Sexta-Feira, 20 de Outubro de 2017 - 18:03 (Colaboradores)

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POLÍTICA & MURUPI: TRABALHO ESCRAVO - POR LEO LADEIA

Onde há escravo também há senhor, feitor, gato, fiscal, até a lei. E se há ideologia dos dois lados não é enfraquecendo mais fraco que se resolve a questão. A PGR Raquel Dodge conversou com o ministro e ele até aceita parte do que ela sugere.


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“Para mim o chefe era outro” – Renan sobre Geddel, tido pela PGR como chefe da quadrilha.

1-Blindagem = impunidade

O jornal El Pais traz o tema à baila na visão de um analista estrangeiro: “No momento mais crítico da investigação, a Operação Lava Jato deixou de oferecer risco e virou uma oportunidade para o Congresso”. Em troca de blindagem Temer chegou ao cúmulo de mudar regras sobre fiscalização do trabalho escravo. 

O analista Christian Dunker diz: "É um sistema de chantagens mútuas. Quem está governando não tem poder para alterar as regras pelas quais o poder é redistribuído e tem que pagar um preço cada vez mais caro para obter o mesmo efeito”. O trem tá feio aqui e lá fora.

2-Trabalho escravo

Onde há escravo também há senhor, feitor, gato, fiscal, até a lei. E se há ideologia dos dois lados não é enfraquecendo mais fraco que se resolve a questão. A PGR Raquel Dodge conversou com o ministro e ele até aceita parte do que ela sugere. 

Já Temer, o fraco, diz que pode alterar e não revogar a burrice do ministro e apresenta uma razão tão fraca quanto ele: “O ministro do Trabalho me trouxe aqui alguns autos de infração que me impressionaram. Um deles, por exemplo, diz que se você não tiver a saboneteira no lugar certo significa trabalho escravo”. Isso aí é o presidente.

3-Justiça do Trabalho I

Com o fim da Justiça do Trabalho já sinalizado, discute-se o que fazer com a pesada estrutura? É certo que ninguém vai perder o emprego e o caminho mais lógico é que a Justiça Federal absorva acervo e o pessoal, incluindo magistrados e servidores e claro com requalificação e readaptação de carreiras. 

Ministros do TST assumiriam vagas no STJ e as varas trabalhistas se transformariam em varas federais multifuncionais. Considerando apenas o custo benefício a ideia é excelente.

4-Justiça do Trabalho II

E quem cuidará da investigação e combate aos casos de trabalho análogo à escravidão? Apesar de ser mais uma tarefa dentre as muitas que executa, a Polícia Federal é a força que detém know-how, credibilidade, tecnologia e apoio irrestrito da sociedade e dos poderes constituídos, ou seja é talhada para o serviço. 

Pelos resultados obtidos, custos envolvidos e manutenção da cara, aparelhada e ineficiente estrutura é melhor que as partes tenham a Justiça Federal para dirimir eventuais conflitos com apoio dos sindicatos e das varas de conciliação.

5-Baita refresco pro Banco Itaú

A cobrança dos tributos sobre a fusão do Banco Itaú e do Unibanco era o processo de maior valor que tramitava no Carf – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Bancos são poderosos e ricos e o Carf sabe disso tanto quanto eu e você. Claro que isso é irrelevante, mas me deixa com uma caraminhola enroscada no juízo. 

É que no julgamennto do recurso o Carf decidiu por 5 votos a 3, que o Itaú não precisa pagar impostos no processo de fusão com o Unibanco. Isso representa uma merreca de R$ 25 bilhões contra a Receita Federal que por sinal é quem comanda o Carf. E aí bateu a dúvida também? O Brasil é o país das coisas estranhas. R$25 bilhões! É muito né?

6-Rachando o prêmio

O presente de natal antecipado que o Carf deu para o Banco Itaú daria para comprar 1.000 carros populares ou 2.500 motos Biz ou ainda 2 milhões de telhas de fibro cimento. Será que o Itaú vai dividir o presente com o povão? Só estou perguntando por perguntar. Vai que cola né...

leoladeia@hotmail.com
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Fonte: Leo Ladeia/NewsRondônia

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