Domingo, 21 de Janeiro de 2018 - 20:02 (Colaboradores)

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PORTO VELHO QUER ÁGUA E ESGOTO - POR JOSÉ HIRAN DA SILVA GALLO

A análise das políticas públicas de saneamento no País mostra ainda que mais de 100 milhões de habitantes não contam com coleta ou tratamento de esgoto.


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No Brasil, 35 milhões de pessoas não contam com acesso ao serviço de água tratada. Além disso, a cada 100 litros de água coletados, em média, apenas 63 litros são consumidos. Isso significa dizer que quase 40% da água encaminhada para as casas e estabelecimentos comerciais se perde no meio do caminho. 

A análise das políticas públicas de saneamento no País mostra ainda que mais de 100 milhões de habitantes não contam com coleta ou tratamento de esgoto. Nos estados da Região Norte, apenas 16,42% do esgoto é tratado e o índice de atendimento total é de 8,66%. Esses dados constam de estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil, que apresenta um ranking do saneamento no País a partir da análise de informações oficiais.

Afinal, todos concordam que o saneamento básico é fator essencial para o desenvolvimento, contribuindo para a melhoria dos indicadores epidemiológicos, reduzindo o número de casos de doenças infectocontagiosas.

Segundo o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), 65% das internações de crianças menores de 10 anos são causadas por doenças decorrentes da fragilidade ou inexistência de redes de esgoto e água tratada.

No entanto, as consequências não param por aí: a falta desses serviços repercute também no desempenho escolar, pois jovens que vivem em locais desprovidos de saneamento básico têm um rendimento médio 18% inferior ao daqueles que não convivem com esse problema.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) corroboram com essa percepção ao apontarem em diferentes documentos o papel do saneamento na prevenção e combate de casos de diarreia, dengue e leptospirose.

O Trata Brasil, ao elaborar o levantamento que aponta os 10 municípios do País com melhores e com piores desempenhos na oferta do acesso à agua e ao esgoto, ilustra bem o tamanho do caos. Por exemplo, no período de 2007 a 2015, as 10 piores cidades do Ranking do Saneamento elaborado registraram 92.338 internações por diarreia contra 22.746 internações nas 10 que apresentam melhor desempenho.

Nos locais onde a situação é mais precária, a taxa de internação média foi de 190 casos para cada grupo de 100 mil habitantes, no período considerado. Na outra extremidade, esse índice ficou em 68,9. O mesmo se nota com relação à dengue.

Nos 10 municípios com pior desempenho, o número de casos diagnosticados (145.690 pessoas), entre 2007 e 2015, foi três vezes maior do que nos que estão no topo do rankig (42.977). Essa situação também teve reflexo no número de internações (19.102 contra 4.728) e de óbitos (149 contra 33) por complicações geradas pela doença.

Dos 100 maiores municípios brasileiros analisados, consta Porto Velho, a capital do Estado. Infelizmente, ela figura no grupo dos 10 que têm piores performances em diferentes indicadores, oscilando entre a 97ª posição e a lanterninha absoluta.

No que se refere à oferta de água tratada, Porto Velho fica na 99º, a frente apenas de Ananindeua (PA). Ou seja, do total da população da capital rondoniense, incluindo áreas urbanas e rurais, apenas 33,96% possuem esse serviço. Quanto ao esgoto, a situação é ainda mais grave.

Do total de porto-velhenses, somente 3,71% contam com esse tipo de coleta, sendo que nenhum deles – nem da cidade e nem das fazendas – tem os seus dejetos e detritos tratados. Esses números que sinalizam a gravidade do problema precisam mudar.

Cabe aos gestores do Estado e da Capital a tomada de decisões necessárias para tirar o município dessa colocação vexatória. Que sejam feitos mais investimentos e que o recurso já disponível seja melhor gerido. É isso que o cidadão espera de quem tanto prometeu. Afinal, Porto Velho quer apenas isso: água e esgoto coletados e tratados.

Fonte: José Hiran da Silva Gallo - News Rondônia

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