A prática mais antiga que a humanidade tem usufruído e aí mesmo tempo desprestigiado ao longo dos séculos. Se existe uma profissão que transcendem o tempo, essa profissão é PROFESSOR.
Ao ouvir a opinião pública a respeito dessa nobre profissão, exceto limitando os adjetivos de que todo professor seja ele da área da humana ou não, carregam em sua bagagem a genética de ser radical ou contrário ao sistema.
A maior parte da população respeita e admira a profissão de professor. A tarefa de ser professor não é dado a qualquer pessoa que queira se arriscar nessa jornada de trabalho excessiva: aulas, planejamentos, projetos, reuniões, estudantes, famílias…..Uff!!
Parabenizar o professor nesse dia 15 de outubro, é dizer-lhe, muito obrigado por compartilhar seus conhecimentos conosco. Muitos reconhecem que educação é fundamental, mas poucos a tem como prioridade.
Nesse dia que comemoramos o dia do professor, um simples PARABÉNS não enche barriga, uma dimensão do reconhecimento ao papel central de ser EDUCADOR precisa ser traduzido em valorização profissional, em outras palavras, ter mais alimento na mesa e desfrutar, ainda que vida de uma saúde mental perfeita.
Confesso que precisamos avançar e muito. Institutos de pesquisas apontam o ranking das profissões com maior remuneração no mercado. A FGV fez uma pesquisa em 2023 e aponta que das 126 profissões pesquisadas, com ensino superior, a profissão de professor fica entre as dez piores em termo de remuneração. Com salários de 2.285 para aqueles professores de diversas áreas do ensino fundamental.
Muitos não se espantam com a tal remuneração, pois ainda persiste a ideia de que ensinar é missão, sacerdócio, e de que ser professor tem que receber o chamado. A construção de ser professor acontece quando o estudante ainda está frequentando o banco escolar, quando sua admiração por um ou outro professor, vai moldando seu caráter.
Alguns descobre que ser professor, é o elo que liga o cidadão da sociedade.
Ninguém educa por amor. Se educa por profissão e pelo salário, ou talvez por falta de opção em outra área. Educar é papel para um SUPER PROFISSIONAL que consegue mostrar aos seus alunos o caminho a ser seguido, a trajetória a ser caminhada.
Ser professor é viver uma constante busca pelo saber. Uma transformação que acontece em seu intelecto.
Professor é a profissão desejada por 98% da sociedade. Sabe por que? Não pelo salário, mas pelos conhecimentos que são adquiridos ao longo da trajetória acadêmica.
A pessoa ficou 4 anos no banco de uma universidade aprendendo teorias e práticas da profissão. Depois passou 1 ano se especializando em uma área específica. Com sede de conhecimento, resolveu fazer por 2 anos o mestrado e para fechar o ciclo intelectual, foi para o doutorado por 4 anos, saindo dali um exímio pesquisador e autor de vários artigos científicos, livros, dando palestras etc.
Uma transformação que não tem volta. Como tenho dito: “na graduação você aprende a ouvir, no mestrado você aprende a escrever e no doutorado você aprende a pensar”.
Por isso que, ministrar boas aulas exige formação específica e aprofundamento do assunto, bem como o conhecimento didático de ensino, a psicologia da infância e juventude, a sociologia e a filosofia da educação, assim como a legislação educacional. Tudo com a especificidade do público que você irá lecionar.
Sem contar a crescente carga de responsabilidade que a sociedade deposita nas costa do professor.
Como disse Freire: “a família educa, a escola abre as portas para o conhecimento ”.
Mesmo trazendo provas para corrigir em casa, comprometendo seu final de semana, preparando seu planejamento semanal, criando projetos para serem executados, o professor é único nesse quesito e seu salário continua o mesmo.
Por quê os bons alunos não quem seguir a carreira de professor?
O salário não é atrativos para esses estudantes. Muitos migram para outras áreas, evitando assim a fadiga e o descrédito da profissão.
Durante a escolarização, esses estudantes fantasiam a profissão de docente como opção de carreira. Ao crescerem, sua mente ganha outro direcionamento ou são aconselhados a desistir pelos próprios professores, por conta de um histórico que está longe de ser resolvido.
Confesso que o salário da profissão já foi bem pior. A lei do piso salarial que completou 15 anos em 2023, conseguiu de alguma forma reduzir a distância entre o rendimento dos professores da educação básica em vista de outras profissões.
Alguns municípios brasileiro conseguiram dar o piso, a grande maioria não. Algo como 4 em cada 10 estados e municípios ainda não estão pagando o piso salarial aos professores.
Se um professor quiser ganhar um salário decente, tem que trabalhar os três turnos. Por outro lado, gera problema como falta de planejamentos em suas aulas e correção de provas. Adquire a síndrome de burnout e outros transtornos mentais. Muitos professores passam a fazerem usos de medicamentos excessivos como Diazepam, Rivotril, cardenal e…….
O sistema educacional brasileiro tem registrado nos último 10 anos, um aumento de carências e desigualdades.
Precisamos construir uma mentalidade de que é necessário investir e construir uma projeção educacional sem data de validade. Um compromisso social sem precedentes. A educação em seu escopo é contínua.
Uma visão futurísticas que esteja ao alcance dos nossos estudantes, seja ele da rede urbana ou rural, pública ou privado, quilombolas, indígenas, campesinos e tantos outros seguimentos.
Em vez de distribuir MAÇÃS no dia do professor, distribua compensação salarial, formação continuada e desejo de uma educação melhor. Escolas com melhores estruturas físicas e materiais didáticos para serem trabalhados. Distribua tecnologia que possa contemplar o estudante e professor. Abrir parceria com as gigantes da área da informática é o caminho a ser tomado.
Desta forma, podemos sonhar uma educação sem fronteiras físicas e virtuais, construir uma sociedade em que a distância do conhecimento é parte do processo e suas qualidade estará ao alcance de todos.