A Dívida Pública Federal (DPF) do Brasil ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 7,9 trilhões, impulsionada principalmente pela apropriação de juros. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Tesouro Nacional, a dívida total subiu 0,71%, passando de R$ 7,883 trilhões em junho para R$ 7,939 trilhões em julho. Apesar da alta, o valor permanece abaixo da estimativa do Plano Anual de Financiamento, que prevê o estoque entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões para o fim de 2025.
A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) foi de R$ 7,581 trilhões para R$ 7,631 trilhões no mês passado, um aumento de 0,66%. O principal fator para a alta foi a apropriação de juros, que incorporou R$ 80,94 bilhões ao estoque. Já a dívida externa (DPFe) subiu 1,96%, alcançando R$ 308,05 bilhões, influenciada principalmente pela alta do dólar no período.
Composição e detentores da dívida
Em julho, a composição da dívida sofreu algumas mudanças. Os títulos vinculados à Taxa Selic e à inflação aumentaram sua participação, chegando a 49,25% e 26,72% do total, respectivamente. Já os papéis prefixados caíram para 20,16%. Segundo o Tesouro, a busca por títulos atrelados à Selic se deve ao aumento dos juros básicos da economia.
A reserva financeira do governo, conhecida como “colchão da dívida”, diminuiu para R$ 988 bilhões em julho, cobrindo 7,75 meses de vencimentos da dívida pública. O prazo médio da dívida subiu para 4,16 anos, o que indica maior confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar seus compromissos.
A composição dos detentores da dívida interna também variou. As instituições financeiras continuam com a maior parte (31,26%), seguidas por fundos de pensão (23,49%) e fundos de investimentos (21,73%). A participação de investidores estrangeiros, os não residentes, subiu para 9,86% do total.