A produção industrial brasileira iniciou 2026 com uma alta de 1,8% em janeiro, conforme dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgados hoje pelo IBGE. Embora o avanço seja considerado relevante e disseminado entre as grandes categorias econômicas, ele não foi suficiente para anular a retração de 0,8% acumulada no último quadrimestre do ano passado. O desempenho positivo foi favorecido, em parte, pela retomada da produção após o período de férias coletivas em dezembro.
Os setores de produtos químicos (6,2%) e de veículos automotores (6,3%) foram os principais motores desse crescimento. No segmento químico, o destaque ficou para a produção de fertilizantes e defensivos agrícolas, enquanto na indústria automotiva a fabricação de caminhões e autopeças liderou os ganhos. Por outro lado, o setor de máquinas e equipamentos registrou uma queda acentuada de 6,7%, influenciado pelas altas taxas de juros que encarecem o crédito para investimentos em bens de capital.
Na comparação anual, o crescimento foi de apenas 0,2% em relação a janeiro de 2025. Segundo o IBGE, esse resultado tímido reflete um calendário com menos dias úteis este ano e uma base de comparação elevada do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a indústria ainda sustenta um crescimento de 0,5%, mas os técnicos alertam para uma “trajetória descendente”, já que o ritmo de expansão vem perdendo intensidade desde o final de 2024.
O cenário para os próximos meses permanece cercado de incertezas. O IBGE aponta que tensões geopolíticas, especialmente o conflito no Oriente Médio, representam riscos para a indústria nacional devido a possíveis impactos nos preços do petróleo e na oferta global de matérias-primas. Eventuais gargalos logísticos ou encarecimento de insumos importados podem frear a recuperação do setor e pressionar a inflação interna.









































