O consumo de café no Brasil registrou uma queda de 2,31% no último ano, totalizando 21,4 milhões de sacas. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), mostram que o brasileiro reduziu a compra do grão devido à escalada nos preços, que subiram 5,8% no varejo em 2025.
Segundo a entidade, o cenário é reflexo de problemas climáticos e estoques baixos que se acumulam desde 2021. Nos últimos cinco anos, o custo da matéria-prima disparou, com altas superiores a 200% para as variedades conilon e arábica, forçando o repasse parcial dos custos para o consumidor final.
Resiliência do mercado e faturamento recorde
Mesmo com a redução no volume, o Brasil se mantém como o segundo maior consumidor mundial de café, atrás apenas dos Estados Unidos. O faturamento do setor deu um salto de 25,6%, somando R$ 46,24 bilhões em 2025, resultado direto do valor mais elevado pago por cada pacote de café nos supermercados.
O presidente da Abic, Pavel Cardoso, avalia o resultado como positivo diante da crise de oferta global. Ele destaca que a bebida é extremamente resiliente no país, com um consumo per capita que supera o norte-americano, atingindo a média de 1,4 mil xícaras por brasileiro ao ano.
Perspectivas para 2026 e o efeito do tarifaço
Para 2026, a Abic projeta estabilidade, mas sem quedas bruscas nos preços a curto prazo. A expectativa é que o mercado precise de pelo menos duas safras volumosas para recompor os estoques globais e permitir um alívio maior no bolso do consumidor, que deve contar com promoções do varejo nesse intervalo.
No cenário internacional, o setor ainda negocia a revisão de tarifas impostas pelos Estados Unidos, que mantém taxas sobre o café solúvel brasileiro. Por outro lado, o acordo entre Mercosul e União Europeia é visto como uma oportunidade estratégica para expandir as exportações do Brasil, que já responde por 40% da produção mundial.










































