Quarta-Feira, 20 de Setembro de 2017 - 17:28 (Colaboradores)

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OS CONTOS DE FANTASMAS E OS MISTÉRIOS DA ANTIGA PORTO VELHO

Enquanto isto, as crianças ficavam em absoluto silêncio. Era uma grande diversão, principalmente no período das festas juninas, que eram comemoradas com muita fogueira, rigorosamente no mês de junho. Vamos então aos relatos.


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Por Paulo Ayres

Na antiga Porto Velho era comum as rodadas de conversas, reunindo vizinhos por horas na parte da noite, em frente às suas casas. Sem shopping, sem televisão e sem celular, os contos eram relatados, e entre um tema e outro, o cafezinho, o cigarro, ou mascar tabaco (vendido inclusive a retalho na Mercearia do Acreano) incrementava o ambiente. Enquanto isto, as crianças ficavam em absoluto silêncio. Era uma grande diversão, principalmente no período das festas juninas, que eram comemoradas com muita fogueira, rigorosamente no mês de junho. Vamos então aos relatos.

Dizem os antigos que existe um enorme túnel fazendo a ligação da primeira loja maçônica de Porto Velho (próximo da Igreja Catedral), até o Rio Madeira. Ninguém nunca explicou qual era o objetivo deste túnel. Alguns especulam se tratar de uma rota de fuga. Também existem muitos contos do macabro labirinto existente nas proximidades do Forte Príncipe da Beira. Moradores falam do aparecimento de um cachorro misterioso, de gemidos, e de uma mulher de branco.

Além das cirurgias fantasmas no antigo Hospital São José (hoje ocupado pela Astir), o local também envolve um caso escabroso. Dizem que antigamente perambulava por lá, um cidadão baixinho e velhinho, que sempre andava com uma espécie de farda. Asseguravam os antigos, que esta pessoa misteriosa sempre ficava “rondando” o antigo necrotério (hoje denominado de capela), pois quando algum cadáver feminino ficava na pedra (naquele tempo não existia IML) a espera do translado, o dito cujo adorava fazer sexo com as mortas.

Também existem relatos de “pegadinhas mortais”. Existia um comerciante famoso por colecionar relacionamentos. Certa noite, numa festa carnavalesca (no Danúbio ou Bancrévea – clubes sociais da época), este “pegador” como seria intitulado nos dias atuais, conheceu uma linda moça. Ele logo ficou apaixonado. Ao término da festa, apesar da insistência do comerciante, a moça disse que antes de qualquer coisa, ele teria que ir conversar com seus pais. E se despediram.

No dia seguinte, o dito cujo foi ao endereço informado. Ao chegar ao local perguntou sobre a moça, dizendo seu nome. A mulher que lhe atendeu (mãe) ficou inicialmente confusa e também com raiva, pensando se tratar de uma grosseria ou zombaria. Logo a seguir, chamou outras pessoas da família, e o comerciante relatou então o que havia acontecido na noite anterior. Foi então convidado a entrar em casa e lhe foi apontado um quadro na parede, e o comerciante confirmou. Era ela. Então lhe foi informado, que a moça do quadro havia morrido, e em vida não namorou ninguém. O comerciante é nome de rua atualmente em Porto Velho.

Não se sabe exatamente se era para “meter” medo nos homens, mas existe ainda o caso de uma linda jovem que passou a noite com um certo homem. Após juras de amor eterno, a moça pediu então o casaco do companheiro, pois era madrugada e fazia muito frio. Em seguida solicitou a jovem que fosse levada para casa. O namorador ligou então a sua rural (carro muito antigo, mas que ainda existe alguns circulando por aí) e ela foi informando o caminho. Quando chegaram em frente do Cemitério dos Inocentes, ela disse: “pare aqui, pois vou pra minha casa”. A jovem saiu do carro e ao passar pelo portão do cemitério sumiu.

Ao amanhecer o camarada buscou respostas, e retornou ao cemitério, procurou pessoas dos arredores, perguntando sobre a dita moça. Sem respostas, entrou no cemitério e perguntou ao coveiro se ele conhecia a moça, informando seu nome e características físicas. O coveiro ficou espantado e declarou que havia uma sepultura no local com este nome. O namorador se dirigiu ao local e foi novamente surpreendido. Sobre o túmulo da sua namorada fantasma, estava exposto o seu casaco.

No tempo que a prostituição era liberada, os “puteiros” também figuram nos contos de fantasmas e mistérios da antiga Porto Velho. Dizem que um certo ferroviário se deu muito mal ao exceder na bebida e resolver dormir com uma prostituta. Pela madrugada, sentiu vontade de urinar e ao se levantar da cama, constatou que não estava dormindo com uma mulher, e sim com uma cobra. Resultado: correria, gritos e a noite acabou se convertendo a uma igreja evangélica.

Na década de 70 a filha de um grande empresário, usuária de droga veio a falecer. Dias seguintes da morte, todas as noites, familiares ouviam o choro da jovem. A bisavó teve a ideia de irem ao cemitério e desenterrarem o corpo. Para surpresa de todos, a jovem estava de bruços. Fora enterrada viva. Novamente o corpo foi colocado na posição correta. Coincidência ou não, a partir de então, o "império" da família foi se desmoronando, e inúmeras desgraças envolveram membros desta ex-poderosa família.

Na década de 80, o filho de um servidor público veio a falecer, em conseqüência de overdose. Neste caso existem testemunhas. Durante o velório, o espírito do defunto se incorporou (encarnou) no corpo da sua irmã e chorando muito pediu perdão aos pais pelo que tinha feito e por ter provocado tanto sofrimento. Algumas pessoas presentes saíram correndo do local, apavorados com o acontecimento.  Após alguns instantes, o pai e a mãe começaram a ouvir a confissão do morto. A voz foi identificada e todos acreditaram se tratar efetivamente de um fenômeno espiritual. Aconteceu no bairro do Mocambo.

O Palácio Presidente Vargas também já foi palco de muitas “visagens” (é desta forma que os antigos portovelhenses falam). Naquela época não existia a figura de vigilante, e então os guardas territoriais (antecessores dos policiais militares) faziam a segurança do local. Muitos saíram correndo, porque ao passar principalmente pelas salas do 1º andar do lado esquerdo, se ouvia muito barulho de maquina datilográfica em plena madrugada.

Na Assembleia Legislativa, principalmente nas salas do último pavilhão, são constantes os relatos de fantasmas. Também dizem existir uma maldição em um determinado gabinete na Assembleia Legislativa, onde a cada legislatura, sempre morre alguém que esteve trabalhando neste local. Quando não ocorrem mortes, surgem casos de prisões e fracassos em campanhas eleitorais. Na legislatura que se encerrou em 2014, aconteceram mortes, prisões e o fracasso da campanha eleitoral.                                                    

Existe ainda o fantasma do judiciário que “ataca” no Fórum Criminal de Porto Velho. Os fantasmas deste local são vistos ou percebidos por servidores que exercem funções em espaços diversos, principalmente os seguranças que trabalham a maior parte do tempo em períodos silenciosos como à noite, aos domingos e feriados. Geralmente, aparecem na biblioteca. Até no banheiro do Tribunal de Justiça, conforme informam os servidores, a alma de um rapaz que teria sido assassinado naquele prédio apareceu.

Agora um caso especial, que segundo os antigos portovelhenses, teria sido presenciado por várias pessoas. Certa feita, durante a celebração de uma missa na Igreja Catedral, o vigário de então, o famoso padre Chiquinho teria ficado suspenso do chão por alguns minutos. Esse caso rendeu-lhe a fama de padre santo. O episódio teria se repetido outras vezes.

Um professor de educação física também passou por momentos de pânico. Certa noite, após reunir-se com amigos no bairro do Triângulo, resolveu ir para casa, e ao caminhar pelos trilhos, ficou surpreso com o aparecimento de um trem que vinha na direção Santo Antônio – praça da EFMM. Estranhando o fato, uma vez que a ferrovia encontra-se desativada, o professor parou e ficou esperando a locomotiva, só que esta nunca completou sua trajetória. Ferrovia do Diabo?

Quem engravidou foi o boto. Por muitos anos, os ribeirinhos antigos acreditaram na estória do malvado e tarado boto, que engravidava as criancinhas e mocinhas residentes ao longo do Rio Madeira. O incrível é que muitos ainda acreditam. Para encobrir incesto e estupro, o culpado era sempre o boto que ao sair do rio se transformava em homem.

Verdade ou mentira,  relatam os antigos, que filho de boto é protegido, não morre afogado e nem de picada de cobra, além de possuir proteção do “povo do rio”. Dizem que o boto é excelente dançarino, sempre de terno branco e chapéu para encobrir um buraco que tem na parte superior de sua cabeça.

Tempo dos “batuques” ou “terreiros de macumba”. Um famoso “pai de santo”, morreu, e apesar das intensas buscas pelo corpo, nada encontraram.  Dizem que os “caboclos” – entidades espirituais, o esconderam por três dias. O cadáver foi encontrado três dias após o sumiço, na frente do altar principal, local bem visível, mas que ninguém o havia encontrado anteriormente.

O tempo passa e novos contos aparecem. Em 1990 um jornalista teria se deslocado de Ji-Paraná para Porto Velho, mas só tem lembrança de sua saída, e posteriormente quando já trafega na rodovia de passagem por Ariquemes. O que aconteceu neste trajeto sem registro de memória e um mistério. O mesmo jornalista teria viajado a noite toda na Br-364, e somente por volta da meia noite, foi que observou que estava com os faróis do carro desligado.

Aparições de fantasmas na Câmara municipal de Vereadores de Jaru. Dizem que no passado, próximo ao local, existiu um cemitério. Aparições relatadas por servidores: pessoas sem rosto, portas batendo, murmúrios e vultos. Existem ainda relatos contundentes sobre luzes misteriosas, que aparecem no distrito de Iata, em Guajará-Mirim. No distrito, luzes estranhas criam formas no céu há pelo menos 15 anos, segundo alguns moradores.

A mulher de branco em Rondônia é o mais recente caso e teria ocorrido em 2012. Um grupo de jovens registrou um vulto do que parece ser a mulher de branco na Br-364 quando voltavam para Porto Velho de uma festa em Jacy-Paraná. O vulto apareceu de madrugada. A mulher estava sem cabeça.  Chega de contos. Vou tentar dormir. Boa noite ou seria bom dia?

 

Formação profissional: Jornalista, Radialista, Técnico Legislativo, Professor, Analista em RH, Tecnólogo em Gestão de  RH,  Consultor em Gestão de RH, Consultor em Ouvidoria na Administração Pública e Consultor em Gestão Ética na Administração Pública.

Funções exercidas: Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Rondônia; Presidente do Lions Club Porto Velho Centro; Presidente da Associação dos Tecnólogos em Gestão de Recursos Humanos do Estado de Rondônia; e Diretor de Comunicação Social da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia.

email: pauloayres_jornalista@hotmail.com
https://www.facebook.com/paulo.ayresdealmeida

Fonte: Paulo Ayres

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