SETEMBRO E AS ANDORINHAS, por Emerson Barbosa - News Rondônia Mas o que querem as andorinhas por aqui? Alimentos, dizem os biólogos.

Porto Velho,

Quarta-Feira , 28 de Setembro de 2011 - 09:47 - Colaboradores


 

SETEMBRO E AS ANDORINHAS, por Emerson Barbosa

Mas o que querem as andorinhas por aqui? Alimentos, dizem os biólogos.

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Basta que o fim de tarde se aproxime pra que elas comecem a sobrevoar de um canto a outro. No cenário, e sem limites quadrados um verdadeiro disparo é visto no céu. São milhares. Com sua calda pontiaguda, o espetáculo do pôr-do-sol fica mais charmoso.

O azul do céu em setembro é cinza, é o mês das andorinhas. O fenômeno não tem como passar despercebido. Diz lenda, andorinha no céu é sinal de chuva, e não é que é mesmo! Em Rondônia elas invadem as cidades e sobrevoam prédios que durante o dia retrata o oficial.

O Palácio Presidente Vargas, sede do governo do Estado parece ter sido o local escolhido por elas este ano.  Atração que ultrapassa as dezenas de janelas do prédio.  Nos fins de tarde, com tempo ou sem tempo de chuva, os ‘Céus de Rondônia’ estão sobre domínio delas.

Mas o que querem as andorinhas por aqui? Alimentos, dizem os biólogos.  São trazidas ao estado pela interferência climática, período que melhor encontram comida. E no cardápio estão os cupins. "Quando a tempestade está a três ou quatro quilômetros de distância, uma corrente de ar quente e úmido empurra os insetos para cima, levando os pássaros para as camadas superiores", afirma o ornitólogo (especialista em aves) Johan Dalgas Frisch, autor do livro Aves Brasileiras. Pouco antes das primeiras pancadas de chuva, porém, as correntes diminuem e os insetos se concentram junto ao solo.

Mais sobre as andorinhas

Os índios Choctaw e Chickasees, do sul do Estados Unidos, sempre souberam que a chegada das andorinhas-azuis anunciava o fim do inverno e o sol logo traria os dias longos de volta e a abundância da vida.

Por isso penduravam cabaças no alto das cabanas, para que as aves da sorte e fartura procriassem nas aldeias. Não sabiam para onde iam as andorinhas durante o inverno do Hemisfério Norte. Nem poderiam imaginar que elas viajassem tanto, para trazer ao Hemisfério Sul a boa notícia da chegada do verão.

Só no século 20 as rotas migratórias de várias espécies de aves começaram a ser esboçadas e entre elas, o longo caminho das andorinhas azuis, de verão a verão, entre a América do Norte e a do Sul.

O mistério em torno da origem dessas aves, que aparecem com o calor e desaparecem com o frio, se manteve no seu nome científico, Progne subis, que remete a uma fuga mitológica.

O nome da espécie, subis, vem do latim e quer dizer desconhecido. Já o nome do gênero, Progne, vem do grego e está associado à história de Prócne, que quer dizer pintada ou manchada de preto. Na mitologia grega, Prócne era uma das filhas do rei de Atenas, Pandíon, casada com o rei da Trácia, Tereu.

Ao saber que o marido havia violado sua irmã, Filomela, vingou-se e fugiu, acompanhada desta. Perseguidas por Tereu, as duas apelaram aos deuses, que transformaram Filomela em rouxinol, Prócne em andorinha e Tereu em mocho.

As mitológicas e desconhecidas andorinhas-azuis - ou purple martins, como são chamadas em inglês - só tiveram sua rota migratória totalmente esclarecida em 1980, apesar de realizarem a migração há milhões de anos.

O recurso utilizado pelo ornitólogo Johan Dalgas Frisch foi aproveitar alta tecnologia de espionagem, até então só empregada pelos americanos para monitorar os passos dos russos, na sua embaixada em Moscou, durante a Guerra Fria.

Nessa hora, o banquete a baixa altitude fica ainda mais atraente para as comilonas andorinhas porque, durante o verão, cupins e formigas com asas percebem as alterações climáticas e saem para iniciar a revoada de acasalamento. "Para esses insetos é o momento ideal para a reprodução, porque a água da chuva que está chegando amaciará a terra e facilitará a construção dos ninhos", diz Frisch.

O apetite das andorinhas é insaciável: algumas devoram mais de 2 000 insetos por dia. Tanta fome leva certas espécies - como as andorinhas azuis - a migrarem 24 000 quilômetros para fugir da falta de alimentos durante o inverno na América do Norte. De dezembro a fevereiro, mais de 100 milhões desses pássaros aproveitam o calor e a fartura de insetos no Brasil. De quebra, dão uma forcinha na previsão meteorológica.

Fonte: Emerson Barbosa

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