Segunda-Feira, 21 de Novembro de 2016 - 08:10 (Colaboradores)

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SOLIDÃO - Por Max Diniz Cruzeiro

A solidão é um estado de escasseamento da relação externa, mais um enriquecimento do relacionamento interno.


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Sensação de não pertencimento – num modelo de interação – com outros indivíduos que permutam o espaço ambiental. Em que um estado de isolamento caracteriza uma ruptura do eixo de envolvimento com outros seres, no qual se faz perceber um vazio no enlace comportamental ou escaceamento relacional com outros entes externos ao indivíduo.

Este estado de representação unitária (por estar só) induz a um distanciamento do indivíduo no consórcio de outros seres. Porém permite o isolamento, deslocar o eixo da atenção de um indivíduo para o seu próprio constituinte interior.

A solidão é um estado de escasseamento da relação externa, mais um enriquecimento do relacionamento interno. Quando o indivíduo não consegue interagir satisfatoriamente consigo, em estado de solidão começa a projetar os objetos externos na forma de um sistema projetivo em que o relacionamento é moldado de forma a fabricar uma fantasia ou ilusão no qual permite ao indivíduo deslocar sua atividade psíquica para uma ocupação que irá gestar sua vida dentro do modelo existencial vigente.

Por outro lado, quando o indivíduo consegue por intermédio do aspecto de solidão gestar bem o seu conteúdo psíquico, ele utiliza o seu psiquismo para compreender os processos que corroboram para o seu desenvolvimento sem representar um tipo de angústia que é comum para o primeiro caso levantado dentro deste artigo.

A angústia de se sentir sozinho pode provocar uma necessidade de preenchimento por meio de processos de expansão por meio da expressão vocálica, o que pode contribuir para a elevação do devaneio, alucinações e também delírios, como também o desencadeamento de psicoses.

A solidão também pode estar calcada sobre um objeto constituído dentro do psiquismo do sujeito, onde a observação da coisa não incorporada, que se situa distante da porção ambiental do sujeito é motivo que a faz com que o indivíduo perceba uma estrutura isolacional, no qual o aspecto subjetivo de solidão possa ser reproduzido para simbolizar o distanciamento da coisa almejada.

Como a solidão também pode estar representada pela não identificação de elementos básicos essenciais em que o indivíduo se fusiona, que é incorporado toda vez que uma pessoa sei de seu eixo social que é representado pela cultura ao qual ele se visualiza pertencer dentro do agrupamento, e quando distante desta, passa a sentir isolamento em relação a escala de valores e sua função dentro do agrupamento social que esteja contido ou presente.

Ou a solidão estar orientada para a necessidade de transferência e contratransferência em relação a um único indivíduo, onde o isolamento pode ser percebido por meio de uma estrutura de ausência, que não permite ao indivíduo que sofre de solidão se situar amparado pela pessoa de referência.

Solidão e isolamento intercambiam uma relação muito íntima, porém é possível que a construção da solidão não necessariamente impacte ambientalmente um isolamento físico. A pessoa pode estar rodeada de muitos indivíduos, e mesmo assim se sentir solitária.

Neste caso acima o significado para o isolamento é algo projetivo que se constitui subjetivamente, dentro da constituição simbólica do indivíduo que sofre de solidão.

Então podemos pensar em perspectivas diferenciadas, ao qual o indivíduo que sofre de solidão se fixa e que por alguma razão elas não são canalizadas para sofrerem fusões reativas que lhes permitam identificar consecução de ações no decorrer dos processos somáticos.

Há que se pensar em um metassistema expectal que absorve uma reação esperada para o desencadeamento de novos processos somáticos, que quando não são estruturados, os indivíduos passam a se perceberem isolados diante dos processos.

A ruptura consecutiva do canal psíquico interrompe o fluxo de reacionamento, em virtude deste processo o indivíduo não tem outra solução que não seja se ressentir, ou, viabilizar o acesso do vínculo por meio de sistema projetivo, no qual o organismo passa a simular o sistema interacional dentro deste processo reativo.

A interiorização excessiva faz com que esta alavanca reativa deixe de funcionar adequadamente, em vez do indivíduo buscar amparo externo suas intermediações passam a ser o relacionamento fracionado através de suas múltiplas instâncias independentes, o que o faz perceber um vínculo em sua constituição psíquica no qual se sobressai um modelo de interação de psiquismo.

Por outro lado, a baixa canalização de estímulos vindos do ambiente, também promove o escasseamento deste sistema reativo, induzindo mesmo que temporariamente o indivíduo para sua fase de isolamento social.

A não incorporação da coisa desejada também pode reproduzir a sensação e o sentimento de solidão, uma vez que a angústia produzida pela falta ativa no sujeito uma afetação pela não incorporação do objeto, que a construção subjetiva lhe confere notoriedade.

Para se trabalhar com o aspecto de solidão tem-se que identificar qual o tipo de solidão está sendo gestado no indivíduo de forma prévia. E uma vez identificado, descobrir quais perspectivas afetam a estrutura psíquica de um indivíduo. E oferecer analiticamente para o indivíduo que sofre de solidão elementos que permitam ele construir ou reconstruir a ponte do reacionamento como modelo de correspondência a uma excitação. Para que o sujeito possa gestar junto com o elemento que fora encaixado o material de trabalho que terá para dar um sentido coletivo para suas apreensões de correspondência, e fazer com que sua capacidade de gerar relacionamentos volte ao nível social desejado. Livre de interferências que possam ser atribuídos um tipo de isolamento no qual faça o indivíduo perder tempo em não se apropriar de algum elemento disposto no ambiente para a canalização de sua evolução, dinâmica e não estacionária.

Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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