O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira, 28, manter a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. A manutenção no maior nível desde 2006 gerou uma onda de críticas entre representantes do setor produtivo e centrais sindicais, que alertam para os riscos de estagnação da economia e queda no consumo das famílias.
A Confederação Nacional da Indústria classificou o patamar atual como insustentável. Segundo a entidade, a inflação fechou 2025 em 4,26%, dentro da meta, o que justificaria o início imediato de um ciclo de redução. Para a indústria, a taxa real de juros, que desconta a inflação, está em cerca de 10,5%, valor muito acima da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central.
O impacto também é sentido no mercado imobiliário e na geração de empregos. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção destacou que os juros altos encarecem o crédito para financiamento de imóveis e dificultam novos investimentos. Já as centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, pontuaram que a medida favorece a especulação financeira enquanto penaliza o setor que produz e emprega.
Do lado técnico, o Banco Central justifica a cautela devido a incertezas fiscais e riscos no cenário externo. Apesar da pressão de empresários e trabalhadores, a autoridade monetária mantém o foco na convergência da inflação para a meta de 3%. O mercado agora aguarda a ata da reunião para entender se há sinalização de cortes nas próximas reuniões deste ano.










































