A denúncia de um suposto desvio de mais de R$ 13 milhões da área da saúde em São Francisco do Guaporé tem causado revolta e indignação entre os moradores do município. Em contato com a reportagem, cidadãos relataram profunda insatisfação com o que consideram falta de controle e possível omissão por parte do Poder Executivo Municipal diante da gravidade do caso.
Entre os principais questionamentos levantados pela população está a possibilidade de um único servidor conseguir desviar uma quantia tão expressiva sem que houvesse qualquer mecanismo de fiscalização capaz de identificar irregularidades ainda no início. “Foi falha de controle ou omissão do Executivo?”, indagou um morador. Outro questiona: “Como pode um servidor sozinho desviar uma quantia tão vultosa dessa? Cadê o controle do Executivo na receita e nas despesas do município?”.
Há também críticas diretas à responsabilidade do prefeito. “O prefeito tem responsabilidade, sim. Foi ele quem elegemos para administrar nossa cidade”, afirmou um cidadão, ressaltando que cabe ao chefe do Executivo acompanhar e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, especialmente em uma área tão sensível quanto a saúde.
Outro ponto que tem gerado desconfiança são as informações de o dinheiro teria sido destinado a jogos de azar online. “Esse negócio de ‘tigrinho’, de jogo de azar, parece coisa para não falarem onde foi parar o dinheiro. Na internet nem tudo pode ser rastreado”, declarou um morador, sugerindo que a justificativa não pode emperrar as investigações.
Diante da gravidade do caso, parte da população defende medidas mais enérgicas. “O Ministério Público tem que pedir o afastamento de todos os envolvidos até esclarecer o sumiço do dinheiro”, disse outro entrevistado. Há ainda quem defenda que a Câmara Municipal afaste temporariamente o prefeito e os secretários de Saúde e de Fazenda para garantir a lisura das investigações.
Moradores também demonstram estranheza quanto ao fato de que o próprio prefeito tenha realizado a denúncia pública. “É muito interessante o prefeito fazer a denúncia. Como explicar que ele não soube antes, sendo que o próprio suspeito disse que começou com um pequeno desvio ?”, questiona um cidadão, refletindo o sentimento de perplexidade que toma conta da cidade.
Diante da repercussão, a Câmara Municipal instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com prazo de 120 dias, para apurar os fatos, identificar responsabilidades e apresentar conclusões à sociedade. A expectativa é de que os trabalhos tragam respostas claras e transparentes à população.
A redação do jornal se coloca à disposição do chefe do Poder Executivo Municipal, dos secretários citados, da Câmara Municipal e das demais autoridades de São Francisco do Guaporé para manifestação e esclarecimentos, reafirmando o compromisso com a informação responsável e com o direito da população à verdade.







































