Terça-Feira, 16 de Janeiro de 2018 - 09:52 (Colaboradores)

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SE NO MUNDO DE HOJE O CONFLITO AINDA É INTENSO, NOSSA LÓGICA NÃO ESTARIA ERRADA? - Por Max Diniz Cruzeiro

O que desperta desta lógica quando uma pessoa se ressente da relação de partilha? Incompreensão, revolta, ira, inveja, egoísmo, privação, fome, sede; e, guerras.


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Hoje a lógica é do ganho e perda. A relação mais forte prevalece sobre a mais fraca. O mais concentrado prevalece sobre o menos concentrado. As trocas ficam substanciadas em uma dinâmica do tudo ou nada. O resultado é uma expropriação de um e acúmulo de outro, onde não ocorre o ciclo que irá fazer o fruto do esforço retornar para a mão vazia desta relação de troca.

O que desperta desta lógica quando uma pessoa se ressente da relação de partilha? Incompreensão, revolta, ira, inveja, egoísmo, privação, fome, sede; e, guerras.

O consumo fica condicionado a percepção de uma mais valia, - vantagem que se indexa à relação de compra, que se percebida pode inverter a relação de consumo, porque o objeto de desejo é idealizado, porém o objeto de consumo está aquém da necessidade dos indivíduos.

Então as trocas são realizadas graças à presença do delírio, essa fantasia que se constrói em torno dos objetos comercializados. Que irá nutrir os indivíduos de entes subjetivos que não fazem estes, se perceberem em distanciamento da realidade. Se consome na realidade sonhos, expectativas, esperança, status, poder e segurança.

Mas quando o sonho acaba, e da relação de troca a perda vem à tona na forma de uma privação futura, a fria realidade entorpece os sentidos para conectar os indivíduos que assim se sentem com os conceitos da família da incompreensão.

Milênios atrás no auge da organização das antigas civilizações, as relações de troca estabelecidas foram tão positivas que sinalizaram para um avanço perceptivo pela geração de um objeto de representação de valor capaz de identificar uma fração de um esforço concentrado em que era possível intercambiar elementos da natureza de posse dos indivíduos.

Porém, parte deste conhecimento fora adormecido, devido a precariedade da transferência do ensinamento de partilha, para dar lugar a lei da desigualdade das relações de troca onde a lógica do ganho e da perda passaram a representar a balança da vida.

Aristóteles introduziu a lógica da meritocracia, onde o argumento mais tolerado, positivo e trabalhado prevalecia sobre a relação de troca, e, que tem boa aceitação até os dias de hoje.

Mas esta lógica também não se ajusta para um mundo onde a grande maioria detém baixo conhecimento, não sendo capaz de corresponder à realidade de que os indivíduos mais puros de conhecimento, no sentido de escassez, estariam limitados na retórica que se constrói uma argumentação. Gestaria se assim fosse uma relação entre desiguais, onde a lógica do tudo ou nada continuaria a ditar a regra que ainda vitimiza nossas populações.

Porém, existe uma abundância de direções onde podemos guiar a evolução de nossos pensamentos para se deixar seguir pelo desenvolvimento. E uma destas lógicas estabelece que é possível encontrar um equilíbrio, visto como uma proporcionalidade, de dimensões, em que em uma relação de troca é possível definir aristoticamente onde é possível cambiar desejos e necessidades.

Se enquadram como dimensões dentro desta lógica, submodalidades da semântica em que um indivíduo percebe como moeda, em uma relação de troca: dinheiro, conhecimento, proximidade, afeto, notoriedade, alimentos, ...

Para um indivíduo existe uma família de submodalidades que a relação de troca deve estabelecer (subconjunto); entre todas as dimensões possíveis (universo) que ao estar posicionado no estabelecimento de um comércio é necessário satisfazer para que a satisfação seja recíproca dentro desta relação de partilha.

Assim, se para Pedro é importante: moeda, conhecimento e diversão; e para Helena é importante: moeda e reconhecimento; desta relação há necessidade de ser satisfeita cada uma destas submodalidades dentro da relação de troca.

Porém, é necessário que para cada dimensão um ganho seja percebido. Suponha que a troca entre Pedro e Helena seja um livro, onde Helena seja escritora e Pedro um leitor que deseja aprimorar os seus conhecimentos para a aquisição de um bom e novo emprego.

Helena quer ser reconhecida e também gerar capitais a partir de seu conhecimento. Pedro somente ficará satisfeito caso o livro adquirido de Helena lhe proporcione o conhecimento suficiente que supra suas necessidades e lhe permita conquistar um bom emprego. Porém, Pedro deseja o retorno financeiro, o saber para o seu desenvolvimento e inserir-se em uma atividade que lhe permita sentir sensações de prazer, visto como diversão. Se o livro de Helena realmente casa as necessidades compartilhadas com Pedro, então a lógica estabelecida é uma relação onde todos os participantes da negociação saírão ganhando. Por isto, comunicação exata do produto é fundamental na relação de troca.

Mas numa relação em que o ganho é parcial para apenas algumas submodalidades, pode ocorrer que quando a dimensão desprezada da relação de troca vem à tona na urgência da demanda ambiental, a percepção de insatisfação irá deslocar o sujeito para a relação de “Ganho ou Perda” influenciando seu humor e sua insatisfação embrionária para com o mundo.

Estabelecer uma relação de consumo onde todos ganham é satisfazer uma relação de troca onde em alguns critérios específicos, uma submodalidade pode ter uma relação de ganho mais eficiente do que a outra parte da negociação e vice-versa. Aí entra a força do argumento pela relação aristotélica, onde as proporcionalidades são calculadas a fim de que a percepção de ganho seja dual e mais próxima da realidade para todos para todas dimensões.

Desta lógica a disputa se enquadra dentro do consumo de uma retórica em que indivíduos se influenciam para apresentar a melhor proposta que irá convergir em benefícios para todas as partes de um relacionamento de consumo. Sendo o vencedor aquele que indicar maior desenvolvimento recíproco.

Fonte: 010 - Max Diniz Cruzeiro/NewsRondonia

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