Diante de um cenário em que faculdades particulares de Rondônia obtiveram notas consideradas péssimas no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado na última segunda-feira (19), o campus José Ribeiro Filho da Universidade Federal de Rondônia (Unir), onde está localizada sua matriz, destacou-se com um “bom” desempenho no exame nacional.
O curso de Medicina da Unir, criado em 2001, alcançou a nota 4 no Enamed, o equivalente ao Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para a área de Medicina. Dos 23 acadêmicos que participaram do exame, 19 se destacaram ao atingir um nível de proficiência considerado adequado. Essa performance, com 82,6% dos participantes atingindo ou superando o nível de proficiência exigido, foi crucial para que o curso de Medicina da Unir conquistasse a nota 4, que o Enamed classifica como ‘Bom’. Essa avaliação positiva posiciona a Unir entre as 163 melhores universidades federais do Brasil.
Em Rondônia, os cursos das instituições privadas de Porto Velho, Cacoal e Vilhena alcançaram a nota 1 e 2 no Enade. Esses cursos se incluem no grupo dos 99 (32% do total) que obtiveram conceitos 1 e 2, considerados os mais baixos. Segundo o MEC, “menos de 60% de seus estudantes apresentaram desempenho adequado no Enamed. As instituições responsáveis por esses cursos passarão por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC”, explica.
O resultado do Enamed na Região Norte demonstra que ainda há muito a ser melhorado. Dos 30 cursos avaliados por aqui, entre públicos e privados, 14 (o equivalente a 47%) obtiveram conceito 1 ou 2. Esse conceito caracteriza os cursos em situação crítica, praticamente em “estado de UTI”. Na mesma região, apenas 3% dos cursos, representando apenas um, alcançaram conceito 5. O Enamed revela um contraste marcante na Região Norte: enquanto a região abriga um dos piores cursos de medicina do país, a Amazônia também se destaca por ter o único curso no Brasil a alcançar a nota máxima (média 5). Este curso de excelência é da Universidade Estadual do Pará (UEPA), campus de Marabá.
Entre os cursos de destaque, 114 alcançaram o conceito 4. Estes se inserem no seleto grupo considerado de alto padrão de qualidade no ensino médico. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aponta que as universidades públicas, tanto federais quanto estaduais, obtiveram as melhores pontuações. Para o ministro da Educação Camilo Santana, essa performance superior reflete o investimento do governo federal realizado durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Especificamente, 87,6% dos cursos federais alcançaram conceitos 4 ou 5, enquanto nas estaduais, o percentual foi de 84,7%.
Para Camilo, a excelência na formação médica é crucial para assegurar um atendimento de qualidade à população em hospitais, postos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Há uma forte preocupação nos Ministérios da Educação e da Saúde em garantir a qualidade dos cursos de medicina oferecidos no país, uma vez que esses profissionais lidam diretamente com a vida das pessoas”, disse o ministro.
O Ministério da Educação (MEC) informou que os resultados do Enamed podem ser utilizados em processos seletivos para programas de residência médica. O órgão também detalhou que os dados divulgados contemplam os 351 cursos de medicina que participaram do exame, sendo que 304 deles pertencem a instituições públicas federais ou privadas. Analise foi divulgada na segunda-feira (19) em parceria com o Ministério da Saúde (MS).






































