O Governo Central, que engloba o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, iniciou o ano de 2026 com um superávit primário de 86,9 bilhões de reais em janeiro. O montante representa uma alta nominal frente aos 85,1 bilhões de reais registrados no mesmo período do ano passado. No entanto, quando descontada a inflação, o resultado apresenta uma redução real de 2,2%. Os dados foram detalhados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (25).
O desempenho superou as projeções das instituições financeiras, que previam um saldo positivo de 84,7 bilhões de reais, segundo a pesquisa Prisma Fiscal. O resultado foi impulsionado pelo superávit de 107,5 bilhões de reais do Tesouro e Banco Central, que compensou o déficit de 20,6 bilhões de reais da Previdência Social (RGPS). No acumulado de 12 meses, o governo registra um déficit de 62,7 bilhões de reais, o equivalente a 0,47% do PIB.
Fatores que impulsionaram a arrecadação
A receita líquida teve um crescimento real de 1,2%, totalizando um incremento de 3,3 bilhões de reais. Entre os destaques estão a arrecadação com o Imposto de Renda, que subiu 3,9 bilhões de reais, e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com alta de 49,3%. A receita previdenciária também cresceu 6,9%, refletindo o aquecimento do mercado de trabalho e a reoneração da folha de pagamento.
Por outro lado, houve quedas significativas em setores específicos. A exploração de recursos naturais recuou 27,4%, impactada pela baixa no preço do barril de petróleo e pela valorização do câmbio. O Imposto de Importação também registrou queda de 15,1%. Além disso, os repasses aos fundos de participação de estados e municípios aumentaram 7,8%, reduzindo a fatia líquida que permanece com a União.
Gastos públicos e metas fiscais
As despesas totais cresceram 2,9% em termos reais no mês de janeiro. O aumento de 4 bilhões de reais em benefícios previdenciários, causado pelo reajuste do salário-mínimo e maior número de beneficiários, foi um dos principais vilões do gasto. As despesas com pessoal também subiram 10,3%. Esses aumentos foram parcialmente contidos pela redução de gastos no programa Bolsa Família e na área da saúde.
Meta Fiscal 2026: Superávit central de 34,3 bilhões de reais.
Margem de Tolerância: O governo cumpre a meta se o resultado variar entre zero e 68,6 bilhões de reais.
Dívida Pública: O cálculo do superávit primário não inclui o pagamento de juros da dívida.
Para o restante do ano, o governo precisa equilibrar a manutenção da arrecadação recorde com o controle das despesas obrigatórias. O resultado de janeiro é considerado um fôlego importante para o cumprimento das regras do arcabouço fiscal, especialmente diante das oscilações do mercado externo que afetam as receitas de commodities e o câmbio.









































