Sexta-Feira, 22 de Julho de 2016 - 12:16 (Colaboradores)

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O QUE VOCÊ FARIA SE O SÃO JOÃO FOSSE ACABAR

Serão seis rainhas cada uma mais linda que a outra. Tem uma que a comunidade escolheu que é a Andressa aí vem as demais Nacielle, Tamires, Thaila, Thais e a Camila.


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Severino Silva Castro foi o responsável pela mudança no estilo de dançar e de vestir dos grupos de quadrilhas de Porto Velho, quando o grupo “Os Caipiras da Rádio Farol” se apresentou e foi campeão da Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás no ano de 1998. Acompanhe o que ele fala a respeito disso:

Qual é a origem da quadrilha? Todo mundo tem o pensamento e diz que é do Nordeste brasileiro. A verdadeira razão da dança da quadrilha começa no século XIII na Inglaterra. Depois já no século XV/XVI foi que foi pra França e no século XIX chegou ao Brasil com Dom João VI. A quadrilha é uma dança palaciana, tanto que quando chegou ao Brasil Chiquinha Gonzaga, Calado e tantos outros músicos famosos fizeram músicas no estilo Polca que eram tocadas e consideradas como música de dança de quadrilha.

Quando assumimos a Rádio Farol em 1997/98 colocamos a quadrilha dentro dessa filosofia. Naquele tempo, as quadrilhas ainda se apresentavam no Flor do Maracujá com indumentárias de Chita e remendadas, era realmente a quadrilha caipira. Aí ganhamos o primeiro título empatado com a Rosa Divina (1998), com a indumentária totalmente fora dos padrões da época, é claro que não chegamos a colocar a quadrilha palaciana, mas, nossos vestidos eram de tecido todo liso, enfim moderno. Lembro que o Joãozinho presidente da quadrilha Folhas Preciosas dizia que as roupas da Rádio Farol pareciam mais com farda escolar do que com roupa de quadrilha. Ele confundia escola com organização.

Títulos conquistados

De 1997 para cá, colecionamos alguns títulos, só no Flor do Maracujá são 11 troféus de primeiro lugar. A quadrilha que está mais perto da gente em título é a Roça é Nossa que tem dois campeonatos.

Teve um ano que nossa quadrilha ficou em sétimo lugar. Aconteceu o seguinte: O pobre do jurado a época, apesar de ser Doutor na matéria, não tinha o conhecimento de folclore. Ele já reviu tudo isso, tanto que ano retrasado ele foi novamente jurado e nos deu nota máxima.

Tema 2016

Em 2016 a Rádio Farol vem simples a situação econômica do Brasil hoje, está um pouco difícil e por isso os nossos cenários de anos anteriores estão sendo reformados para contar o tema: “O que você faria se o São João fosse acabar”. A respostas vai estar na 35ª Mostra de Quadrilha e Bois Bumbás do Arraial Flor do Maracujá no dia 5 de agosto. Vamos nos apresentar com 48 pares; Vale salientar que a Rádio Farol tem um trabalho social. Dentro do nosso grupo tem senhoras de 60/70 anos dançando, fazendo coreografia igual as meninas de 15, 16 anos. Nossa quadrilha Mirim também vem humilde com “As Datas Malucas” vamos lembrar um pouquinho do carnaval, natal, dia das mães etc. A Mirim também vai dançar no dia 5 de agosto.

Personagens da adulta

Lucélia e Cristiano (Noiva e Noivo), que ano passado ficaram em terceiro lugar no campeonato Brasileiro. Juliano e Keilane (Lampião e Maria Bonita), Daniel (Caçador), Ivan (Seringueiro), Raimundo Bisteca (Guarda), Elivan Preto (Juiz), Iupi (Escrivão), Dona Concebida que está com 70 anos de idade (Velha) e o Velho que tem 65; Cleiton (Padre), Maxsuel e Douglas (Sacristãos), Leandro Leris (Marcador).

Serão seis rainhas cada uma mais linda que a outra. Tem uma que a comunidade escolheu que é a Andressa aí vem as demais Nacielle, Tamires, Thaila, Thais e a Camila.

Cangaço

Apesar de na reunião sobre o Regulamento terem tirado o Cangaço da disputa, a Rádio Farol vai colocar o seu juntamente com o Lampião e a Maria Bonita. Cada quadrilha tem o seu estilo e sua filosofia, como meu pai era paraibano de Campina Grande tenho no sangue essa ideia do Cangaço bonito. Meu sonho era ter um “Cangaço” para fazer apresentações independente da quadrilha. Acontece que no Regulamento da Federon nunca teve o Cangaço como item. O Cangaço vai compor os personagens Maria Bonita e Lampião até pela própria história, pois, o Lampião não andava sozinho.

A coreografa da Rádio Farol é a nossa eterna Noiva a Luciane que começou em 1997. Hoje ela é a nossa coreografa é o cérebro da equipe. É ela que monta nosso tema e desenvolve com toda a equipe que tem o Nivaldo, Leandro e o presidente aqui que de vez em quando dar uns palpites.

Música

Outro feito da Rádio Farol foi colocar música própria ou adaptada. Antigamente não tinha música especifica para cada grupo. Quando viajei pra Campina Grande e Caruaru vi que os grupos de lá se apresentavam cantado, quando voltei queria fazer uma homenagem ao Chiquilito que havia falecido em 2001 e no Maracujá de 2002 pela primeira vez, uma quadrilha se apresentou cantando. A música dizia “Saudade palavra triste quando se perde um grande amor...”. Porque o Chiquilito foi o primeiro amor de Porto Velho com certeza.

Outro feito da nossa quadrilha. Lançou a cantoria Dara que faz sucesso hoje em Brasília. Aliás, a Dara vem cantar este ano na quadrilha Mirim. O André sempre teve habilidade para tocar e quando a gente foi dançar em Humaitá ele viu um tecladista tocando para a quadrilha dançar, e disse: eu também posso tocar. Hoje ele é considerado o melhor tecladista de quadrilha em Porto Velho. A esposa dela a Cindia também começou cantando na Rádio Farol.

Por que a Rádio Farol não aprova o estilo de indumentária de algumas quadrilhas?

Veja bem: O primeiro quesito em julgamento diz: “Originalidade, Características Estruturais de uma Quadrilha “. Então a origem da dança de quadrilha é inglesa difundida na França. A Rádio Farol vai continuar com esse pensamento filosófico usando vestido longo, A roupa curta facilita a dança, até dizem que a Rádio Farol não dança muito, porque o vestido cobre os movimentos. Mas, fica lindo aos olhos do povo. Quem entende realmente da dança de quadrilha, vai ver que a Rádio Farol ainda é hoje, uma quadrilha originalíssima.

Hoje não existe mais aquela quadrilha que possamos dizer que é melhor que a outra. São 14 quadrilhas brigando pelo título de igual para igual. Graças ao grupo Rádio Farol que começou tudo isso em 1997.

Dia 5 de agosto todos estão convidados a apreciar no Flor do Maracujá o espetáculo da Rádio Farol: “O que você faria se o São João Fosse Acabar”.

Fonte: Zé Katraca

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