O Carnaval de Porto Velho ganhou um legado que vai além da música e da celebração. A campanha “Para cada folião, uma árvore”, conduzida pela Ecoporé em parceria com o bloco Pirarucu do Madeira, encerrou seu ciclo com um plantio coletivo no Assentamento Nova Conquista. A ação transformou a festa popular em um movimento de restauração ambiental com impacto territorial concreto, alinhado às melhores condições climáticas para plantio na Amazônia.
O projeto aplicou critérios técnicos rigorosos, incluindo a seleção científica de mudas e o uso da técnica de muvuca — mistura estratégica de sementes que acelera a regeneração ecológica. Mais do que encerrar a temporada carnavalesca, o plantio simbolizou um modelo de conservação que integra cultura, ciência e participação social.
Comunidade no centro da restauração
A escolha da data do plantio reforçou um dos pilares da iniciativa: a escuta ativa da comunidade. Ao respeitar o tempo e o pedido dos moradores, a ação consolidou o sentimento de pertencimento. Esse elo entre conhecimento técnico e vivência local ganhou expressão simbólica com Maria Auxiliadora Lopes Pinheiro, de 81 anos, pioneira da região, que realizou o primeiro plantio.
O gesto representou a continuidade histórica da ocupação da terra e destacou que a restauração ambiental depende do reconhecimento das trajetórias humanas que moldam o território.
Memória, resiliência e cuidado coletivo
Para lideranças comunitárias, plantar árvores é também reconstruir histórias. Moradores lembram que a região foi formada após a enchente de 2014, quando famílias ribeirinhas precisaram recomeçar. O plantio, portanto, carrega dimensão simbólica de resistência e renovação.
Representantes de movimentos sociais destacaram o intercâmbio de saberes entre campo, floresta e comunidade, reforçando a visão de que meio ambiente e vida rural formam um sistema integrado.
Cultura como ferramenta ambiental
O envolvimento do bloco carnavalesco demonstrou que manifestações culturais podem ser vetores de conscientização ecológica. Ao converter a energia da folia em floresta viva, a campanha ampliou o alcance social da restauração e fortaleceu a economia local por meio da mobilização comunitária.
Parcerias e escala institucional
A iniciativa contou com apoio de órgãos públicos ambientais e agrícolas, ampliando a capacidade técnica e logística da ação. O ciclo de plantios também passou pelo Instituto Federal de Rondônia, consolidando a integração entre educação, território e sustentabilidade.
Conexão com política nacional
Ao concluir o plantio, o projeto se alinha às metas do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, que defende a restauração como motor de inclusão socioeconômica. A experiência demonstra que políticas públicas ganham força quando articuladas com protagonismo comunitário e base científica.

O resultado evidencia que restauração ambiental na Amazônia alcança escala e permanência quando técnica, cultura e dignidade caminham juntas, transformando celebração em floresta e engajamento em futuro.








































