RESMUNGAR - Max Diniz Cruzeiro - News Rondônia Resmungar é o ato de contrair a parte interna das bochechas, frigir os lábios em sinal de murmúrio sonoro sem a real intenção de gerar a fala em som audível.

Porto Velho,

Segunda-Feira , 26 de Setembro de 2016 - 15:07 - Colaboradores


 


RESMUNGAR - Max Diniz Cruzeiro

Resmungar é o ato de contrair a parte interna das bochechas, frigir os lábios em sinal de murmúrio sonoro sem a real intenção de gerar a fala em som audível.

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Resmungar é o ato de contrair a parte interna das bochechas, frigir os lábios em sinal de murmúrio sonoro sem a real intenção de gerar a fala em som audível, para expressar algo que se ressente como forma de extravasar uma angústia que não se consegue conter.

Geralmente com a expressão da boca o resmungador contrai a face e frigi também os olhos numa fixação em que a contrariedade coze a pessoa alvo do rancor por dentro.

O corpo aquece e um ciclo de pensamentos hediondos toma conta do indivíduo sofredor, numa tentativa única de revide que se constrói a partir de um constrangimento em que o sujeito não aceita passar por isso deixa passar pela expressão do resmungue, como um filtro que deixou passar algo interno seu forte demais que não fui suficientemente planejado para suportar a pressão exercida.

Então ciclos de pensamento passam a conviver com o indivíduo até que sua angústia seja completamente sanada. E o indivíduo passe a não mais a afetar no sentido de ressentimento da ação que o influenciou estrangeiramente.

Um rol de motivos parece tomar conta do sujeito que abastece sua mente com “verdades” em que ele passa a se apoiar para dar ainda mais sentido ao senso de reclamação.

A boca passa cada vez mais a captar palavras de baixo calão para expressar sua revolta em relação a outros seres em que o indivíduo sinaliza não ser sensível a sua real necessidade.

E apenas quando o desejo do indivíduo que resmunga é satisfeito que sua habilidade para “amaldiçoar” as pessoas do seu convívio cessa em termos de desejar-lhes que o mal passe a atingi-los.

Por outro lado, o sujeito resmungador pode ser vítima de si mesmo, quando ele passa a canalizar este mecanismo quando se percebe que somente é satisfeito quando sua ação de resmungar resulta em benefício visualizado pela atitude de solidariedade que parte de outras pessoas.

Então a boca passa a inundar de insultos e palavrões, e as pessoas do convívio passam a temer o comportamento do indivíduo afetado.

Mais uma vez, se o amparo não for realizado com o devido esclarecimento, o indivíduo passa a perceber outros indivíduos como massa de manobra, e a sentir emanações de concentração de poder em relação as suas atitudes. Razão que passará a tocar o terror cada vez mais de forma mais esquematizada a fim de tirar vantagem dos seus resmungues.

O resmungador teme que seu entendimento se exposto venha a lhe aplicar uma pena por parte de terceiros e ele venha a perder um certo status perante a sociedade, por isto ele parte para uma via tangencial ao que se pressupõe estar protegido da incompreensão que ele mesmo gerou, mas que ele apenas a observa como sendo a incompreensão alheia.

Atividades expansivas são requeridas principalmente para crianças todas as vezes que o efeito do resmungue for verificado. Para fazer com que a criança tenha o entendimento que a exposição consciente do que verdadeiramente pensa não será revertida como uma forma de penalização, mas como uma forma de expor o que verdadeiramente se sente e que se espera em caso de alguma incompreensão que os tutores ou professores faça o devido ajuste para fazer com que a criança exerça sobriamente suas atividades de sua idade.

A criança deve entender que não é o apoio exclusivo sobre os fluxos do pensamento que ela irá encontrar a paz e a tranquilidade desejada, mas a confiança que deposita sobre outros indivíduos que estão com ela e que fazem parte do seu agrupamento. O efeito moral que uma repreensão pode provocar em uma criança deve ser seguido sempre de uma explanação que desenvolva o seu senso crítico e que lhe permita contra argumentar aquilo que ela verdadeiramente sente.

Assim também deve compreender os pais, tutores e professores, que em determinados momentos também a vontade da criança deva ser alvo de prevalência para que ela possa perceber que está construindo o seu direito de cidadania na construção do seu espaço sensorial e afetivo.

A criança deve entender tão cedo que ela deve se limitar em relação ao seu avanço sobre o espaço porque ela comuta partilha ambiental e que concorrente a ela existem outras vontades e desejos que também em seu tempo devam ser satisfeitas, uma vez que os recursos são escassos e todos devem aprender a compartilhar e a dividir elementos de uso coletivo e individuais.

No sinal de constância do resmungue, deve ser o indivíduo procurado para expandir a sua aflição a fim de que o cuidado preventivo tire o indivíduo da angústia instalada e o recoloque a par da verdadeira situação em que se constrói a realidade grupal.

Porque o resmungue leva a uma evidência do distanciamento do sujeito projetivamente da realidade, em que os laços de discórdia são cada vez mais significativos, e não há outra solução a não ser expor aquilo que não caminha bem, para fazer com que todos se ajustem as necessidades individuais uns dos outros.

E esta frustração que não se consegue conter passa a acompanhar o sujeito dentro de um constrangimento interno em que a subversão passa a ser a imagem cristalizada do temor da aceitação em seus sonhos, em que a história de vida passa a comutar mecanismos de privação em que o sujeito passe a perceber em todos os elos que afetam suas angústias e a partir deste porto seguro de seu desterro, passar a se ausentar tornando-se um indivíduo cada vez mais isolado do contexto social. Porque este é o caminho que ele consegue perceber dentro de sua cela no sentido da caverna de Platão isolado no tempo e espaço porque ele está em uma prisão psíquica.

Fraternalmente,

 

Max Diniz Cruzeiro

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Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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