TRANSICIONALIDADE E O BRINCAR EM WINNICOTT - News Rondônia Baseado na Aula da Doutora Lívia Milhomem Januário.

Porto Velho,

Domingo , 26 de Junho de 2016 - 11:22 - Colaboradores


 


TRANSICIONALIDADE E O BRINCAR EM WINNICOTT

Baseado na Aula da Doutora Lívia Milhomem Januário.

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Donald Woods Winnicott foi um pediatra e psicanalista inglês.

Nascimento: 7 de abril de 1896, Plymouth, Reino Unido

Falecimento: 28 de janeiro de 1971, Londres, Reino Unido

Filiação: Sir John Frederick Winnicott, Elizabeth Martha Woods Winnicott

Educação: Jesus College, Universidade de Cambridge

Obras de Referência:

O Brincar & a Realidade – D. W. Winnicott

O brincar dentro da obra de Winnicott – André Green

Transicionalidade é uma área que está entre a transição interna e externa, o subjetivo e o objetivo; é vista como um espaço potencial, local de repouso e localização da experiência cultural.

É uma área intermediária de experimentação que influência internamente e externamente. Como também é uma área de experimentação em que o sujeito também representa o repouso. Onde se aprende a lidar com o interno e externo, o que é meu e o que do outro, e se relaciona com o espaço na condição de repouso.

Winnicott estudou uma relação existente na formação da realidade interna, da realidade externa e uma terceira área que se forma. Todo mecanismo de projeção e integração que se forma a partir dos fatores interativos com o meio.

Da mesma forma que uma criança brinca, um adulto pode ver este movimento como um trabalho canalizado por um ápice de criatividade revestido de subjetividade.

O momento do erotismo oral do bebê chega no instante em que ele vai passar a brincar com o objeto. A primeira posse do sujeito que vai passar a ser o não-eu um elemento externo a ele.

Dos 4 aos 12 meses período da passagem pelo autoerotismo, onde o objeto passa para o estatuto de ser transicional para ele. Como por exemplo a retenção de um pano ou de um urso de pelúcia. Em que a área intermediária de transferência entre o polegar e o ursinho faz criar um objeto transicional ou um fenômeno transicional estabelecendo uma relação com a realidade interna e externa com a elevação do objeto a sua volta.

Algumas crianças precisam e outras não precisam ter objetos para a transição de realidades. Pode ocorrer adesão maior ao objeto que apazigua uma angústia que está encrustada dentro da criança em que esta passa a usar este aspecto como elemento de realidade para sua transição para sua passagem de amadurecimento do autoerotismo.

O bebê esta transitando entre um estado de estar fundido com a mãe e um início do vínculo com o objeto relacional que não é o seu próprio eu.

Geralmente o objeto transicional é um objeto que representa a mãe (um pano por exemplo) que apazigua a influência da ausência desta mãe em que é responsável pela relação como mundo externo por parte desta criança. Dependendo da forma observada pode a chupeta também funcionar como objeto transicional.

O bebê usa o objeto transicional e seu fim é ser descatequizado, após o ganho de importância em que ocorre um investimento, que com o passar do tempo a perda de importância do objeto promove o esquecimento, ao perder a função de sua manipulação, embora a lembrança do objeto esteja protegida que não remete a uma esfera de sofrimento.

Algumas crianças não precisam de objetos e fazem a conexão do autoerotismo e a postura da mãe para uma fase de experimentação oral para uma configuração que a criança se desvencilha para a formação de um conteúdo de visualização externa.

Como o objeto já está descatequizado e o sujeito foi para o espaço transicional ele passa a brincar e o passar por um campo difuso do relacionamento em que a criatividade, o sonhar e o brincar esteja presente.

A religião quando bem organizada pode ser um desdobramento do fenômeno transicional.

O instante de uma elaboração psíquica é o insumo resultante deste processo de fenômeno de transicionalidade. Percebe-se claramente quando o brincar é robotizado, diferenciado do brincar criativo.

O reposicionamento do brincar configura-se como um tema – processo de constituição psíquica que serve tanto para a criança como a visualização do adulto em que se permuta processos de criatividade, robotização, sendo de humor, processos de angústia que interfere sobre a transição no processo de análise.

A psicanálise foi desenvolvida como uma forma de brincar em se comunicar. Onde é através dela que o indivíduo pode ser criativo e ao se sentir assim é que ele irá ter contato com o seu self verdadeiro.

Winnicott coloca o brincar de uma forma um pouco separada que passa pelas três clínicas.

Quando estamos conectados com a criatividade pode haver uma busca de realização, ou uma não conexão com o seu self verdadeiro.

Na tentativa de tentar se conectar com o que se produz é feito o sentido ao longo de uma demanda no final de uma existência que não pode contribuir para concessão do self verdadeiro quando surge toda uma angústia do tentar se conectar como self perfeito.

O ser autista envolve muito o seu brincar, o seu interpretar e o seu fusionar ao self verdadeiro, por isto muitos autistas mudam sua forma física após a interpretação de papéis.

A criatividade ocupa um lugar diferente para Winnicott que se refere ao estar vivo e a abordagem interna, muito mais que um sentido de si do que o objeto de atuação.

A brincadeira é necessária para a unificação e integração do sujeito, no auxílio de sua integração e personalização. Serve de elo na realidade interior e a realidade externa.

Ele vai transpor de tudo que vivenciou e estudou que o brincar é um dos objetivos principais da análise.

Antes tinha um ciclo de angústia e ansiedade: o sujeito brincava enquanto o adulto falava, a suscitação da angústia, vinha logo em seguida, havendo a interpretação do ato, para logo depois a criança voltar a brincar, num processo de elaboração continuada. Já a estruturação do brincar para Winnicott vinha a ser o objetivo da análise.

A própria terapia seria para Winnicott a sobreposição do analista e da criança numa elaboração conjunta. Algumas crianças e alguns adultos não brincam precisando de um manejo anterior ao brincar, sendo este brincar um desdobramento evolutivo do processo de elaboração. Às vezes é mais fácil o não brincar que deve ser objeto de contenção da angústia.

O brincar é um indicador de saúde e de posicionamento psíquico em que se dá bem com o relacionamento externo. O brincar também pode trazer o relacionamento de fuga da realidade quando ele denota uma resistência que corrobora para uma contenção que descontrói essa realidade que angustia, incomoda e gera sofrimento.

O importante não é tanto a intepretação do brincar, mas a possibilidade de o analista sustentar a brincadeira até que ela possa sustentar uma experiência e uma comunicação que permita fazer uma interpretação que o sujeito passa a se apropriar desta interpretação a ser um momento que a criança tem uma conquista de um achado sobre si mesma.

Há que se compreender os mecanismos que norteiam os processos que envolvem projeção e introjeção, para que o sujeito não entre na relação de estar colocando sobre o outro algo que está além da sua conexão de como este funciona consigo mesmo, ou manifestar algo que se configura aquém da realidade em que este vive.

Quando a gente faz as interpretações o paciente passa a se apropriar mesmo que minimamente de insights que possam entrar em análise e que possam compreender sua angústia diante do processo de elaboração.

O momento em que o paciente fala que passa a compartilhar sua realidade com o analista da maneira em que coloca e usa de forma a moldar a interpretação da forma em que a pessoa passa a compreender, usando a expressão daquilo em que o paciente pronunciou, na forma de um eco, da mesma, indica que a fala é um grande subsídio entre a criança e adultos.

Quando existe este brincar mútuo, espontâneo e não submisso, ocorre um processo rico em que o analista é visto como o outro, brincando junto na realidade compartilhada, aberto para o relacionar com o analista em que o analista está aberto na forma com que a função é desempenhada nos moldes da transferência descrita conforme a visão de Winnicott.

Ele desenvolveu uma sequência relaxante em funções de confiança, uma atividade criativa física e mental. A confiança em ser criativo e estar criativo gera a base da conexão do eu, onde o paciente passa a si conectar consigo mesmo.

O analista deve construir as lacunas do paciente onde a pessoa pode se reunir em torno de percepção de si numa construção do processo de análise em que o indivíduo e o ser criativo conectado com o outro e a realidade no despertar deste ser criativo.

O relacionar com a realidade externa evoca o que é você em relação com o outro e não se torna um ser autístico.

É mais um sentimento de si em me sentir real, eu sou criativo, eu existo numa conexão entre mente e corpo seja qualquer tipo de conexão – isto é o brincar.

O brincar pode ser observado a partir de três focos: Como objeto do processo de análise; auxiliar no processo psíquico da análise que pode surgir o espaço compartilhado; e, servir para a construção de um espaço onde o self criativo pode emergir.

Onde pode se construir a singularidade entre o paciente e o analista, insights a partir do jogo do rabisco.

O analista tem que ser capaz de transitar pelo espaço transicional sem perder a função analítica.  Brincar por si próprio é terapêutico, mas a interpretação do brincar é que se incorpora a análise. É um modelo diferente que faz o encontro entre o entorno e o entre.

O que está acontecendo com o paciente e com o analista em relação ao paciente? Transferência e contratransferência? Os dois estão produzindo pois estão se relacionando em uma experiência criativa.

Fraternalmente,

Max Diniz Cruzeiro
LenderBook Company

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Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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