A missão de escoar a produção rural em Porto Velho depende de uma rede de apoio que começa no campo e termina nas estradas da região. Um dos responsáveis por garantir que o trabalho dos agricultores chegue ao destino certo é o motorista Gildázio de Souza Hermogenes, de 65 anos.
Logo nas primeiras horas da manhã, ele assume o volante de um caminhão caçamba da Prefeitura de Porto Velho para iniciar mais uma viagem. No relatório do dia, a quilometragem inicial marca 5.300 km. O destino é a Linha Primeiro de Maio, onde cerca de 3 toneladas de milho, distribuídas em 120 sacos de 28 kg cada, aguardam transporte.
A atividade faz parte do Programa Transporte da Produção Rural, desenvolvido pela prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Agricultura de Porto Velho (Semagric). A iniciativa garante que agricultores familiares consigam levar seus produtos até pontos de venda e comercialização.
Com quase 20 anos de experiência nas estradas, Gildázio se tornou uma figura conhecida entre os produtores da região. Antes de trabalhar no transporte rural, ele atuava no sistema prisional, mas encontrou na atividade atual uma nova vocação.
“É um trabalho gratificante para mim. Faço isso com todo carinho e muito prazer, não faço só por fazer”, afirma o motorista, que continua na profissão mesmo após enfrentar um infarto e passar por uma cirurgia para retirada de uma veia.
O esforço de anos nas estradas também trouxe conquistas pessoais. Segundo ele, o trabalho ajudou a realizar o sonho de comprar um apartamento para a filha mais velha, garantindo mais segurança para a família.
Apesar da experiência, os desafios são constantes. Durante o inverno amazônico, os ramais sem cascalho se transformam em trechos de lama, onde caminhões frequentemente acabam atolando.
Gildázio lembra de situações difíceis enfrentadas em anos anteriores, como no trecho conhecido como Rio do Contra, onde carretas ficavam atravessadas nas ladeiras. Nessas situações, era preciso retornar e buscar desvios que podiam aumentar a viagem em até 60 quilômetros.
Mesmo diante das dificuldades, a rotina segue intensa. Somente nos dois primeiros meses de 2026, o motorista já realizou mais de 25 viagens, transportando produtos como milho, mandioca e melancia produzidos por agricultores da região.
O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, destaca que o transporte da produção é essencial para fortalecer a agricultura familiar.
Segundo ele, garantir que o apoio do poder público chegue diretamente às propriedades rurais é uma estratégia para impulsionar a economia local.
“Nossa gestão entende que o produtor rural é a mola propulsora da nossa economia. Investir na logística e no transporte da produção é garantir que o alimento chegue à mesa e o lucro fique com quem trabalha a terra”, afirmou.
Para Gildázio, cada viagem representa mais do que quilômetros rodados. É a continuação de uma história construída nas estradas e no contato diário com os produtores.
Antes de seguir para mais um carregamento, ele resume a satisfação com a profissão: “Para mim, todas as partes do meu trabalho são boas. É a minha profissão e eu a escolhi”.









































