O estudo acompanhou jovens entre 11 e 18 anos no sudoeste dos Estados Unidos e mostrou que o uso do celular ocorre de forma constante ao longo das aulas, não apenas nos intervalos.
Segundo os dados, os estudantes passam em média 2,22 horas do período escolar conectados ao telefone, o que representa quase um terço do tempo total na escola.
Checagem constante do celular
A pesquisa também identificou que os adolescentes verificam o aparelho cerca de 64 vezes durante o horário das aulas. Mais de 70% desse tempo é dedicado ao uso de redes sociais e aplicativos de entretenimento.
Os resultados mostram ainda diferenças entre as faixas etárias:
Estudantes de 15 a 18 anos passam cerca de 23 minutos por hora no celular
Jovens de 11 a 14 anos utilizam o aparelho por cerca de 11 minutos por hora
Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores é que nenhum dos participantes conseguiu ficar totalmente sem usar o celular durante o período escolar.
Impacto na atenção
Segundo os cientistas, o principal problema não é apenas o tempo total de uso, mas a frequência com que os estudantes interrompem atividades para checar o telefone.
Essas “checadinhas” constantes provocam o que especialistas chamam de fragmentação da atenção, dificultando que o aluno mantenha foco prolongado em tarefas de estudo.
Os testes realizados no estudo mostraram que alunos que verificam o celular com frequência apresentam maior dificuldade de controlar impulsos e de manter concentração em atividades acadêmicas.
Redes sociais competem com o estudo
Os pesquisadores destacam que aplicativos de redes sociais oferecem recompensas rápidas, como curtidas e notificações, o que compete com atividades que exigem mais esforço mental, como leitura, resolução de problemas e atenção às aulas.
Como o cérebro adolescente ainda está em desenvolvimento, essa disputa por estímulos pode dificultar o aprendizado e o desenvolvimento da autorregulação.
Debate sobre uso nas escolas
Diante desses resultados, especialistas defendem que as escolas adotem políticas para limitar o acesso a plataformas altamente estimulantes durante o período de aula.
No Brasil, uma lei sancionada em janeiro de 2025 proibiu o uso de celulares nas escolas durante aulas, recreios e intervalos. Após um período inicial de adaptação, diversas instituições passaram a relatar melhora na concentração dos alunos, redução de distrações e maior interação social entre estudantes.
Mesmo assim, pesquisadores alertam que apenas proibir o aparelho pode não ser suficiente. Eles defendem também programas de educação digital, que ensinem jovens a usar a tecnologia de forma mais equilibrada.










































