A literatura tem o poder de atravessar territórios, encurtar distâncias e construir pontes simbólicas entre povos, culturas e histórias. Nesse contexto, a entrega de obras literárias das escritoras da AJEB Rondônia (Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – Coordenadoria Rondônia) ao governador da Paraíba, João Azevêdo, e à primeira-dama Ana Lins, marca um momento significativo de diálogo cultural entre os dois estados.
O encontro literário reafirma laços históricos consolidados a partir da migração de paraibanos e outros nordestinos para Porto Velho, processo que contribuiu diretamente para a educação e para a formação social e cultural da capital rondoniense. A presença nordestina na Amazônia se revela na linguagem, na música, na gastronomia, na religiosidade e, de forma expressiva, na literatura, evidenciando um intercâmbio cultural permanente.
Entre as obras entregues, destaca-se a coletânea “Porto Velho em Poesia”, publicada pela Editora Temática e organizada por Izabel Cristina da Silva, Luciana Barbieri e Rosângela Arend. A obra reúne poemas que homenageiam o viver amazônico, exaltando a gastronomia, os pontos turísticos e a diversidade cultural de Porto Velho, capital que se projeta como importante centro cultural no coração do Brasil. A entrega oficial simboliza o reconhecimento da Amazônia como espaço de produção literária, memória e identidade.
Na mesma ocasião, foi apresentada a antologia “Sertons – Os Tons do Nordeste”, da Editora Invitro, organizada por Marilene Veloso, do Maranhão, e por Izabel Cristina da Silva, paraibana radicada em Rondônia. A obra destaca os nove estados do Nordeste, com atenção especial à Paraíba, representada por cinco municípios: Aroeiras, Campina Grande, Cabedelo, Esperança, Fagundes e João Pessoa.
Natural de Fagundes, Izabel Cristina da Silva ressalta a importância de promover os rincões paraibanos, especialmente a Pedra de Santo Antônio, como forma de registrar a identidade, a memória e a fé do povo fagundense, preservando raízes culturais e fortalecendo o sentimento de pertencimento.
Luciana Barbieri, por sua vez, aborda em sua escrita a Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, considerada a menor do mundo, localizada no município de Esperança. Para a autora, o local ultrapassa o valor arquitetônico e literário, tornando-se símbolo de resistência espiritual. Com mais de um século de existência, a capela permanece como referência mundial e expressão da fé e da esperança que sustentam o povo nordestino.
Ao promover esse intercâmbio, a literatura reafirma seu papel essencial de unir geografias, narrar histórias compartilhadas e fortalecer conexões culturais. Rondônia e Paraíba se consolidam, assim, como territórios que dialogam, se reconhecem e se reinventam por meio da palavra escrita.
Para Renata Dal-Bó, presidente da AJEB Nacional, a iniciativa reforça o objetivo da entidade de incentivar a escrita feminina em todas as regiões do país, inspirando futuras gerações e promovendo a literatura brasileira.










































