Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017 - 14:56 (Agronegocios)

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RONDOLEITE, EM JI-PARANÁ, CONSOLIDA FÓRUM ESTADUAL DE DISCUSSÃO DA QUALIDADE DO LEITE RONDONIENSE

Para o secretário Evandro Padovani, da Agricultura, a Rondoleite superou todas as expectativas possíveis de público, de negócios e deu oportunidade para as indústrias estarem mais próximas dos produtores.


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Uma oportunidade ímpar para se alavancar a cadeia produtiva do leite, foi a opinião da maioria dos participantes da primeira Feira do Agronegócio do Leite – Rondoleite, realizada no Centro Tecnológico Vandeck Rack, em Ji-Paraná, nos dias 16 e 17, na discussão de benefícios para fomento do setor e ampliação da produção leiteira, estimada em 2,2 milhões de litros diários, que já coloca Rondônia no topo da produção na Região Norte.

Para o secretário Evandro Padovani, da Agricultura, a Rondoleite superou todas as expectativas possíveis de público, de negócios e deu oportunidade para as indústrias estarem mais próximas dos produtores. Ele aproveitou para agradecer a todas as empresas, órgãos e colaboradores que se juntaram para tornar a feira possível.

Durante dois dias, a Rondoleite reuniu produtores familiares e industriais, técnicos da extensão rural, pesquisadores, empresários pecuaristas, empresas de equipamentos, alimentos, sementes, veículos e tratores, bem como todos os órgãos de fomento, pesquisa e extensão, na troca de informações e experiências, além de bancos e cooperativas de crédito com linhas disponíveis e condições compatíveis para a aquisição de equipamentos e animais de genética melhorada. Cerca de cinco mil pessoas prestigiaram a Feira, com a participação de 55 empresas expositoras.

A utilização da tecnologia em favor do aumento da produtividade leiteira foi exemplificada pelo governador Confúcio Moura ao falar durante a abertura da feira sobre a utilização atual de um aparelho celular que pode fazer operações como movimentação de contas bancárias, transmissão de dados, encaminhamentos de documentos, entre outras operações complexas, diferentemente da sua utilização anterior, que era só um aparelho para se fazer ligações telefônicas. “Assim, pode ser hoje uma vaca leiteira, disse, que pode produzir tanto quatro litros de leite diários, como, se receber cuidados diferenciados na alimentação e na sanidade, bem como se for de uma raça geneticamente melhorada, poderá produzir muito mais e ultrapassar os vinte a trinta litros”, garantiu.

“É isso que estamos fazendo aqui neste Centro Tecnológico que reúne a maioria dos produtores e empresários do setor, os técnicos e pesquisadores que produzem conhecimento, para que possamos atingir essas tecnologias e melhorar nossa produção leiteira que se deriva em uma infinidade de produtos”, disse o governador aos produtores e às autoridades políticas que foram prestigiar a Rondoleite.

Com coordenação e organização pela Secretaria de Estado da Agricultura, por meio do Fundo de Investimento do Programa de Desenvolvimento da Pecuária Leiteira do Estado de Rondônia (Fundo Proleite), a Rondoleite reuniu parceiros como a Empresa Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RO); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Delegacia Federal do Ministério da Agricultura (MAPA), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RO); OCB-Sescoop; Agência de Defesa Sanitária (Idaron); Superintendência de Desenvolvimento do Estado de Rondônia (Suder); Banco do Brasil; Banco da Amazônia; Banco do Povo; Sebrae e empresas do ramo veterinário, que promoveram oficinas técnicas e palestras para um público estimado em quatro mil pessoas durante os dois dias.

A melhoria da produção e da produtividade leiteira foi também muito debatida pelo secretário Evandro Padovani, da Agricultura, que solicitou ainda aos senadores Raupp e Gurgacz, presentes na abertura do evento, como também à bancada de deputados rondonienses, representada pelo deputado Lúcio Mosquini, para a necessidade de se resguardar o setor lácteo que está sofrendo concorrência com produtos importados, que entram no país com preços abaixo do custo de produção nacional. Segundo ele, o pedido está sendo encaminhado em nome dos 27 Estados representados no Conselho Nacional dos Secretários de Estado da Agricultura (Conseagri).

A rede leiteira em Rondônia reúne mais de 35 mil propriedades com um número que pode ultrapassar as cem mil pessoas envolvidas diretamente na produção. São em maioria pequenos produtores que movimentam parcela considerável da economia local. Mobilizados pela Emater, produtores de mais de vinte municípios do entorno de Ji-Paraná e outros de várias localidades do Estado, de Cerejeiras a Guajará-Mirim, puderam assistir às palestras que trataram sobre a produção de leite a pasto; fatores de risco e controle da mastite; manejo nutricional da vaca em lactação; suplementação nutricional para bovinos leiteiros e a definição do Plano Estratégico para o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa, traçado para o período de 2017 a 2026.

O auditório das palestras oferecidas na Rondoleite esteve lotado por um público eclético de produtores formado por homens, mulheres, jovens e estudantes de escolas técnicas agrícolas. Até o fechamento da feira foram comercializados 79 animais de aptidão leiteira das raças Girolando e Gir, sendo 70 fêmeas e nove machos; a um custo entre R$4 a R$6 mil por animal, totalizando negócios na ordem dos R$351.400 reais, conforme demonstrou o gerente de Pecuária da Seagri, Licério Magalhães ao coordenador geral da Rondoleite, José Paulo Gonçales. A Girolando, de acordo com os técnicos do setor é uma raça bastante versátil para as regiões tropicais, boa em produtividade, rusticidade, longevidade e fertilidade, adaptável a tipos variados de manejo e clima, com desempenho satisfatório de fêmeas, presente em mais de 80% do rebanho brasileiro. O Gir ocupa o segundo lugar na produção, com bons resultados para a produção de leite e de carne.

Além dos créditos disponíveis nos bancos oficiais – Banco do Brasil e Banco da Amazônia, o Banco do Povo também esteve presente na Rondoleite com a oferta de crédito de até R$8 mil reais por produtor para aquisição de matrizes leiteiras, com juro zero, doze meses de carência e trinta e seis meses para quitar o financiamento.

Fórum da Qualidade

Técnicos do Ministério da Agricultura, da Embrapa e da Seagri promoveram a primeira reunião do Fórum Estadual da Qualidade do Leite, junto a empresários de indústrias lácteas e técnicos do setor.

A médica veterinária Josinete Barros de Freitas, destacou, por exemplo, a implementação do Laboratório de Qualidade do Leite, que vem sendo feita na sede da Embrapa, em Porto Velho, bem como a rede laboratorial de referência coordenada pelo MAPA, cuja unidade irá proceder à análise das amostras de leite cru para pesquisa de CBT (Contagem Bacteriana Total),  CCS (Contagem de Células Somáticas) e demais componentes do leite, dentro do que é preconizado pela legislação vigente.

A gestão do MAPA junto aos laboratórios da RBQL, como a padronização de procedimentos, material de referência para calibração dos equipamentos analisadores dos laboratórios da rede e coordenação dos ensaios de proficiência por comparação interlaboratorial junto às indústrias processadoras de leite no Estado foi tratada pelo farmacêutico bioquímico Eduardo Esteves.

A situação atual do leite no Estado de Rondônia foi abordada ainda pela médica veterinária Juliana Alves Dias, pesquisadora da Embrapa, que também mostrou nas oficinas tecnológicas as estratégias para a melhoria da qualidade do produto. E o auditor Fiscal Agropecuário Bruno Meireles Leite destacou o Programa Leite Mais Saudável, que prevê a reversão de créditos de dívidas do PIS/COFINS para produtores que apresentarem propostas de assistência técnica que contribuam para a melhoria do manejo do setor leiteiro.

Agroindústrias

Como acontece em todas as feiras relativas ao setor produtivo de Rondônia, a Rondoleite também foi vitrine para as agroindústrias que processam leite e fabricam produtos derivados como doces em barra e compotas, queijos e iogurtes, procedentes de diversos municípios do Estado, como as chocolateiras da Associação dos Agricultores Familiares do município de Teixeirópolis, que tem 19 associadas e produzem bombons (trufas) e barras de chocolate puro, ao leite e com açúcar mascavo. Por enquanto, produzem para venda nos eventos e estão investindo a renda na compra de equipamentos como freezer, máquina para refinar e produzir o chocolate. O projeto total, que recebe consultoria da Emater, por meio da extensionista Fátima Janones, está sendo analisado na Caixa Econômica Federal.

Assim como as chocolateiras de Teixeirópolis, Rosângela Alves Saiter, da Agroindústria Familiar Bom Princípio, de Vale do Paraíso, também não se contentou em somente produzir leite e aperfeiçoou uma receita de iogurte, que proporciona à família uma renda entre oito a dez mil reais mensais. Tocava lavoura de café com o marido e os filhos e ainda trabalhava numa escola. Mas, de 2010 para cá, a família construiu a empresa que atualmente processa dez mil e quinhentos litros de leite ao mês na fabricação de iogurte, vendido para escolas da região, auferindo renda do programa da merenda escolar. Hoje, garante Rosângela, compra o leite da vizinhança e paga um preço mais competitivo para os produtores. Também relata que recebeu apoio e incentivo do governo estadual, que forneceu os equipamentos para a fabricação do iogurte. Segundo ela, esses eventos são a melhor propaganda para a venda dos produtos.

E, por falar em propaganda, nada melhor do que cuidar pessoalmente do marketing empresarial, como Valmiro Ferreira Pandinho, da Agroidústria Nova Prosperidade em Nova Dimensão, município de Nova Mamoré, que fabricou um queijo mussarela de 55,5 quilos para ser aberto pelo governador Confúcio Moura e a secretária Mary Braganhol, tornando-se parada obrigatória para o tira-gosto de todos que passaram por seu estande.

Fonte: 010 - SECOM - GOV/RO

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