Terça-Feira, 16 de Junho de 2015 - 12:07 (Colaboradores)

POPULAÇÃO DE JACY-PARANÁ VIVE O PREÇO DA ‘NEGLIGÊNCIA’

Como o fim de algumas frentes de trabalho restou as essas meninas e aos prostíbulos pedir passagem. Muitas delas foram ganhar a vida na construção da Usina de Belo Monte, em Altamira, no Pará. Em meio a tanta história triste um fato cômico no meio de tudo isso.


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Da noite para o dia Jacy-Paraná um lugar tido até então pacato e sem muitas perspectivas recebeu um batalhão de homens na corrida para construir um dos maiores empreendimentos brasileiros, como foi a Usina Hidrelétrica Jirau. As conseqüências dessa invasão foram gravíssimas e bastante influenciadoras, principalmente para a cultura. Soltos e famintos por sexo esses homens chamaram a atenção para o comércio do corpo, um prato cheio para as prostitutas que assediadas por cafetinas montaram um verdadeiro harém.

Garotas de programa invadiram o vilarejo, vindas de vários cantos do Estado e também de fora dele. A conseqüência desse boom de pessoas foram às doenças, o HIV ate hoje bate a porta de Jacy. É o que você acompanha na segunda parte da série: OS ESQUECIDOS. Reportagem de Emerson Barbosa, fotos de Raymundo Brito.

Na principal rua do distrito de Jacy-Paraná, há 88 quilômetros de Porto Velho existiu num passado que não é muito distante uma vida noturna bem agitada. No cair da noite os centenas de bares e inferninhos animavam os milhares de operários que vinha pra cá em busca de diversão e sexo.

Com homens e dinheiro circulando pelo vilarejo não demorou muito para atrair atenção de mulheres. No auge da construção da usina hidrelétrica mais de 60 prostíbulos foram abertos. Ambientes dominados por prostitutas, cafetinas e também garotos de programa que passaram a se relacionar com homens sedentos por sexo.

 

Muitas delas chegaram aqui apenas com uma mala a tira colo, na ânsia de ganhar a vida da forma mais rápida. Outras aproveitando a facilidade para conseguir dinheiro se especializaram na arte do sexo. Essa jovem que prefere não ser identificada resolve conversar com a gente. Depois de um bom papo de convencimento ela conta como eram as noites badaladas e quentes Jacy. E numa dessas chegou a ter relação sexual com oito homens. 

Mesmo com a quantidade de rapazes que se deitou a garota de programa declara que jamais fez sexo onde o parceiro não usasse o preservativo. A jovem que é de Ariquemes abre o coração, e fala das amarguras, dos medos e da grande paixão que viveu com um de seus clientes. A dona do prostíbulo uma senhora que apresenta mais ou menos seus 40 anos se mostra bem humorada. Ela relata os momentos de uma vida marcada por dinheiro e mortes. Meninas que casaram e foram embora, outras que perderam tudo e ainda aquelas que morreram doentes. Com o mercado do sexo em baixa agora ela tenta juntar dinheiro pra recomeçar a vida com os dois filhos no Acre.

Enquanto a conversa continuava ali mesmo pertinho de nós na rua  uma mulher marcava um encontro com um homem que estava dentro de um carro. E tudo aconteceu às claras. As várias perguntas e aproximação nossa com as meninas começam chama a atenção.

De dentro de um carro vermelho com caixas de som sobre o teto está um casal. De repente o homem sai e tenta saber o que está acontecendo. Ele é um cafetão, uma espécie de agenciador das garotas. Nesse momento me despeço das meninas e saio. No meio de tantas situações elas ainda me lembram a religiosidade, com a palavra ‘vai com Deus’.

Como o fim de algumas frentes de trabalho restou as essas meninas e aos prostíbulos pedir passagem. Muitas delas foram ganhar a vida na construção da Usina de Belo Monte, em Altamira, no Pará.  Em meio a tanta história triste um fato cômico no meio de tudo isso. “Logo que começou a enchente muitos bares  fecharam e nesse meio os prostíbulos também por conta do fim de algumas frentes de trabalho. Meu esposo tinha um caminhão Mercedes. Como a dona do bordel não queria pagar passagem para as meninas seguirem de ônibus o que a gente fez.

Pegamos uma cama colocamos sobre a carroceria do carro e elas subiram e foram ali mesmo sentadas. Já no Pará por pouco a ‘mercadoria’ não é extraviada. O caminhão num determinado ponto de uma ribanceira quase despenca matando todo mundo. Foi um ‘corre-corre’ um ‘grita-grita’, más, tudo se normalizou e o produto chegou pronto para ser usado novamente”, lembra à moradora sorrindo da situação no mínimo trágica.

A garota pode ser considerada uma sortuda no meio de tantos infectados que agora por vergonha da sociedade procuram esconder o rosto. A vida fácil trouxe dinheiro, más também conseqüências graves para muita gente em Jacy-Paraná.

Nesse posto de saúde que por sinal é o único que regulamenta os infectados com o vírus da AIDS, no distrito, é feita uma espécie de triagem dos doentes. Quando identificadas as vítimas por meio de exame elas passam a ser acompanhadas por especialistas em Porto Velho.

Como muitas delas descobriram tarde a presença do vírus acabaram vindos a óbito. Para essa enfermeira isso é ruim, pois o comportamento de vida que essas pessoas podem está levando na sociedade é um risco para outros indivíduos que por ventura venham a se relacionar com ela.

Dos 52 municípios rondonienses á maioria dos soropositivos se concentram naqueles que ficam no eixo da BR-364, como Porto Velho. Dados da secretaria de Estado da Saúde, (Sesau), 2014 fechou com um total de 683 casos confirmados de HIV. Destes 381 estão na capital. Nos cinco primeiro meses deste ano já são 182 os contaminados com a doença em Rondônia, 83 somente em Porto Velho. Os números relacionados à capital incluem os diagnosticados de Jacy-Paraná.

E amanhã na ultima parte da série: Os esquecidos você vai acompanhar outra realidade vivida hoje em Jacy-Paraná. A vida das mães solteiras que após os relacionamentos tórridos foram abandonadas pelos maridos de passagem. Os chamados barrageiros. Vamos mostrar também outra disparidade com a chegada do progresso: a de crianças que nasceram sem conhecer os pais. E ainda: a história de um garoto que aos nove anos começou a usar crack, e agora luta pra se livrar do vício da dependência. Não perca é amanhã na última parte da série: Os Esquecidos, de Emerson Barbosa, imagens de Raymundo Brito.

Fonte: NEWSRONDONIA

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