Quinta-Feira, 27 de Outubro de 2016 - 08:58 (Colaboradores)

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UTOPIA - Por Max Diniz Cruzeiro

Utopia é a fixação de um conceito que é deslocado sob várias vicissitudes em termos de desdobramentos de contextos, ideação, perspectivas, valores, juízos e cenários


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Utopia é a fixação de um conceito que é deslocado sob várias vicissitudes em termos de desdobramentos de contextos, ideação, perspectivas, valores, juízos e cenários para a reprodução desejada de um concentrado de variantes no qual a coisa nomeada é capaz de estabelecer vínculo com o plano real na produção da realidade do sujeito que seja mais fiel ao todo-holístico.

As vicissitudes são transformações-componentes sobre o conceito utópico que podem ser obtidas a partir da ativação do conceito, que tecem uma relação intraconceitual e interconceitual na ligação consigo mesmo ou com outros conceitos que variam em torno da extensão utópica.

Assim se o conceito que se pretende abordar de forma utópica, por exemplo, seja o Amor, as vicissitudes são todos os componentes internos e intrarrelacionados que ativam o teor puro do objeto linguístico, numa integração metassensorial e metalinguística que fusiona o indivíduo dentro da apropriação de sentido e significado do conceito utópico.

Então sob o contexto da vicissitudes há que se pensar no empréstimo de elementos pré-conceituais de outros conceitos (metassistemas cognitivos) que servem para incorporar novas perspectivas de entendimento da coisa que se encontra no sentido puro que nosso exemplo é o Amor como utopia.

As vicissitudes permitem o sujeito percorrer o conceito que se pretende gerar desdobramentos utópicos dentro das variações de outros conceitos e elementos que são extraídos desta vizinhança para que o indivíduo consiga perceber a relação existencial, como uma deformação, que o conceito principal puro, é capaz de sofrer com outros condicionamentos e interferências sensoriais.

Os contextos inserem o indivíduo dentro de uma história, rumo a uma integração social onde ele é visto dentro de um comportamento prático onde a utopia é idealizada, que se realçada poderá vir a ser elemento de um sonho (reverie), caso não presente na experimentação da realidade do sujeito, ou vir a ser um reavivamento de uma relação com o objeto (Amor) quando presente na memória em que se torna algo constituído e represado através de um processo de lembrança.

A ideação é a incorporação do desejo, do conteúdo egoico, em que o sujeito se lança dentro da sua sociabilização para estabelecer um vínculo com a coisa incorporada em que irá preponderar uma trilha em que a coisa é organizada.

As perspectivas moldam como as trilhas devem ser organizadas para que o contexto seja um percorrer uniforme e livre de contradições. Elas são segmentações em que a combinação de vicissitudes foi possível projetar o sujeito dentro de um contexto de fundo social.

Algumas perspectivas são complementares, outras porém, são antagônicas, conforme o modelo utópico que se pretenda gestar sobre um conceito, deverá o autor da utopia sinalizar o tipo de movimento utópico que pretende gerar como enredo ao contar uma história. Se de escolha de perspectiva ou partilha.

Os valores sinalizam as trocas entre metassistemas cognitivos onde os conceitos recebem aportes, ou vicissitudes, de uma vizinhança conceitual que visa constantes interações.

Eles servem de balanceamento para a convergência do estímulo na forma reduzida de pensamento que irá cristalizar a utilização do conceito dentro dos sistemas psíquico e motriz de um indivíduo.

A utopia deve ser absolutamente forte para balancear dentro de uma perspectiva e desbalancear e reconfigurar quando necessário, e utilizar partes-probabilísticas-quantidades-percentuais em outras perspectivas sobre o conceito utópico nomeado.

Os juízos são os vórtices de energia que correm de forma pulsionar ao organizar saídas sensoriais eferentes que serão responsáveis para que a utopia passe a ser canalizada dentro da perspectiva escolhida.

Portanto este mecanismo deve ser sóbrio o suficiente para que forças não se anulem dentro do modelo e estrutura lógica em fase de organização que deva o sujeito não sofrer os efeitos do recalcamento. Assim a pulsão cumprirá o seu papel de deslocamento sobre as áreas neurais em que processos de afinidade com o conceito possam ser alocados e a utopia possa ser gerada dentro de uma saída esperada. A afinidade é um relação de percurso-deslocamento energético-pico de excitação-caminho neural. Então é óbvio que a energia deslocada por um percurso livre de barreiras somáticas tenderá a ter melhor sinais de ativação.

Os cenários carregam a inserção social da coisa utópica em funcionamento dentro da dimensão real em que o sujeito idealiza a relação do conceito utópico com o mundo. Onde verdadeiramente a história é construída, havendo interligação entre o interno e o externo.

Em que o sentido, propósito e objetivo ganham dimensões para o conceito a fim dele ser amparado por outro nível de desdobramento consciencional que seja possível reproduzir uma nova oitava de apreensão que visa se distanciar ainda mais do conceito biológico para um pertencimento do indivíduo dentro de um modelo mais abrangente e universal.

Na relação utópica o sujeito é convidado a não ter limites e a percorrer toda a linha de argumentos em que as variações do conceito promovem para a compreensão do indivíduo.

Para numa segunda fase, quando absorver as transformações-consequências que percorrer toda a extensão do conceito exige como modelação do comportamento, fazer com que o indivíduo ative seu conteúdo egoico e a partir deste instante ser capaz de efetuar escolhas sobre o nível e estados que é o seu íntimo desejoso de percorrer. Uma restrição necessária da experimentação do saber que torna o indivíduo apto a gestar a afetação que deseja condicionar a sua consciência e ser livre dentro do processo de escolhas e alternativas que afetam o seu entendimento. Por isto o amor sempre prevalecerá como modelo utópico, porque está a serviço do bem, do entendimento e da concordância.

Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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