VIDA DE INSETO E VIDA DE FEIJÃO - News Rondônia Assim eu tinha o feijão que seria servido no sábado de cor marrom claro e o feijão preto para simbolizar outro agrupamento de pessoas ou de animais.

Porto Velho,

Quinta-Feira , 08 de Outubro de 2015 - 22:49 - Colaboradores


 


VIDA DE INSETO E VIDA DE FEIJÃO

Assim eu tinha o feijão que seria servido no sábado de cor marrom claro e o feijão preto para simbolizar outro agrupamento de pessoas ou de animais.

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Vida de Inseto

Insetos servem para assustar a gente. Andam em esgoto e proliferam doenças entre os seres humanos. Por isto eu os odeio. E por esta razão devem ser exterminados. Não consigo recordar quantas vezes eu corri de uma barata que insistia em cruzar o meu caminho, nem sei também quantas vezes uma mosca perturbou meu sono e pernilongos insistiam em zunir ao pé dos meus ouvidos.

Mas nada era tão repugnante quanto aquele exército de formigas que insistia em cavar buracos em meu jardim. Os desenhos na tv serviam para orientar a fórmula de extermínio ao qual poderia eu aos meus 07 anos acabar com aquele tipo de infestação de indivíduos nas proximidades de minha casa, e vir a salvar minha mãe, meu pai e minha irmã de vir a ficar doente com algum tipo de contaminação que aquela praga de certa iria carregar para dentro de minha casa.

Por outro lado,...

A Vida de Feijão

Era a cristalização de toda a harmonia celestial. Onde eu brincava com apenas um cobertor marrom de algodão, uma almofada que servia para elevar o terreno ao ser colado debaixo do cobertor e fazer surgir no centro da sala uma montanha cuja delimitação da coberta dava refúgio a uma ilha paradisíaca que precisava ser habitada e precisava ter uma história para dar sentido àquela gleba de terra.

E o único caminho para se chegar até o paraíso era através da rota do mar, onde a esperança se renovava e os conflitos se formavam ao longo das encenações de uma criança criativa.

A vida de feijão acaba com a hora do almoço, onde inúmeras vezes o rebanho tinha que ser desfeito para fazer parte da refeição que iria ser cozida dentro de uma panela de pressão.

Esta hora eu tinha que ser forte, pois todo o povo com seu rebanho iria perder a sua vida para me dar sustento e ferro para que eu pudesse crescer um adulto saudável e esperto.

Era preciso ter coragem para enfrentar o mundo, então insetos e Feijões servirão de inspiração para o mundo que estava em constante inicialização de ideias.

Vida de Inseto – O exército inimigo

O jardim estava devastado. Havia pragas para todos os lados. Era preciso pedir autorização para mamãe para que o extermínio pudesse ser iniciado.

Mas eu tinha que traçar uma estratégia de guerra. Não podia ter compaixão para com as invasoras formigas. Elas destroçaram todo o meu reino, e precisávamos reunir forças o mais rápido possível para retornar o equilíbrio ao paraíso.

Então corri até a cozinha e peguei uma caixa de palito de fósforo. Minha mãe perguntou o porquê eu iria querer aquele objeto. Então eu a respondi que era para encurralar as formigas que tinham destruído o meu jardim.

Como não adiantava falar nada, saí correndo peguei os palitos de fósforo e acendendo um a um foi matando as invasoras que teimavam em fazer uma trilha rumo ao sentido da casa.

Òh céus, percebi naquele momento que minha missão era proteger a casa e fazer com que a doença não invadisse nosso lar.

Então corri para casa e peguei uma porção de folhas de papel que era para fazer uma coluna de fogo para exterminar um número maior de formigas.

Percebi que elas ficaram logo desorientadas com a fumaça toda. E saiam desesperadas para suas trincheiras.

Vi seus corpos pegando fogo enquanto minha mente imaginava tiros de canhão a consumir suas vítimas humanas. Estava naquele instante a matar soldados extremamente maléficos para com meu povoado.

Havia notado na televisão um grande número de perseguições a soldados que eram chamados de nazistas. Ora meu espírito queria matar os opressores, e ora um algo irreconhecível dentro de mim queria fazer parte do exército que estava sendo oprimido.

Não muito satisfeito percebia que muito dos invasores entravam em suas residências, e eu corri para casa para pegar uma colher emprestada com a minha mãe. Queria saber onde iria dar aquele esconderijo.

Saia sem dar grandes explicações e tratava de fazer buracos paralelos aos pontos de fuga das formigas para encontrar o ponto central onde elas se refugiavam.

Às vezes pegava um litro de água e despejava vagarosamente sobre a boca do formigueiro para fazer com que eles saíssem por afogamento desesperadas por perderem suas vidas e virem a serem consumidas em fogo.

Quando cavava muito profundamente cheguei a encontrar uns bólidos brancos. Ao chamar mamãe para ver ela me explicou que aqueles eram os ovos dos insetos. Então eu agrupava todos os ovos em um canto da parede e fazia uma fogueira para eliminar todas as possibilidades de recriação da espécie.

Quase sempre o exército inimigo era todo devorado pelo meu exército de um menino só. Não tinha piedade para com os sobreviventes.

Mas muitas vezes demorava demais em projetar o tipo de extermínio que a hora do almoço logo se aprontava e o chamar de mamãe para se alimentar dos feijões não me permitia concluir a matança.

Eu resmungava pelo serviço incompleto, porém a vontade de comer feijões superava meu desejo de extermínio e logo esquecia que estes insetos existiam.

Hitler era impiedoso, e nas minhas férias praticamente todos os dias eu tinha que derrotar os exércitos inimigos que ora vinham de dentro da terra do próprio jardim, ou ora das circunvizinhanças dos jardins dos vizinhos.

Tinha hora que tentava argumentar com o imperador alemão, mas as formigas não compreendiam. E quando eu me aproximava elas me atacavam com mordidas que por vezes eram bem ardidas.

Ficava feliz quando de uma semana para outra uma espécie inteira era devorada pelo fogo. Mas sempre no lugar da que desaparecia uma outra espécie mais agressiva aparecia no local para demarcar sua territoriedade.

Um amigo meu de minha idade havia me ensinado uma técnica para aniquilar formigueiros inteiros. Quando uma espécie invasora maior aparecia do pedaço, eu teria que pegar as cabeçudas e colocar para brigar com outras cabeçudas de espécies diferentes.

Desta forma o cheiro e o ódio que brotava de uma espécie em relação a outra proliferava uma briga ferrenha entre as duas espécies até que todos os membros de uma única família de formigas fossem completamente exterminadas.

A luta corporal demorava dias e às vezes semanas. E a espécie que ganhasse a luta era em seguida devorada pelo fogo.

Vida de Feijão – O paraíso na terra

A terra estava pacificada, não havia conflitos. A ilha estava isolada em um local paradisíaco no centro do mundo. Toda a vegetação estava intacta. Não havia insetos ou pragas.

Os sobreviventes do dilúvio chegaram pelo mar. Eles traziam gado, mantimentos, carroças e tudo que fosse necessário para a retomada da civilização.

Ao desembarcarem por uma zona costeira tratavam logo de enfileirar suas carroças e em caravana partiam para as partes mais altas da montanha, a fim de que suas vidas não fossem consumidas por ondas gigantescas que tivessem em colisão com a ilha.

Lá fora o mundo era inóspito e as pessoas não pareciam se entender. Então as bombas lançadas no oceano produziam grandes maremotos o que faziam com que os sobreviventes procurassem lugares mais confortantes longe das zonas costeiras.

Então eles passavam horas subindo e descendo morros, até se deslocar para algum platô que tivesse a se encontrar num ponto alto da ilha.

Os viajantes não demoravam a perceber que partes da ilha já estavam habitadas por outros sobreviventes de tempos remotos. Então era comum o aparecimento de índios durante o percurso. E a necessidade de posicionar as caravanas em formato de círculo levava a um frenesi por parte do agrupamento a fim de que os feijões ficassem um protegendo o outro até que a formação inteira estivesse completa.

Passado o perigo, algumas carroças eram incendiadas injustamente, alguns índios perdiam suas vidas também. Mas o poderio das armas de fogos dos retirantes era mais forte de forma que visivelmente logo os índios desistiam da perseguição.

Alguns soldados fortes conseguiam fazer acordo com as tribos e a paz era selada. Porque naquele lugar não poderia haver nenhum tipo de conflito, porque representava o paraíso aqui na terra.

Não tardava outro dia, a ilha estava completamente tomada por veados por todos os lados. E caçadores começaram a desembarcar para fazer uso da caça.

A mãe natureza orientava toda a manada a seguir pelas trilhas mais altas para fazer com que todos pudessem fugir da ação dos caçadores.

Os animais faziam de tudo para poder sair do alcance destrutivo dos equipamentos de artilharia.

Mas os caçadores somente saiam da ilha quando já haviam abatido um certo número de animais.

Por sorte alguns animais mais espertos atraiam os caçadores para despenhadeiros. E chegando lá, encurralados: os caçadores; levavam chifradas e caiam no precipício para que o lugar voltasse a ser novamente um lugar paradisíaco.

Mas era preciso dar um sentido para toda aquela gente feijão em uma ilha abandonada no meio do oceano da sala.

E o tempo de guardar tudo e colocar na panela para cozinhar passava muito rápido. E toda aquela população deveria ser esquecida até que o próximo episódio de criatividade viesse à tona uma nova necessidade de organizar novamente a almofada e a coberta para que a ilha fosse novamente posicionada na sala e os habitantes pudessem migrar aos poucos das zonas costeiras para as partes mais altas daquelas glebas de terra.

Por sorte algumas vezes duas colônias de cores diferentes de feijão se estabeleciam nas proximidades de sexta-feira. Em que o prato que seria servido seria uma famosa feijoada.

Assim eu tinha o feijão que seria servido no sábado de cor marrom  claro e o feijão preto para simbolizar outro agrupamento de pessoas ou de animais.

Muitas vezes a ilha entrava em erupção e os habitantes tinham que sair desesperados para a área litorânea a fim de salvar suas vidas. Mal sabiam eles que o seu destino era reuni-los todos para habitar a panela do almoço de logo mais... risos....

A fúria da natureza era impiedosa quando tinha terremoto. Os feijões tremiam... alguns eram soterrados, outros caiam de suas plataformas, os poucos sobreviventes lamentavam as calamidades e partiam para a procriação da espécie a fim de proporcionar o repovoamento do lugar.

Os feijões agradeciam a Deus pelas suas vidas poupadas e logo mais orgulhosos iriam se transformar no ferro para sustentar a vida daquele que havia projetado e construído sua história.

Os feijões incorporavam a história do criador... enquanto os insetos eram devorados pela própria história que era construída pelo aniquilamento e ódio fortuito.

Max Diniz Cruzeiro

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Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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