O tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entra em vigor em 6 de agosto de 2025. O decreto foi assinado em 30 de julho e estabelece uma tarifa adicional de 40% sobre o imposto já existente. A medida, porém, isenta uma longa lista de quase 700 itens, como suco de laranja, combustíveis e aeronaves civis.
Segundo a Casa Branca, a decisão é uma resposta a ações do governo brasileiro que representariam uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional” dos EUA. O comunicado oficial cita “perseguição política, intimidação e censura” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.
Acusações Contra o Brasil e o STF
A Casa Branca acusa o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de abusar de sua autoridade para “ameaçar, perseguir e intimidar” opositores políticos e “proteger aliados corruptos”. O comunicado afirma que Moraes impôs multas a empresas americanas, ameaçou executivos e ordenou a exclusão de plataformas do mercado brasileiro.
Como retaliação, o governo Trump revogou os vistos americanos de ministros do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Na lista estão Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flavio Dino, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux não foram incluídos nas sanções.
Impactos Econômicos e Negociações
Um estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) estima que a tarifa pode reduzir o PIB brasileiro em até R$ 110 bilhões a longo prazo. Os setores mais atingidos seriam siderurgia, produtos de madeira, calçados, máquinas e, na agropecuária, a pecuária, especialmente a carne bovina. Cerca de 55% das exportações brasileiras para os EUA, totalizando aproximadamente US$ 22 bilhões, serão sujeitas à nova taxação.
As negociações entre Brasil e EUA seguem travadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil está disposto a negociar, mas vê pouco espaço para um recuo americano. Ele também anunciou que o governo está finalizando um plano de contingência para ajudar as empresas brasileiras afetadas pela medida.