Em meio a seca dos rios, mortes de centenas de botos, desmatamento e queimadas, o Amazonas mostrou para os estados da Amazônia Legal, a receita perfeita de uma catástrofe anunciada. Desde setembro, os holofotes das grandes mídias, disputam ângulos que podem chocar o público sedento por fatos que geram audiência, nas televisões e likes na internet.
Mas, nem sempre situações trágicas conseguem despertar a atenção dos receptores de notícias. É o caso do que ocorreu esta semana, em Anamã, no Amazonas onde o prefeito Franscisco Nunes Bastos (PSC-AM), mandou derrubar uma árvore de Samaúma, (Ceiba pentandra). A espécie, se não sofrer algum tipo de ação humana pode chegar aos mil anos.
O titular da pasta alegou que o motivo do corte foi que a árvore estaria atraindo raios, e isso poderia colocar em risco os quase 14 mil habitantes. Anamã, fica localizada às margens do rio Paraná Arara, um afluente do rio Amazonas e distante 162 km da capital Manaus.
No dia do corte, a notícia se espalhou pela cidade. Os moradores deixaram suas casas para assistir o trágico evento, justamente no estado que padece diante dos crimes ambientais, associados ao fenômeno El Niño e o aquecimento global. A Sumaúma, apontada como a ‘deusa da floresta’ é a maior árvore da flora brasileira.
De acordo com o estudo Sumaúma (Ceiba pentandra (L.) Gaerth), realizado pelos pesquisadores da Embrapa do Amazonas, Cintia Rodrigues de Souza, Roberval Monteiro Bezerra de Lima, Celso Paulo de Azevedo e Luiz Marcelo Brum Rossi, na fase adulta, a samaúma pode atingir um porte de até 50 metros de altura.
Ainda com base no estudo, “a espécie ocorre em toda a Bacia Amazônica, até o Rio Acre, nas florestas inundadas de várzea dos rios de água branca e, também, na terra firme, em locais com solos argilosos e férteis, porém com menores dimensões. A espécie é encontrada também nas Filipinas, Tailândia, África equatorial, Índia e nas Américas Central e do Sul”.
Os estudiosos, apontam no artigo, a lista das espécies classificadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com risco de extinção. Curiosamente, a Sumaúma, espécie mais ameaçada no Amazonas, não foi incluída ao relatório.
Em setembro, o corte de uma única árvore em um solitário gramado na Inglaterra trouxe revolta ao mundo. Os brasileiros, tumultuaram as redes sociais, mostrando indignação com o fato, justamente no país onde milhares de hectares de florestas são derrubados a cada instante na Amazônia. A Sumaúma de Inamã pensou que sua derrubada, ou melhor seu assassinato pudesse causar a mesma comoção. Infelizmente, nada disso ocorreu. A mídia nacional se quer deu importância para o crime ambiental.

Quanto ao prefeito, o chefe do Executivo foi duramente criticado por alguns ambientalistas. “Ele preferiu mandar derrubar a árvore a ter que investir em um sistema de para-raios. Isso demonstra a natureza de uma gente que reclama do calor, mas tem a capacidade de extinguir aquilo que lhe concede sombra”, lamentou o ativista da ACLAPV, Emerson Afonso.