Na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), na Amazônia Ocidental, a mostra de arqueologia permanente na Reserva Técnica dos Acervos Arqueológicos do Departamento de Arqueologia (Darq) apresenta o passado e a contemporaneidade de nossas ancestralidades. “O interessante deste lugar é que, estando aqui, você, principalmente o verdadeiro rondoniense, como eu, se confronta com a nossa origem”, declara o estudante Juciel Karitiana.
Apesar de a história revelar a migração de pessoas de outros cantos do Brasil, Rondônia possui uma identidade única, que pode ser chamada de raiz. Essa história não só existe, como está devidamente exposta e catalogada em um prédio amplo e moderno nas instalações do campus da UNIR, localizado na BR-364, KM 9,5, setor rural de Porto Velho, Rondônia.
Arqueologia e diversidades: 10 mil anos de história no Rio Madeira
Por meio de um trabalho conjunto, arqueólogos descobriram que a existência dos povos ancestrais da região está diretamente ligada ao histórico Rio Madeira. “Recebo aqui uma galera que gosta de saber da nossa história ou de tudo o que se passou há séculos. Tudo isso é muito gratificante e nos faz responsáveis por repassar corretamente esse conhecimento. Sou muito orgulhoso de fazer parte deste lugar”, enfatiza o estudante do último período de Arqueologia, Ander Fábio.
Em 2025, a Reserva Técnica Arqueológica, pertencente ao curso de Arqueologia da UNIR, completará dois anos de existência. Trata-se de um dos setores da universidade mais visitados por discentes, alunos de escolas de diversos cantos de Porto Velho e do Estado, além de pesquisadores e visitantes de outras partes do país.
O acervo da unidade já supera 800 mil artefatos arqueológicos sob a guarda da Reserva Técnica. São peças inteiras e fragmentos encontrados em escavações realizadas por pesquisadores da UNIR entre 2009 e 2013, durante os estudos arqueológicos vinculados à construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau.
Investimento após a aprovação de projeto
Diante da relevância desse acervo histórico, investimentos em infraestrutura são fundamentais para garantir a preservação e segurança do material. Neste mês de fevereiro, uma grande conquista movimentou a comunidade acadêmica da UNIR: o projeto intitulado “Requalificação do Processo de Gestão e Preservação dos Acervos Arqueológicos” foi selecionado para receber recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
O financiamento, no valor de R$ 1.672.093,38, será utilizado para modernizar a infraestrutura do Departamento de Arqueologia da UNIR, garantindo a preservação física, social e informacional dos acervos arqueológicos da instituição. A notícia foi divulgada por meio de nota oficial da Reserva Técnica do Departamento de Arqueologia (RTDARQ) em seu perfil no Instagram.
O projeto foi um dos 209 aprovados, dentre os 470 pedidos de financiamento inscritos no edital MCTI/Finep/FNDCT/Identidade Brasil, na categoria de acervo científico e cultural. A proposta é coordenada pela professora Dra. Daiane Pereira e conta com a participação dos pesquisadores Silvana Zuse, Carlos Augusto Zimpel, Eduardo Bespalez, Elizangela de Oliveira, Gilcimar Costa Barbosa e Valéria Cristina Ferreira Silva.
Os recursos serão aplicados em setores essenciais das instalações, com destaque para:
? Implementação de um sistema de combate a incêndios na Reserva Técnica;
? Aquisição de mobiliário especializado para armazenar acervos de grande porte;
? Aquisição de equipamentos para salvaguarda e documentação de acervos tridimensionais e bidimensionais.
Os responsáveis pelo setor explicam que a iniciativa “garantirá maior segurança e preservação do patrimônio arqueológico amazônico”. Além disso, afirmam que “o fomento financeiro contribuirá para as ações contínuas de pesquisa, ensino e divulgação realizadas pela equipe da Reserva Técnica do Departamento de Arqueologia da UNIR”.