O juiz Lucas Flores, do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), foi o convidado do programa Única Talks, onde falou sobre sua trajetória no Judiciário, os desafios da justiça brasileira e o papel da conciliação na solução de conflitos.
Durante a entrevista, o magistrado destacou a importância de promover uma cultura de diálogo e pacificação social por meio dos centros de conciliação do Judiciário, conhecidos como CEJUSCs (Centros Judiciários de Solução de Conflitos).
Segundo ele, a conciliação permite que as próprias partes envolvidas em um conflito participem da construção da solução, o que muitas vezes resolve não apenas o processo judicial, mas também o problema pessoal entre os envolvidos.
“O processo pode até ser resolvido com uma decisão judicial, mas o problema entre as pessoas pode continuar. A conciliação busca justamente pacificar essa situação”, explicou.
Lucas Flores também ressaltou que o Brasil enfrenta um grande volume de processos judiciais. Dados apresentados durante a entrevista mostram que, enquanto o número de magistrados cresceu cerca de 16% nos últimos anos, a quantidade de novos processos aumentou mais de 50%, o que gera uma carga significativa para o sistema judiciário.
Apesar disso, o magistrado destacou a eficiência do Judiciário brasileiro e, especialmente, do Tribunal de Justiça de Rondônia, que tem recebido reconhecimento nacional pela produtividade e qualidade no atendimento à população.
Outro ponto abordado foi o acesso da população à justiça. O juiz explicou que hoje existem diferentes formas de buscar atendimento, inclusive de maneira virtual, por meio do site do tribunal ou pelo chamado CEJUSCs Virtual, além dos atendimentos presenciais nos fóruns e nas ações da Justiça Rápida Itinerante, que leva serviços do Judiciário a diferentes localidades do estado.
Durante o programa, Lucas Flores também compartilhou sua trajetória profissional, que começou ainda jovem, aos 16 anos, quando ingressou no Judiciário como office boy no interior do Paraná. Ao longo dos anos, passou por diferentes funções dentro do sistema judicial, incluindo conciliador, servidor e oficial de justiça, até chegar ao cargo de magistrado.
Para ele, essa experiência prática foi fundamental para compreender o funcionamento da justiça em diferentes níveis e desenvolver uma visão mais humana sobre os conflitos levados ao Judiciário.
“O juiz precisa ser uma ponte para resolver problemas e promover uma cultura de paz”, afirmou.
Ao final da entrevista, o magistrado destacou que a educação é o principal caminho para reduzir a cultura do litígio no país. Segundo ele, quanto mais as pessoas compreendem seus direitos e aprendem a dialogar, maiores são as chances de resolver conflitos sem a necessidade de processos longos e desgastantes.
A participação de Lucas Flores no Única Talks trouxe reflexões importantes sobre justiça, cidadania e a importância de mecanismos de diálogo para fortalecer a convivência social.






































