Terça-Feira, 05 de Novembro de 2019 - 11:20 (MINHA HISTÓRIA)

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PAIS DE MENINO AUTISTA FUNDAM INSTITUTO PARA AJUDAR CRIANÇAS E JOVENS COM ATRASO NO DESENVOLVIMENTO

Por meio do projeto, hoje o casal Diogo e Michelli Freitas roda o Brasil para ajudar a disseminar informação e direitos para milhares de famílias de pacientes com autismo; fundadores foram buscar terapias nos Estados Unidos


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Até receberem o diagnóstico de autismo do filho mais velho, Michelli e Diogo Freitas pouco conheciam sobre esse universo. Hoje, o casal lidera um dos mais importantes institutos sobre educação e análise do comportamento para crianças e jovens com atraso no desenvolvimento do país - o IEAC.

Para o casal, o desenvolvimento do filho - na época com um pouco mais de 2 anos - estava de acordo com a faixa etária, até perceberem sinais de atraso na comunicação do menino. A preocupação com a fala fez com os pais não notassem outros sinais do transtorno já presentes no filho, como estereotipias e temperamento forte, por exemplo.

Foi então, em maio de 2014, após idas a diversos especialistas, que o diagnóstico de autismo chegou para a família. Segundo a mãe Michelli Freitas, a informação foi passada à época por um neuropediatra que não soube dar o diagnóstico de forma humana. Os pais de primeira viagem saíram da consulta repletos de dúvidas e preocupações.

A partir daquele dia, e mesmo grávida do segundo filho, Michelli foi em busca de mais informações sobre o autismo. “Ela era bacharel em Direito e comerciante no negócio dos pais, mas começou a estudar sobre o autismo e as formas de intervenção, vindo a conhecer a Análise do Comportamento Aplicada (ABA)”, conta o pai Diogo.

Michelli se encantou pela ciência ABA, que estuda o comportamento humano por meio de vários princípios e fundamentos, e resolveu ir além. Em 2015, iniciou sua formação na área com cursos de pós-graduação em ABA, Psicopedagogia e Ensino Estruturado, bem como posteriormente foi admitida no programa de mestrado em Ciências do Comportamento na UnB em Brasília. Após concluir  o curso, a profissional passou a atender crianças com atraso no desenvolvimento a domicílio e em seu consultório. Um ano depois, junto com o esposo, Michelli lançou a página “Pedagogia Estruturada”, que mais tarde se tornaria o IEAC.

Fundação do Instituto

“No fim de 2017,  surgiu o Instituto de Educação e Análise do Comportamento (IEAC), quando fundamos também nosso site e abrimos nossa primeira turma de Pós-Graduação em ABA”, conta Michelli. O IEAC foi pioneiro no Brasil, lançando a primeira pós-graduação on-line em Análise do Comportamento.

Cursos de extensão e, inclusive, eventos presenciais com profissionais americanos e convidados também fazem parte da rotina do casal. “Hoje, o trabalho é trazer o que há de melhor dos EUA para o Brasil com o foco maior em treinamentos EAD”, ressalta a diretora.

Atualmente, o instituto idealizado pelo casal conta mais de 2 mil alunos em todo país, entre eles pais, profissionais da saúde e educadores. No ano passado, a instituição passou por um  processo de expansão com a criação de novos cursos de pós-graduação, novos departamentos e a criação de uma editora, a qual lançou o livro do autor Daniel Legoff, baseada na terapia lego, e se detém a lançar outros títulos educativos.

Segundo Diogo, o IEAC também oferece bolsas de estudos para os pais e/ou responsáveis de crianças autistas que comprovadamente não podem custear os estudos, além de prestar suporte jurídico gratuito às famílias carentes. O advogado está à frente desses serviços, como também ministra supervisões e vídeoaulas sobre temas referentes à inclusão, ética e respeito a pessoas autistas e com demais necessidades especiais.

“Apesar da legislação ser avançada e, inclusive, existir um decreto que ratificou uma convenção de direitos internacionais das pessoas com necessidades especiais, ainda estamos longe de uma efetiva estrutura para essas crianças nas escolas, no mercado de trabalho e no convívio social”.  Nas palavras do profissional, alguns dos principais empecilhos no país são o preconceito, desconhecimento de causa, alto custo dos tratamentos e a falta de preparo de terapeutas e profissionais de educação.

Fonte: 015 - Thabata Mondoni

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