O mercado de trabalho dos Estados Unidos registrou um recuo surpreendente em fevereiro, com o fechamento de 92 mil vagas de emprego, contrariando as expectativas de analistas que previam a abertura de 59 mil postos. De acordo com o relatório do Escritório de Estatísticas do Trabalho divulgado nesta sexta-feira, a taxa de desemprego subiu para 4,4%, aproximando-se do limite de 4,5% considerado preocupante por economistas. O resultado foi influenciado por uma greve de 31 mil profissionais de saúde da Kaiser Permanente e pelas condições climáticas adversas do inverno norte-americano.
Além dos fatores sazonais e trabalhistas, especialistas apontam que as políticas econômicas da administração de Donald Trump têm gerado instabilidade. O mercado de trabalho ainda tenta se estabilizar após as incertezas causadas pelas tarifas de importação — que, após serem derrubadas pela Suprema Corte, foram reaplicadas pelo governo em uma alíquota global de 15%. A política de restrição à imigração também é citada como um fator que reduziu a oferta de mão de obra, contribuindo para o atual desaquecimento.
No cenário macroeconômico, a escalada do conflito no Oriente Médio adiciona pressão inflacionária. Os ataques aéreos recentes entre EUA, Israel e Irã provocaram uma alta de mais de 20 centavos de dólar no galão da gasolina, o que deve manter o Federal Reserve (Fed) em estado de cautela. Com a inflação sob ameaça, a expectativa é que o Banco Central americano mantenha a taxa de juros inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% em sua próxima reunião de março.
Apesar da desaceleração, o nível de desemprego ainda é considerado baixo pelos padrões históricos, mas o cenário de guerra regional e tarifas comerciais mantém analistas em alerta. A combinação de menor criação de empregos e custos de energia em ascensão desenha um horizonte desafiador para a política monetária dos Estados Unidos no curto prazo.









































