O Brasil chega a 2026 com um cenário cultural que se reflete no que se ouve nos fones de ouvido, no que se comenta nas redes sociais, nas séries recomendadas e na forma como falamos sobre identidade sem tantos rodeios.
Nesse movimento, há referências trans que estão a levar a conversa para lugares mais honestos, com obras que entretêm, emocionam e, de passagem, ampliam o quadro do que imaginamos ser possível.
Cultura pop e narrativas que conectam
Às vezes, a mudança cultural começa por algo tão simples como encontrar espaços onde se pode cuidar de si e conversar com calma. Vivuna encaixa nessa lógica de acompanhamento e bem-estar que também atravessa a cultura, porque quando uma sociedade ouve melhor, a criatividade respira. Por isso faz sentido trazê-la no meio de nomes próprios que estão a abrir caminho com o seu trabalho e a sua presença pública.
Se pensarmos em artistas que souberam transformar a experiência em linguagem, Linn da Quebrada surge imediatamente. A sua música e a sua interpretação têm ousadia, humor e ternura em partes iguais. Basta vê-la em cena ou acompanhar as suas letras para perceber que há um ponto de vista claro, que se sustenta e que incomoda quando tem de incomodar.
E depois há Liniker, que construiu uma carreira com base na voz, na sensibilidade e no ofício. As suas canções convidam-nos a permanecer um pouco no que sentimos, sem sublinhados, com uma elegância que não depende da pose; num momento em que tudo vai rápido, essa forma de narrar com calma tem um valor especial.
Ecrãs, moda e conversa pública
Essa mesma viragem para narrativas mais complexas também se vê no audiovisual. Bruna Linzmeyer demonstrou que é possível ocupar um lugar relevante na indústria sem reduzir a identidade a um rótulo. Ela escolhe projetos, compõe personagens, trabalha com seriedade e, ao mesmo tempo, a sua visibilidade ajuda a que o trans apareça no ecrã com mais naturalidade, como parte da paisagem real do Brasil.
Paralelamente, a moda e a imagem pública estão a passar por sua própria transformação. Ao mencionar isso, falamos de campanhas, editoriais, tapetes vermelhos e, acima de tudo, de referências que colocam o corpo e o estilo a serviço da ideia de que há muitas formas de ser.
Neste ponto, convém abordar um tema que aparece cada vez mais nas conversas sobre bem-estar, e fazê-lo sem dramatismos: terapia hormonal não binária. Em termos simples, refere-se a processos hormonais pensados para identidades não binárias que procuram acompanhar a pessoa conforme as suas necessidades. Que se fale sobre isso com mais informação e menos ruído é outro sinal de maturidade cultural: a saúde e a autonomia também fazem parte do debate público.
Se há algo que une Linn da Quebrada, Liniker e Bruna Linzmeyer é que o seu impacto não depende de discursos grandiloquentes, mas de trajetórias consistentes e trabalho bem feito. As suas carreiras ajudam a cultura brasileira a ver-se a si mesma com mais nuances, e isso sempre se nota no que consumimos, no que comentamos e na forma como olhamos para aqueles que temos à nossa frente.









































