa estratégica, buscando reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Cuba também tenta ampliar a extração e o refino internos, além de firmar cooperações internacionais para mitigar os efeitos das sanções. Ainda assim, segundo o embaixador, a infraestrutura energética do país enfrenta limitações tecnológicas e financeiras.
Impactos econômicos e turismo
O bloqueio, segundo Curbelo, afeta diretamente o turismo — uma das principais fontes de divisas do país. A escassez de combustível tem provocado restrições logísticas e operacionais, o que impacta voos e serviços ligados ao setor.
O diplomata argumenta que as medidas têm reflexos não apenas internos, mas também nas relações internacionais, ao penalizar países que mantenham comércio energético com Havana. Ele afirma que há manifestações de solidariedade de diversas nações e blocos internacionais.
Contexto político
A ordem executiva norte-americana classificou Cuba como ameaça à segurança dos Estados Unidos, citando alinhamentos geopolíticos do governo da ilha. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou a decisão e afirmou que o país continuará defendendo sua soberania.
O embaixador reiterou que Havana mantém disposição para diálogo diplomático, mas considera inegociáveis os princípios de independência nacional. Para ele, o cenário atual representa um desafio estrutural que exige resistência econômica e cooperação internacional.










































