A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu as novas tarifas do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, como um grande golpe para a economia global. Acrescentou que a União Europeia (UE) está preparada para responder com medidas retaliatórias caso as negociações com Washington fracassem.
Von der Leyen disse que a UE já está finalizando um primeiro pacote de tarifas sobre até 26 bilhões de euros de produtos norte-americanos para meados de abril, em resposta às tarifas de aço e alumínio dos EUA que entraram em vigor em 12 de março.
“E agora estamos nos preparando para outras contramedidas a fim de proteger nossos interesses se as negociações fracassarem”, disse ela, em declaração que leu na cidade de Samarkand, no Uzbequistão, nesta quinta-feira (, antes de uma cúpula de parceria UE-Ásia Central.
Nessa quarta-feira (2), Trump apresentou uma tarifa mínima de 10% sobre a maioria dos produtos importados para os EUA, com taxa maior de 20% para a UE.
Von der Leyen não forneceu detalhes sobre as futuras medidas do bloco europeu.
França e Itália
Um porta-voz do governo da França disse que outras medidas sobre uma gama mais ampla de produtos e serviços entrarão em vigor no final de abril. Nada foi decidido ainda, acrescentou, mas é provável que os serviços, principalmente os digitais, sejam o foco.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que a UE se esforçará para chegar a um acordo com os EUA a fim de evitar uma guerra comercial, mas não descartou uma resposta europeia “adequada”.
Fed
As tarifas crescentes nos Estados Unidos podem alimentar uma inflação mais prolongada do que o esperado, disse a diretora do Federal Reserve (Fed), Adriana Kugler, rejeitando a visão de que os preços só vão aumentar em produtos importados.
“Pode haver razões pelas quais as tarifas têm efeitos mais prolongados” do que simplesmente causar um aumento isolado no preço de produtos importados, afirmou.
Novas tarifas já impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, por exemplo, visam bens intermediários como alumínio e aço.
“Isso afetará todos os setores por meio das redes da cadeia de suprimentos. Pode levar mais tempo para que isso se infiltre na economia”, disse Kugler em evento na Universidade de Princeton.
O risco de retaliação por parte de outros países e a possível mudança nas expectativas de inflação dos EUA podem aumentar o impacto, declarou, assim como o risco de que as tarifas distorçam tanto os preços a ponto de transferir capital para a produção de bens “nos quais talvez não tenhamos uma vantagem comparativa”.
Rússia, Cuba e Coreia do Norte
Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciava tarifas sobre aliados e inimigos, incluindo Europa, Índia, Japão e China, alguns dos países que sofrem mais sanções no mundo, como Rússia, Bielorrússia, Cuba e Coreia do Norte, evitavam ser escolhidos para receber um tratamento punitivo especial.
Com o mundo dominado pela guerra comercial, Trump impôs uma tarifa de 10% sobre a maioria dos produtos importados para os Estados Unidos. A China, o maior fornecedor, agora enfrenta tarifa de 54% sobre todas as exportações para o maior consumidor do mundo.
“Diante de uma guerra econômica implacável, os EUA não podem mais continuar com uma política de rendição econômica unilateral”, disse Trump ao apresentar as tarifas.
A Casa Branca divulgou uma lista de comentários de pessoas elogiando suas tarifas. Eles disseram que os trabalhadores norte-americanos comuns seriam beneficiados após anos do que descreveram como abuso de parceiros comerciais como a China.
Trump disse que imporia tarifa básica de 10% sobre todas as importações para o país e taxas mais altas sobre dezenas de países. Rússia, Cuba e Coreia do Norte não apareceram na lista dos que enfrentarão tarifas “recíprocas” mais altas divulgada pela Casa Branca.
Quando perguntado por que a Rússia não estava na lista, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que os Estados Unidos não comercializavam com a Rússia e a Bielorrússia e que eles estão sob sanções
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a Rússia foi deixada de fora porque não havia comércio significativo com ela. Cuba, a Bielorrússia e Coreia do Norte não foram incluídos porque as tarifas e sanções existentes sobre eles já são muito altas.
Japão
O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, disse que está desapontado com o fato de seu país não ter obtido isenção das novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e prometeu medidas para ajudar a indústria japonesa a lidar com as consequências.
As autoridades japonesas não forneceram nenhuma indicação sobre uma possível retaliação, mas questionaram se as tarifas são consistentes com os acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) e se alguns dos cálculos dos EUA sobre as próprias tarifas do Japão são precisos.
O Instituto de Pesquisa Daiwa estimou que as tarifas recíprocas de 24% impostas por Trump ao Japão poderiam reduzir o Produto Interno Bruto (PIB)real em 0,6% neste ano, após um crescimento ligeiro de 0,1% em 2024.
Uma tarifa de 25% sobre todas as importações de automóveis, anunciada anteriormente, entrou em vigor nesta quinta-feira nos EUA, desferindo um duro golpe na indústria automobilística japonesa, responsável por cerca de 3% do PIB.