OBSERVAÇÃO DE BEBÊS EM UMA SITUAÇÃO PADRONIZADA (JOGO DA ESPÁTULA) - News Rondônia Baseado na Aula da Doutora Lívia Milhomem Januário.

Porto Velho,

Segunda-Feira , 06 de Junho de 2016 - 07:27 - Colaboradores


 


OBSERVAÇÃO DE BEBÊS EM UMA SITUAÇÃO PADRONIZADA (JOGO DA ESPÁTULA)

Baseado na Aula da Doutora Lívia Milhomem Januário.

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Donald Woods Winnicott foi um pediatra e psicanalista inglês.

Nascimento: 7 de abril de 1896, Plymouth, Reino Unido

Falecimento: 28 de janeiro de 1971, Londres, Reino Unido

Filiação: Sir John Frederick Winnicott, Elizabeth Martha Woods Winnicott

Educação: Jesus College, Universidade de Cambridge

A experiência clínica de Winnicott com crianças de 5 a 15 meses partia de um eixo observacional de autoestímulo e o vínculo relacional dos objetos, período aberto para a mãe e o contexto externo.

O bebê na clínica padronizada de Winnicott está sendo examinado ao mesmo tempo que a mãe está sendo observada, sua relação com essa mãe e a utilização do espaço também computado para efeito clínico.

A importâncias do brincar, do tempo do paciente, entre outros fatores são avaliados neste tipo de clínica como conteúdo importante para o desenvolvimento da análise.

A espátula é um objeto reluzente concebido para ser um repressor de língua que é usado unicamente para distrair a percepção do bebê.

O ambiente é posto da mesma forma que outras crianças são colocadas, cada um em um tempo determinado e o comportamento da mãe e da criança é observado durante o setting clínico.

O que pode surgir da relação do bebê com essa mãe e da mãe para com a criança torna-se um conteúdo de relevante significação para o processo em que ambos: mãe e bebê irão passar diante do setting analítico.

O comportamento da mãe que pode variar desde a forma alheia ao processo, interativa ou dinâmica é visualizado dentro deste modelo de clínica como um fator interveniente no comportamento da criança muito importante para definir as atitudes do bebê nesta fase de vida. Os fatores de interatividade, de perda e transitação na permuta do espaço são fortes componentes influenciados sobre a dinâmica familiar.

Winnicott pensou em uma dinâmica para uma escuta para a criança, em que postulou sobre uma postura da mãe em relação ao comportamento da criança, sua tentativa de enaltecimento do filho e os fatores que a fazem gerar uma intrusão sobre o comportamento da criança na clínica.

Então através da abordagem do jogo da Espátula Winnicott conseguiu extrair três grandes processos comuns a todas as crianças dentro de suas variações, que eram fundamentais para a compreensão clínica e que também estava inserido no tratamento de adultos como uma herança do indivíduo gerado a partir deste período de vida, que poderia ser muito útil fazer um paralelo a fim de construir uma identidade do sujeito que buscava auxílio: hesitação, uso do objeto e finalização.

No primeiro estágio. Hesitação. Winnicott visualizou que a criança era dominada por uma hesitação. No qual se verificou que a criança ao entrar no consultório pela primeira e única vez em que o teste era realizado, era logo atraída pela espátula reluzente e sofria um processo de hesitação para se apropriar do objeto.

O olhar da criança à espera do comportamento dos adultos: de incentivo ou repreensão; provocava um gap sobre o comportamento do bebe no qual Winnicott nomeou como hesitação.

Onde o Médico observou que o bebê quer pegar e buscar uma aprovação ou reprovação dos presentes. No qual a repetição do experimento com outras crianças instruiu Winnicott a perceber que a hesitação era desencadeada por uma percepção de que o bebê precisava de sondar antes de tomar a atitude de avançar sobre o objeto, se era seguro desencadear a reação que o introduziria para a posse do objeto.

A observação do bebê ao mesmo tempo que ele está observando a mãe na consulta psiquiátrica visualizou como comportamento padrão o ato do bebê esconder o rosto na blusa da mãe. Onde o bebê espera e de forma gradual e espontânea se volta para o ambiente a fim de pegar a espátula. Sendo a frase anterior o momento em que o time da hesitação passa e o bebê finalmente intenciona a fazer a ação de sua volição, pois já é capaz de se sentir seguro.

No segundo estágio. Uso do objeto. A boca do bebê torna-se flácida e a saliva fica abundante. Fazendo facilmente a visualização da questão oral que é evidente. O bebê torna-se corajoso para pegar a espátula. Manipula o objeto com a boca e usa-o. Convém esclarecer que previamente a mãe foi orientada para não intervir do processo laboral de seu bebê quando estiver dentro do setting de consulta. Então é fato que a criança passa por uma mudança marcante, na observação deste bebê. Apropriou e utilizou num momento de excitação e uso livre do objeto.

No terceiro estágio. Finalização. Sem querer a espátula cai no chão. O bebê brinca, deixa cair outras vezes de propósito e o objeto lhe é devolvido. Ele passa a manifestar satisfação e se induz a nova queda do objeto, de forma disfarçada, num processo de elaboração da criança em que o objeto passa a “cair sem querer” e o processo passa nesta hora, dentro do setting psiquiátrico, a manifestar num jogo entre a criança e a sua mãe.

Até o ponto em que a criança passa a perder o interesse pela ocupação. Onde a criança pode brincar com o objeto ou na maioria dos casos vir a desenvolver como a forma descrita acima.

Neste ponto era medido por parte do médico a relação mãe-bebê, onde a fase mais relevante era observada durante o período de hesitação escassa ou exagerada. Vindo a se configurar um dado clínico importante.

A sondagem do bebê de procurar por algo e no caso do comportamento exagerado, o bebê exacerba o interesse de pegar. Que poderia representar um caso de inibição severa que remete a possibilidade da preexistência de um sofrimento extremo.

O bebê está no uso do objeto e imediatamente joga no chão, não houve exploração do objeto, onde pode ser identificado a criança com dificuldade de brincar. No qual ela passa a não se apropriar dos objetos. E com a perda do interesse, parte para um novo objeto sem interagir com ninguém. Aqui não há uso do objeto.

Quando na clínica existe ausência de hesitação, a visualização e foco da criança no ambiente ocasiona um estranhamento, a criança passa a não perceber o outro para ver o que ela pode ou não fazer, não percebe a regra, não sonda você e nem tão pouco o ambiente.

Já a criança com hesitação exagerada, o olho facilmente incha d’água, fica muito grudada com a mãe, não consegue explorar o ambiente, fica fixada na fala do médico ou então passa a ter uma dificuldade de utilizar o objeto.

Winnicott percebeu pela repetição do experimento com várias crianças que elas se apropriam do setting com maior ou menor facilidade de acordo com sua fase de desenvolvimento. Sendo algumas delas propensas a destruição de coisas.

No paralelo com pacientes adultos, que hesitam muito em trazer um conteúdo significativo para a sessão, uma resistência e uma dificuldade de passar deste período de hesitação. É comum reações como um suar frio, sem apropriar do próprio corpo, ou entrar em análise.

Na ausência de hesitação, quando a pessoa em análise, que traz um grande conteúdo e vem preparada para falar conteúdos importantes, o ato de expressar-se tudo, e demandar tudo, depois gera uma necessidade de ver a influência da afetação sobre o paciente.

Quando o paciente ocupa todo o lugar do consultório, nos casos que podem ser percebidos como ilustração do indivíduo que mal espera o analista fechar a porta e distribui os seus pertences por sobre o ambiente e ocupa a cadeira do analista como um movimento inconsciente de apropriação de todo o espaço do analista é um caso próprio de fazer valer a própria vontade e que denota uma forte ausência de hesitação.

Na ausência de hesitação, no caso do paciente que despeja tudo de uma única vez, ele atua sem conseguir se apropriar daquilo que ele traz para a análise.

Pacientes adultos com dificuldades de usar o analista por não abrir espaço, após transcorrido o período de hesitação em abrir uma escuta do analista passam a não se sondarem e se colocarem dentro de sua verdadeira posição no ambiente.

No caso de pacientes com timidez exagerada em que sofre de muita hesitação, ao falar facilmente é identificado a sensação de se corar o rosto, onde é verificado uma sensação de sentir-se obrigado a colocar algo, onde ao longo deste processo é facilmente identificável a dificuldade de se passar pelos três estágios abordados no jogo da espátula.

A experiência de desejar, pegar e apossar sem a interferência do meio e a criança se apropria sem a ruptura do meio é uma experiência de aula do objeto que tem um enorme estatuto de valor terapêutico, pois repercute como uma lição do objeto apreendida pela mãe e pela criança, onde ambas passam pela experimentação de como alcançar um objetivo em que é possível verificar distintos comportamentos atuando dentro de um mesmo modelo sem o automatismo que a vida cotidiano significaria administrar um comportamento de vida e elaborado de forma consciente.

Usar o objeto e finalizar, ao contrário de pessoas que não conseguem dar fechamento a uma atividade é algo extraordinariamente positivo. O simples fato de abrir e realizar uma atividade e fechar é uma atividade terapêutica.

A observação da mãe do comportamento cumulativo da atmosfera da criança gera um ingrediente de confiança em si próprio e de confiança nos outros. Fortalece o sentimento de formalidade e a criança na experimentação da criança. Como no jogo do rabisco aqui é o primórdio do uso do objeto. São estágios que acontecem e são importantes para o desenvolvimento infantil.

Winnicott em compreender o comportamento do filho era capaz de dar a experiência para a mãe como o seu filho está se comportando dada sua influência sobre este filho.

Quando se completou a experiência: é preciso que ela seja uma experiência total, que a experiência é fundamental para uma boa lição do objeto. Então é fato que a mãe e o bebê possam sair do consultório com a sensação de ter vivido ou passado por uma experiência completa, em que é esperado uma mudança frente a sim mesmo com o aprendizado que foi possível estabelecer pela observação dos conteúdos colocados à mostra que evidenciavam sobre esta mãe a evolução do comportando do seu bebê e como sua influência sobre este o estava afetando de forma positiva ou negativa o seu desenvolvimento.

Em que pode se observar em relação à forma que um se coloca em relação a outras pessoas e na forma que se coloca em relação ao mundo. Ou como o indivíduo se sente frente a ele mesmo.

A importância da experiência do bebê, como se comporta é objeto de estudo e análise, bem como a forma que ele se visualiza consigo mesmo. São perguntas que descrevem o olhar clínico em relação a postura deste bebê ao se comunicar com o mundo em sua volta.

Winnicott enfatizou que este recurso é imbuído de poucas técnicas, e proporciona para a mãe e filho, um momento como a criança se comporta e como o sujeito se coloca. Como a experiência acontece e se sustenta. Não existia uma postura educativa e de formular as interpretações.

Onde o analista tenta reter a importância do gesto. Do gesto criativo. Para resgatar o próprio gesto que gera ação para o paciente. O analista permite que marque o ritmo das interpretações, o ir e vir e o fechamento.

Diferente de esperar o ritmo do paciente, na identificação da forma com que ele se coloca, que não deve ser confundido com a capacidade do analista de compreender os três momentos.

É necessário observar, perceber e a ocorrência do momento de interpretar. Um construir à base da formulação do comportamento do paciente.

Cada interpretação é a espátula que o bebê usa e incorpora em sua essência pelas elaborações do paciente cujo analista é capaz de usar a interpretação do paciente, ao perceber o momento do paciente, que está pronto para compreender a interpretação oferecida.

Dependendo do momento pode o paciente entender a interpretação de forma errada, em que ele não está pronto o suficiente para se sentir invadido.

O momento ideal para grandes interpretações é o momento de uso do objeto. O corte oferece uma abertura para reverberação, o que Winnicott estabelece como uma dificuldade do paciente de lidar com o tempo e espaço.

O momento de fechamento da sessão deve se evitar a ruptura do processo, para que o paciente tenha uma experiência completa. Não interromper a sessão num momento de extrema angústia. Se quebrar o setting alguma coisa está acontecendo.

Dentro da Matriz Clínica a espera da dimensão do tempo é um fator de fundamental relevância e interesse.

É fundamental o paciente poder falar de si, através da espera nas observações. Importância de presença da analista na sustentação desse processo. Onde o analista pode perceber o momento ideal para formular as interpretações no momento e no contexto certo.

Três períodos do processo da espátula são importantes no processo todo. Observa-se que os três momentos estão presentes na sessão toda. Quando se pega os três momentos se observa uma fase muito longa de hesitação e uma fase posterior de elaboração que permite o aparecimento de um gesto criativo que contribui para um processo de fechamento da sessão que devolve o equilíbrio para o paciente.

Hastags importantes de Winnicott

#Holding – Forma pela qual o bebê é segurado. Experiência física e psíquica. Aconchego que transite segurança, afeto e suporte egoico ao ego não integrado do bebê.

#Hadling – Manejo do bebê;

#Apresentação de Objetos;

#Self – iteração da criança com o ambiente;

#Tempo – é o acontecer humano;

#Ilusão – onde o bebê se apropria do mundo (realidade subjetiva);

#Esfacelamento

#Demanda – respeitando o momento do sujeito.

Fraternalmente,

Max Diniz Cruzeiro
LenderBook Company
www.lenderbook.com

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Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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