A proposta de criação de uma taxa mínima para entregadores pode provocar uma queda de até 67% nos pedidos de delivery, segundo pesquisa da empresa PiniOn, encomendada pelo iFood. O tema está em discussão na Câmara dos Deputados e levanta debate sobre impactos no preço final e no acesso ao serviço.
De acordo com o levantamento, o aumento de preços faria com que apenas 13,5% dos usuários mantivessem a frequência de pedidos, enquanto cerca de 15% abandonariam completamente o uso de aplicativos de entrega. O estudo indica que o custo elevado já é o principal fator de desistência, citado por 56,4% dos consumidores que deixam de concluir compras.
A pesquisa também aponta que 81,6% dos usuários seriam impactados com a nova regra, gerando uma possível retração no setor. O efeito deve ser mais forte entre consumidores da classe C, que podem reduzir ou até deixar de utilizar o serviço, tornando o delivery mais restrito a faixas de renda mais altas.
Outro ponto levantado pelo iFood é que o aumento no valor das entregas não garante maior renda aos entregadores. Segundo a empresa, a medida pode gerar ociosidade, redução de pedidos e até perda de oportunidades de trabalho, caso a demanda diminua significativamente.
Proposta em debate
O texto em discussão prevê uma taxa mínima de R$ 8,50 por entrega, enquanto o governo defende um modelo mais amplo, com R$ 10,00 fixos mais R$ 2,50 por quilômetro adicional. A proposta também inclui mudanças como o fim das entregas agrupadas e a criação de pontos de apoio pagos pelos aplicativos.
Por outro lado, as empresas de delivery defendem alternativas como remuneração mínima por hora trabalhada, além de contribuição social e seguro contra acidentes. As plataformas argumentam que atuam como empresas de tecnologia, e não de transporte, o que influencia no modelo de regulamentação.
A pesquisa foi realizada em fevereiro com mais de 1,5 mil usuários de aplicativos de entrega em todo o Brasil. O levantamento mostra ainda que 22,1% dos consumidores utilizam o serviço entre duas e três vezes por mês, reforçando a importância do setor no dia a dia da população.
Impacto no setor
A discussão sobre a taxa mínima evidencia um cenário de equilíbrio delicado entre valorização dos entregadores e acesso ao serviço. Enquanto o governo busca garantir melhores condições de trabalho, empresas alertam para o risco de encarecimento e queda na demanda, o que pode afetar toda a cadeia do delivery.
A expectativa é que o projeto avance para votação na Câmara até abril, embora ainda haja divergências entre governo e empresas, sem consenso sobre o modelo ideal de regulamentação.









































