O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) apresentou um diagnóstico preocupante sobre o ensino de medicina no Brasil. De acordo com dados obtidos pelo Fantástico, questões de pediatria, ginecologia e saúde mental registraram os maiores índices de erro entre os quase 13 mil alunos reprovados na avaliação nacional.
O levantamento do Inep aponta que erros ocorreram em temas considerados de baixa dificuldade e essenciais para o atendimento básico. Um dos dados mais alarmantes revela que 66% dos estudantes erraram o manejo adequado da dengue em casos graves, enquanto 56% falharam ao identificar medicamentos básicos para a doença de Parkinson.
Estudantes entrevistados relatam que as deficiências no aprendizado são reflexos de problemas estruturais nas instituições de ensino. Entre as queixas estão a falta de professores especialistas, ausência de hospitais-escola e a superlotação em estágios práticos, o que compromete a segurança dos futuros pacientes e a qualidade do atendimento.
Diante do desempenho negativo, o Ministério da Educação anunciou medidas rigorosas para os cursos com piores notas. As sanções incluem a proibição de abertura de novas vagas e a redução das já existentes, além de processos administrativos para correções pedagógicas. O Conselho Federal de Medicina defende a criação de um exame obrigatório para o registro profissional.
A formação médica brasileira enfrenta um cenário de expansão acelerada que, segundo especialistas, nem sempre acompanha os critérios de qualidade necessários. O resultado do Enamed reforça o debate sobre a fiscalização das faculdades e a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura prática para garantir o domínio de protocolos que salvam vidas.










































