PORTO VELHO: MORADORES DO BAIRRO TRIÂNGULO DENUNCIAM ABANDONO PELAS AUTORIDADES - News Rondônia Confira na primeira parte da série Triângulo: O fim de um bairro, do jornalista Emerson Barbosa.

Porto Velho,

Terça-Feira , 19 de Maio de 2015 - 11:24 - Colaboradores


 


PORTO VELHO: MORADORES DO BAIRRO TRIÂNGULO DENUNCIAM ABANDONO PELAS AUTORIDADES

Confira na primeira parte da série Triângulo: O fim de um bairro, do jornalista Emerson Barbosa.

ImprimirImprimir página

Por Emerson Barbosa

2014 será um ano que poucos Portovelhenses terão a capacidade de esquecer. Um ano depois da maior catástrofe ambiental causada pelo transbordamento do Rio Madeira muitas pessoas ainda carregam as marcas de uma tragédia que poderia ter sido evitada.


fotos: Marcos Freire/DECOM

Uns culpam a construção das hidrelétricas de Santo Antonio e de Jirau, outros defendem os projetos e afirmam que a culpa é das chuvas nas cabeceiras dos rios bolivianos. A própria presidente Dilma Rousseff quando esteve em visita durante a cheia também arrumou um álibi. É veio lá dos Alpes peruanos. Porém enquanto as autoridades discutem os verdadeiros culpados as famílias atingidas continuam contabilizando e vivendo o mesmo prejuízo. Confira na primeira parte da série Triângulo: O fim de um bairro, do jornalista Emerson Barbosa.


foto: Raimundo Brito

Dona Leonilda Alves é filha de uma peruana com um brasileiro. Natural do Forte Príncipe, região de Costa Marques foi levada ainda pequena pelos pais para Guajará-Mirim e de lá seguiram para a extinta vila de Santo Antonio, onde conheceu o amor da sua vida, como ela deixa bem claro. Um ex-maquinista da estrada de ferro Madeira Mamoré. Juntos constituíram uma família, filhos que chegaram à vida adulta todos criados numa casa de madeira localizada na Rua Madeira Mamoré, as margens do Rio Madeira e de onde só deixou no ano passado após ser retirada a força justamente pelo rio que a viu crescer.

O bairro Triângulo fica as margens do Rio Madeira, o principal afluente do Estado de Rondônia. É um bairro que se confunde com a própria existência de Porto Velho. Nele viviam antes da enchente as primeiras famílias que ajudaram na construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM). Como por exemplo, o esposo da dona Leonilda Alves que trabalhava na companhia como maquinista.


foto: Raimundo Brito

Na grande enchente do rio madeira, a exatamente um ano quando foi registrada a marca histórica de 19,42 (dezenove metros e quarenta e dois centímetros) as famílias do Triângulo e regiões, que compreendem o Baixa da União foram as mais prejudicadas. Além das áreas centrais de Porto Velho. Em fotos de arquivo é possível entender a dimensão do que foi considerada uma catástrofe anunciada. Nada escapou. Prédios públicos como da Justiça Eleitoral e até mesmo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tiveram que ser evacuados.


foto: Jodilson Lacerda

A incerteza de uma nova cheia é o que tem feito as próprias autoridades se afastarem destes locais. E assim como o bairro Triângulo tudo se transformou num registro da falta de planejamento do poder público, que não se preocupou em montar um plano estratégico que cobrisse qualquer dano causado pela construção das estatais energéticas.

A pergunta é: ainda é viável voltar para esses locais? Essa é uma resposta que o município ainda deve a população. Durante a diplomação do governador Confúcio Moura o desembargador, e presidente do (TRE) Péricles Moreira Chagas solicitou do chefe do executivo estadual recurso para que fosse construído um novo local para a instituição, que desde que deixou sua antiga sede tem funcionado anexa ao novo palácio do governo, no centro político administrativo (CPA). Ás pressas famílias abandonaram suas casas, largando para trás todo um investimento de uma vida.


foto: Raimundo Brito

Quem pode foi para a casa de parentes. Enquanto outras pessoas sem terem para onde ir esperaram a água baixar em abrigos improvisados pela defesa civil. Desde essa época a vida desses moradores tem mudado de rotina. Más, a enchente do rio madeira trouxe junto com as águas uma avalanche de problemas e com eles vieram também muitas dúvidas.


foto: Raimundo Brito

A começar pela retirada das famílias desta região, é que boa parte dos bairros afetados estão em áreas condenadas pela defesa civil. Com a vazante alguns meses depois os mais resistentes e também por não ter outro lugar para viverem voltaram para as suas casas, convivendo no meio do caos e abandono num local que mais parece uma vila fantasma.


foto: Raimundo Brito

É o caso de Natan de Oliveira que carrega no sobrenome uma família importante. O irmão Jorge Alagoas foi um dos personagens que contribuiu para o desenvolvimento do que hoje compreende as terras do meio oeste, onde está Jacy-Paraná. Com 78 anos, ele não esperava chegar a essa altura da vida tendo a incerteza que a qualquer momento o sustento da família e de nove empregados poderá acabar.


foto: Raimundo Brito

De acordo com a líder comunitária, Araci Silva, a solução encontrada pela prefeitura era colocar as famílias em apartamentos construídos na administração do antigo prefeito Roberto Sobrinho. Porém o local até hoje se resume a uma construção inacabada e totalmente fora dos padrões exigidos até mesmo pelas obras do programa minha casa do governo Federal. O que eles não aceitaram. Outro projeto que também foi lançado na gestão de sobrinho afastado do cargo pela acusação de desvio de recurso público foi de transformar área do Triângulo num projeto que levaria o nome de Parque das Águas.


foto: Raimundo Brito

Porém quase dez anos depois da conclusão do projeto e do anuncio pelo ex-prefeito tudo continua igual, agora bem pior após a cheia. Os trilhos da Estrada de Ferro Madeira Mamoré por onde passavam as locomotivas construídas para fazer o transporte da borracha, no século passado conta a história e existência de Porto Velho. Hoje uma metrópole em plena Floresta Amazônica. Uma história ainda viva, más, ameaçada, justamente por quem deveriam ter o cuidado de ajudar a preservar o governo.

A falta de um planejamento pelo poder público para conter o avanço das águas do rio madeira dentro da cidade de porto velho já mostrou sinais de que as coisas podem piorar. Parte da principal Rua do bairro Triângulo a Madeira Mamoré, que passa justamente em frente à casa da dona Leonilda Alves a erosão levou embora,más, não foi apenas a rua que deixou de existir, os trilhos da estrada de ferro que também passavam no local foram engolidos. E pelo avanço das águas do Rio Madeira pouca coisa vai restar.


foto: Raimundo Brito

“O Roberto Sobrinho (ex-prefeito de porto velho) pediu na época para os funcionários dele fazer um levantamento do bairro Triângulo. E esperto como ele foi até Brasília e levou para o Ministério das Cidades esse projeto, o qual classificava os moradores do bairro de invasores. E estávamos vivendo aqui em condições desumanas. Diante disso nós fizemos um requerimento e enviamos ao Ministério das Cidades para que eles visitassem e constatassem que tudo que ‘Sobrinho’ havia posto num papel era mentira á nosso respeito. Sendo assim o MDC protocolou um documento pedindo que o município tratasse as famílias do bairro Triângulo como parte da história”, esclarece o contador e morador do bairro, Luciano Barroso.

NOTICIAS RELACIONADAS

Fonte: Emerson Barbosa

Comentários do Facebook

Veja Também

Publicidade

  • Http://www.Auto-doc.pt