O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), Marcelo Thomé, afirmou que o combate aos ilícitos ambientais na Amazônia passa pela expansão da economia formal e pela geração de oportunidades de trabalho na região.
A declaração foi feita durante o evento “Pós-COP30: O papel da indústria na agenda de clima”, realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O encontro reuniu representantes do setor produtivo e especialistas para discutir os resultados da COP30 e os próximos passos rumo à COP31.
Representando o setor industrial de Rondônia e da Amazônia, Thomé destacou que a agenda climática global precisa estar diretamente ligada ao desenvolvimento econômico local.
Durante sua participação, ele apresentou um dado que considera preocupante sobre a realidade social da região: dos cerca de 30 milhões de habitantes da Amazônia Legal, aproximadamente 44% estão inscritos no Cadastro Único, indicador que reúne famílias em situação de vulnerabilidade social.
Segundo o presidente da FIERO, esse número mostra que as políticas de desenvolvimento aplicadas historicamente na região não conseguiram gerar prosperidade suficiente para a população.
“Significa dizer que toda e qualquer política de desenvolvimento orientada para aquela região fracassou, porque quase metade da população depende de programas sociais para subsistir”, afirmou.
Economia como instrumento de conservação
Para mudar esse cenário, Thomé defendeu que a geração de negócios formais é uma das estratégias mais eficazes de conservação ambiental. De acordo com ele, regiões onde existem empresas atuando de forma regular apresentam menor incidência de crimes e atividades ilegais.
“A agenda de conservação da Amazônia e de enfrentamento ao desmatamento, aos ilícitos e à expansão do crime organizado na região é a expansão da atividade econômica”, afirmou.
Na avaliação do dirigente industrial, o consenso internacional sobre manter a floresta em pé não pode resultar em uma realidade de isolamento econômico, sem infraestrutura, investimentos ou geração de empregos para a população amazônica.
Indústria e economia de baixo carbono
O debate também destacou que o período pós-COP30 coloca a indústria brasileira em uma posição estratégica para liderar a transição para uma economia de baixo carbono.
Nesse contexto, Thomé apresentou iniciativas ligadas à Instituto Amazônia+21 e à Facility Investimentos Sustentáveis, plataforma de blended finance voltada à conexão entre recursos de governos, fundos internacionais e projetos sustentáveis desenvolvidos na Amazônia.
A iniciativa oferece assistência técnica para estruturar projetos e reduzir riscos relacionados a questões como regularização fundiária e viabilidade econômica, facilitando a atração de investimentos para a região.
Um dos dados discutidos durante o evento chamou atenção: 70% dos investimentos em inovação realizados na Amazônia nos últimos anos não geraram economia nem empregos.
Para Thomé, a solução está em direcionar recursos para projetos que realmente gerem desenvolvimento econômico, inovação e geração de valor local.
“O objetivo é reorientar o capital para projetos efetivos de desenvolvimento, garantindo inovação que gere valor e que, ao final, tenha nota fiscal sendo emitida”, concluiu.
O painel foi moderado por Davi Bomtempo e contou também com a participação do deputado Arnaldo Jardim, de Deryck Pantoja e de Maria Emília Peres.










































