O faturamento real da indústria de transformação registrou crescimento de 1,2% em novembro de 2025, mas o resultado não foi suficiente para frear as demissões no setor. Segundo os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira, o emprego industrial caiu 0,2%, acumulando a terceira retração consecutiva.
Desde setembro, o recuo no número de postos de trabalho soma 0,6%. A CNI avalia que esse movimento reflete o impacto tardio do aperto monetário na economia. Como a demissão e a recontratação de mão de obra qualificada geram custos elevados, as indústrias demoraram a reduzir quadros, mas a persistência da taxa Selic elevada tornou o ajuste inevitável.
A utilização da capacidade instalada também sinaliza o enfraquecimento do setor, recuando para 77,5% em novembro. O índice está 2,4 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período de 2024. Embora o faturamento tenha subido no mês, o acumulado de 2025 mostra uma expansão tímida de apenas 0,3%, confirmando a perda de fôlego da atividade.
No campo dos salários, houve um alívio pontual em novembro, com a massa salarial real subindo 1,5% e o rendimento médio avançando 1,6%. No entanto, o cenário anual permanece negativo, com quedas de 2,3% e 4%, respectivamente. O aumento da renda no mês é visto como uma recuperação após quatro quedas seguidas, mas não reverte a tendência de perdas para o trabalhador industrial.
A expectativa da CNI é de que a indústria continue apresentando baixo dinamismo enquanto o ambiente econômico for marcado por crédito caro. O setor, que viveu um auge entre 2023 e 2024, agora ajusta sua estrutura à menor demanda e aos custos de financiamento que limitam novos investimentos produtivos.










































