Quarta-Feira, 26 de Julho de 2017 - 10:31 (Artigos)

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Cuidados paliativos aliviam o sofrimento e proporcionam maior qualidade de vida a doentes terminais


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Diante de situações de extremo sofrimento envolvendo doenças graves, a esperança de cura cede lugar à solidão dos tristes quartos de hospitais. A espera pelo inevitável e a ineficiência dos tratamentos convencionais provocam um sentimento de impotência em pacientes e familiares.  O que fazer da vida e como viver o resto dela quando não há mais tempo para superar a morte? O dilema já foi roteiro central de filmes pelo mundo afora, mostrando personagens arrasados com um diagnóstico médico fatal, buscando alternativas que tragam alento, conforto e coragem a eles, à família e amigos próximos.

Casos de doenças terminais ganham as telonas em histórias que, ao mesmo tempo, arrancam lágrimas do público e inspiram as pessoas a enfrentar o problema das mais variadas formas. A filmografia é extensa e inclui Hillary O'Neil (Julia Roberts) e Victor Geddes (Campbell Scott), no filme “Tudo Por Amor”; Will Keane (Richard Gere) e Charlotte Fielding (Winona Ryder) em “Outono em Nova York”; Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) e Augustus Waters (Ansel Elgort) em “A Culpa é das Estrelas” e também Edward Cole (Jack Nicholson) e Carter Chambers (Morgan Freeman) em “Antes de Partir”. Cabe recordar a festa à fantasia em “Philadelfia”, que trouxe momentos de satisfação e felicidade ao personagem de Tom Hanks (Andrew Beckett). Também o banho de libertação de Cazuza (Daniel de Oliveira) em “O Tempo não para”, ao ser levado para um banho de mar no colo do motorista e amigo.

Todos esses dramas e cenas carregados de emoção indicaram caminhos paliativos de alívio físico e espiritual.  Provocar uma reconciliação, fazer uma visita, dizer palavras de consolo, realizar um sonho, uma vontade e um desejo, tudo tratado como se fosse as últimas providências e sem restrições drásticas antes de uma viagem sem volta, podem levar os doentes a viver com menos angústia e mais serenidade até o fim.

Cuidados paliativos

Apesar de pouco difundido e ainda visto com certo preconceito, o cuidado paliativo tem sido adotado em benefício de pacientes no momento em que muitos pensam que não há mais nada a ser feito. Consiste em um conjunto de ações que buscam melhorar a qualidade de vida e a dignidade da pessoa em tratamento no processo de terminalidade da vida. O coordenador do curso de Pós-Graduação em Oncologia e Cuidados Paliativos da Universidade Positivo (UP), João Luiz Coelho Ribas, doutor em farmacologia, explica que esses cuidados envolvem não apenas o doente, mas também a sua família - e são aplicados por uma equipe multiprofissional: "um grupo composto por médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, odontólogos, farmacêuticos, assistentes sociais e espirituai e educadores físicos, trabalhando juntos para proporcionar o conforto nesses momentos difíceis”, destaca.

Segundo ele, as questões abordadas vão desde a prevenção e o alívio do sofrimento até a identificação precoce de sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais. "O objetivo é que os pacientes possam viver o mais ativamente possível até o último minuto”, esclarece. Os cuidados paliativos são proporcionais às necessidades do paciente e de acordo com a evolução da doença. Para aliviar o sofrimento, eles descartam procedimentos invasivos desnecessários que manteriam a vida artificialmente. Evitam também a chamada “futilidade terapêutica”, que é a indicação de medicamentos que não trazem benefícios reais e podem, inclusive causar danos maiores ao paciente. “O foco principal do cuidado paliativo é a manutenção da qualidade de vida nesse momento com todo o aparato terapêutico necessário para que o doente usufrua esse período de sua vida da melhor maneira possível”.

A experiência mundial aponta que quando os cuidados paliativos são oferecidos precocemente e realizados de forma adequada, observa-se o prolongamento da vida. “No entanto, cabe ressaltar que esse não é e nunca será seu objetivo”, alerta Ribas. Os doentes que têm os sintomas controlados e são capazes de comunicar as suas necessidades emocionais também relatam uma melhor qualidade de vida. Segundo o especialista, esses cuidados devem começar no momento do diagnóstico e continuar durante o tratamento, pós tratamento e no final da vida, aliviando os sintomas e problemas emocionais decorrentes da doença.

Fonte: 010 - Central Press

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