Sexta-Feira, 29 de Abril de 2016 - 17:24 (Hidreletricas do Madeira)

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PESQUISADORES DA UNIR DIVULGAM RESULTADO DE ESTUDO SOBRE IMPACTOS DAS USINAS HIDRELÉTRICAS NA REPRODUÇÃO DE BAGRES

A presença de larvas e jovens de dourada durante todo o ano, ou seja um ciclo hidrológico completo, sugere que a reprodução dessa espécie ocorre de forma assincrônica nas cabeceiras do rio Madeira.


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A equipe de pesquisadores e alunos do Laboratório de Ictiologia e Pesca da Fundação Universidade Federal de Rondônia (LIP/UNIR) e alguns parceiros realizaram um estudo de caso referente à ocorrência de jovens das espécies de grandes bagres migradores do gênero Brachyplatystoma spp. (conhecidos como dourada, filhote ou piraíba, babão), reconhecidas como as espécies mais afetadas pelos empreendimentos do Madeira de acordo com o Programa Básico Ambiental. O artigo analisou os padrões espaciais e temporais da distribuição desses jovens no antigo trecho de corredeiras do rio Madeira, antes dos impactos ocorridos com a instalação das UHEs.

Esses grandes bagres possuem ciclo de vida longo e grande importância na pesca comercial em toda Amazônia (ex. dourada, Brachyplatystoma rousseauxii; foto). Estas espécies utilizam toda a extensão da bacia amazônica para completar seu ciclo de vida, com reprodução no sopé Andino e deriva dos ovos e larvas sentido estuário do rio Amazonas, onde passam os primeiros anos de vida.

Os resultados do estudo mostraram que as larvas e jovens desses grandes bagres ocorriam em baixas abundâncias em todo o antigo trecho de corredeiras do rio Madeira, independente das corredeiras. Com grandes áreas de planície de inundação, a porção boliviana da bacia do rio Madeira (acima da área do estudo) pode estar retendo parte das larvas e jovens oriundos de reproduções no sopé andino. A espécie mais abundante no estudo foi Brachyplatystoma rousseauxii (a famosa e saborosa dourada). A presença de larvas e jovens de dourada durante todo o ano, ou seja um ciclo hidrológico completo, sugere que a reprodução dessa espécie ocorre de forma assincrônica nas cabeceiras do rio Madeira.

Os autores do artigo são: Ariana Cella Ribeiro e Carolina R. C. Doria e Luciana F. Assakawa, do Laboratório de Ictiologia e Pesca (LIP) da UNIR; Jansen Zuanon e Rosseval G. Leite, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa);  Gislene Torrente-Vilara, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Universidade Federal do Amazonas (UFAM); e Fabrice Duponchelle, do Institut de Recherche pour le Développement da França.

Fonte: Unir

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